Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 22.12.2011 22.12.2011

Qual é o seu filme de Natal favorito?

 
Por André Bernardo
Cena de A Felicidade Não se Compra
 
Final de ano sem filme de Natal é como ceia em família sem peru ou panetone. Não pode faltar. Só este ano, são quatro: Em Casa para o Natal e Operação Presente, que já chegaram aos cinemas, e Beethoven – Aventura de Natal e Papai Noel das Cavernas, que foram direto para as locadoras.
 
Salvo raríssimas exceções, filmes de Natal são (quase) todos iguais: umas confusões em família aqui, umas mensagens edificantes ali e nada mais. Será mesmo? Há quem pense diferente. Para o crítico de cinema Rubens Ewald Filho, autor de O Oscar e Eu e Dicionário de Cineastas, entre outros, o melhor filme de Natal que existe é, indiscutivelmente, A Felicidade Não se Compra (It’s a Wonderful Life, 1946).
“Não tinha idade para ver a estreia, mas lembro dele numa reprise nos anos 60. A sensação que eu guardo foi a de um filme que me fez chorar muito. Coisa não muito comum na adolescência”, admite o crítico.
 
Dirigido por Frank Capra, A Felicidade Não se Compra conta a história de George Bailey (James Stewart) que, na véspera do Natal, pensa em se matar por causa de sua situação financeira. É quando aparece Clarence (Henry Travers), um anjo que resolve fazê-lo mudar de ideia. Para tanto, mostra a George como teria sido a vida dos moradores de Bedford Falls se ele não tivesse existido. “Todo mundo entende a mensagem de Capra: qualquer um, por mais insignificante que seja, faz falta no mundo”, afirma.
O critério de escolha da jornalista Ana Maria Bahiana é puramente afetivo. Autora de Nada Será Como Antes e Almanaque Anos 70, ela conta que a família chegava a se reunir diante da TV para assistir a Férias Frustradas de Natal (National Lampoon’s Christmas Vacation, 1989), o último dos quatro filmes protagonizados por Chevy Chase. “Nessas ocasiões, eu e meu filho aproveitávamos para tomar eggnog. Até hoje, aos 33 anos, Bernardo é doido por eggnog”, diverte-se, referindo-se à bebida natalina, feita de conhaque, leite, ovos e açúcar.
 
Cena de Férias Frustradas de Natal
 
Escrita por John Hughes, a série teve início em 1983, com Férias Frustradas; continuou em 1985, com Férias Frustradas na Europa, depois em 1997 veio com Férias Frustradas em Vegas.
 
Para rir e se emocionar
O roteirista John Hughes é autor de dois outros clássicos natalinos: Esqueceram de Mim (Home Alone, 1990) e Milagre na Rua 34 (Miracle on 34th Street, 1994).
 
O primeiro narra o infortúnio de Kevin McCallister (Macaulay Culkin), esquecido em casa pelos próprios pais. Como desgraça pouca é bobagem, o moleque ainda tem que enfrentar dois assaltantes em plena noite de Natal. O filme teve uma sequência em 1992, também com Macaulay Culkin.
 
Já o segundo conta a história de Kris Kringle (Richard Attenborough), um funcionário de uma loja de brinquedos que quer provar para Susan Walker (Mara Wilson) que é o Papai Noel em barba, carne e osso. É a refilmagem de De Ilusão Também se Vive, de 1947.
Na falta de um bom roteirista, como John Hughes, que morreu em 2009, os diretores podem sempre buscar inspiração em Um Conto de Natal, de Charles Dickens. Publicado em 1843, o romance conta a história de Ebenezer Scrooge, um velho sovina que detesta o período natalino. Em certa ocasião, ele recebe a visita de três fantasmas: do Natal passado, presente e futuro. Daquele momento em diante, passa a ver o Natal com outros olhos.
 
A história de Dickens inspirou inúmeras adaptações: de Adorável Avarento (Scrooge, 1970) a Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol, 2009). A mais famosa, porém, talvez seja Os Fantasmas Contra-Atacam (Scrooged, 1988), que mereceu o voto de Érico Borgo, de O Almanaque do Cinema.
 
Cena de Os Fantasmas Contra-Atacam
 
Da literatura para o cinema
“Uma versão diferente para o conto de Dickens é estrelada por um dos atores mais engraçados em atividade, e sem a pieguice que costuma acompanhar o tema”, justifica Érico.
 
No longa-metragem de Robert Zemeckis, Frank Cross (Bill Murray) é o executivo ranzinza de uma rede de TV que, na véspera do Natal, é perseguido por três fantasmas, que tentam a todo custo transformá-lo num sujeito melhor.
 
Não é todo filme que consegue, a exemplo de Os Fantasmas Contra-Atacam, “manter a magia do Natal sem ser piegas”. É por isso que Ana Carolina Garcia, autora de A Fantástica Fábrica de Filmes, vota em Papai Noel Existe (The Night They Saved Christmas, 1984).
“Na verdade, não tenho um predileto, mas, se tivesse que escolher um, Papai Noel Existe marcou a minha infância. A Rede Globo sempre o exibia nesta época e eu o considero um dos clássicos da ‘Sessão da Tarde’. É um filme bastante agradável de assistir”, garante.
 
Sim, filmes natalinos tanto podem fazer rir como chorar. Há gênero para todos os gostos: aventura, como Duro de Matar (Die Hard, 1988); romance, Simplesmente Amor (Love Actually, 2003); animação, O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993); musical, Natal Branco (White Christmas, 1954); e, acreditem, até terror, Natal Sangrento (Silent Night, Deadly Night, 1984). E para você? Qual é o seu filme de Natal favorito?
 
Recomendamos para você