Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 28.10.2014 28.10.2014

Qual o livro que te fez gostar de ler?

Por Zaqueu Fogaça
Sua aparência, novo ou velho, pouco importa. Pode ser contemporâneo, mas também pode ser clássico. A qualquer hora, em qualquer momento, é bem-vindo. Sempre há espaço para mais um, e outro, e mais outro…
Seja na tarefa de nos entreter, nos ensinar ou nos provocar, o livro já parte de nossas vidas e se tornou, acima de tudo, uma peça fundamental nas engrenagens de nosso aprendizado.
A incursão pelo mundo das palavras, histórias, personagens, paisagens e sentimentos quase sempre está ligada a uma obra que nos marcou profundamente e que foi capaz de despertar em nós o prazer pela leitura.
Pensar no próximo título antes mesmo de terminar o que estamos lendo já se tornou inevitável. Nesse ponto, todos têm um livro para chamar de seu. Se não o tem, decerto é porque ainda não o encontrou.
Em celebração ao Dia Nacional do Livro, comemorado hoje, dia 29 de outubro, o SaraivaConteúdo convidou alguns escritores brasileiros para responder à seguinte pergunta: Qual foi a obra que lhe despertou o prazer pela leitura?
Leia o que disseram Edney Silvestre, Socorro Acioli, Humberto Werneck, Frederico Elboni, entre outros.
STELLA FLORENCE (ESCRITORA. AUTORA DE OS INDECENTES)
“Um dos primeiros livros que escolhi ler sem a imposição da escola foi Antes do Baile Verde, da Lygia Fagundes Telles. Eu gostava tanto dos seus contos que comecei, para meu prazer, a reescrevê-los com finais diferentes no meu diário. Uma ousadia da menina que não sonhava em ser escritora, mas já brincava disso.”
SOCORRO ACIOLI (ESCRITORA. AUTORA DE A CABEÇA DO SANTO)
“O começo da minha vida de leitura aconteceu quando ganhei a obra completa de Monteiro Lobato, comprada por minha família de um vendedor que oferecia livros de porta em porta. Eu já assistia ao Sítio do Picapau Amarelo dos anos 80, mas lembro do meu espanto quando vi que ler o Sítio era tão divertido quanto ver na TV. Às vezes mais ainda. Monteiro Lobato me fez amar as narrativas, entregar minha vida às histórias bem contadas. Até hoje consigo me lembrar desses livros e do meu encantamento. Felizmente, até hoje me encanto sempre e sempre com novos livros nessa minha vida de leitora compulsiva. Eu dependo de doses diárias de leitura para viver. E isso começou com Lobato.”
MARCIA TIBURI (ESCRITORA E FILÓSOFA. AUTORA DE O MANTO)
“Sinceramente, no meu caso, foram os Contos de Grimm. Eu tinha 9 anos, tinha quebrado o braço e me apaixonei pelos contos. Depois, com 13, comecei a ler Filosofia, e meu primeiro livro foi O Príncipe de Maquiavel. Eu gostei de filosofia porque não entendia nada, achava aquilo tudo impressionante, mas não entendia. Até hoje eu não entendo leitores que se empolgam com livros que eles entendem…”
MARINA CARVALHO (ESCRITORA. AUTORA DE SIMPLESMENTE ANA)
“O primeiro livro que marcou minha vida foi O Barquinho Amarelo, da Ieda Dias. Eu tinha 6 anos e fiquei completamente envolvida pela história e pelas ilustrações. Depois dessa experiência, fui em busca de novas aventuras, proporcionadas pelas revistinhas da Turma da Mônica. Por anos fui leitora voraz das HQs do Mauricio de Sousa, o que muito contribuiu para minha formação como leitora. Para falar a verdade, até hoje me divirto com a Mônica e seus amigos, sejam como crianças ou na forma jovem.”
CARINA RISSI (ESCRITORA. AUTORA DE ENCONTRADA)
“O livro que realmente despertou em mim o prazer na leitura foi Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Eu o li pelo menos uma vez por ano, nos últimos14 anos, e não tenho planos de quebrar essa tradição tão cedo. É difícil precisar o motivo pelo qual sou tão aficionada nessa história: se pelo romantismo, a inocência da época, o próprio Sr. Darcy, o fato de Jane me transportar para outro século – e todo mundo sabe que eu me amarro em uma viagem no tempo… O livro me mostrou o quão delicioso é o universo literário, quantos mundos desconhecidos estavam esperando para serem explorados. Depois dele, nunca mais consegui ficar longe dos livros.”
Socorro Acioli, Marina Carvalho e Carina Rissi
HUMBERTO WERNECK (ESCRITOR. AUTOR DE O PAI DOS BURROS)
“Eu andava pelos 12 anos de idade quando um colega me mostrou um livro e segredou: tem sacanagem! E não é que tinha? Tratei de ter meu exemplar de O Encontro Marcado, de Fernando Sabino, em cujas páginas a sacanagem, aliás rala, não tardou a me interessar menos do que as estripulias com que três moços talentosos e irreverentes – um deles, Eduardo, inspirado no próprio Fernando – sacudiam a letargia da Belo Horizonte dos anos 30 e 40. Não havia como não me identificar com a rapaziada, ainda mais que era, também eu, 20 anos mais novo, um aspirante à literatura.”
EDNEY SILVESTRE (ESCRITOR. AUTOR DE BOA NOITE A TODOS)
“Minha vida de garoto estranho, apartado de seus colegas que pareciam viver felizes entre peladas, mulheres peladas e ambições de enriquecimento através de cursos de economia e engenharia, só ganhou sentido e me puxou do fundo do poço quando li Tonio Kroeger. O personagem jovem e desajustado de Thomas Mann me trouxe um enorme alívio ao me mostrar que nós, os outros, existíamos – mesmo que fora do baile, como na cena mais emblemática do pequeno romance. Até hoje TK me acompanha.”
EDUARDO SPOHR (ESCRITOR. AUTOR DE FILHOS DO ÉDEN)

“Difícil apontar um livro. Foram muitos. No meu caso, destaco as Crônicas de Dragonlance, a vasta coleção dos romances e contos do detetive Sherlock Holmes e todas as obras do incrível James Clavell. Dentre muitas coisas, esses todos me fizeram entender que não existe a ideia de ‘não gostar de literatura’ ou de ‘não gostar de ler’. Tudo é uma questão de saber escolher um título que lhe agrade. Uma vez encontrado um estilo ou um autor preferido, é só relaxar e deixar a imaginação fluir.”

FREDERICO ELBONI (ESCRITOR. AUTOR DE UM SORRISO OU DOIS)
“Quando era adolescente não tinha o hábito de ler livros, lia poemas e letras de música, mas não longas histórias. Um dia, minha mãe me presenteou com o livro O velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Era uma leitura realista que contava a história de um pescador que ensina um menino a pescar, abordando as relações humanas e humildade. Como era jovem, a história expandiu meus horizontes para outras realidades. Se hoje tenho gosto pela leitura, foi por causa desse livro.”
Edney Silvestre, Eduardo Spohr e Frederico Elboni
ANTÔNIO XERXENESKY (ESCRITOR. AUTOR DE F)
“Eu tinha 14 ou 15 anos quando li pela primeira vez O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick. Eu já lia bastante ficção científica e fantasia, mas foi K. Dick quem me abriu as portas para o verdadeiro poder da literatura. A sua história, sobre um homem que mora em um lugar isolado e escreveu um livro que oferece uma outra realidade possível, é uma grande metáfora para a capacidade da ficção – além de ser delicioso de ler. Desde que conheci o romance de K. Dick, tornei-me um rato de sebos e aumentei vertiginosamente o ritmo de leituras. A literatura passou a ocupar um espaço fundamental na minha vida.”
CARLOS ORSI (ESCRITOR. AUTOR DE GUERRA JUSTA)
Os Doze Trabalhos de Hércules, de Monteiro Lobato, foi o primeiro livro que me fez vibrar, sentir medo, chorar. E me transformou num viciado em histórias de aventura. Eu o li quando estava com apenas 9 anos de idade e eram dois volumes.”
Antônio Xerxenesky e Carlos Orsi
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