Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 23.09.2011 23.09.2011

Qual é o festival de música mais importante de todos os tempos?

Por André Bernardo
 
 Hoje, quando os Paralamas do Sucesso e os Titãs pisarem o Palco Mundo para o show de abertura do Rock in Rio, o festival já vai ter entrado para a história como o maior de todos os tempos. Em sua 10ª décima edição – sendo a quarta no Brasil –, o Rock in Rio já foi assistido por um público estimado em 5,3 milhões de espectadores. Desde que a primeira edição foi criada, em 1985, cerca de 600 artistas, das mais diferentes nacionalidades e dos mais variados estilos, já passaram pelos seus palcos. Sim, o Rock in Rio é o maior. Mas será também que é o mais importante?
Na opinião de Guto Goffi, é. Pelo menos para o Brasil. “É uma marca que veio para ficar”, salienta. Este ano, o baterista do Barão Vermelho faz seu primeiro show solo na Cidade do Rock. Com Cazuza, Frejat & Cia, participou das edições de 1985 e 2001. “Após o primeiro, a estrutura tornou-se muito mais profissional no que diz respeito a equipamentos de luz e som. Entramos definitivamente na rota internacional de shows. Estamos na quarta edição e o crescimento promete”, vibra Goffi, que deve comemorar os 30 anos do primeiro álbum do Barão com uma turnê em 2012.
Vocalista do Jota Quest, Rogério Flausino concorda com Guto Goffi sobre o fato de o Rock in Rio ter aberto a porta dos grandes festivais não só para o Brasil, mas para a América Latina. “O Rock in Rio foi importante por dar visibilidade aos artistas locais e divulgar o nome do Rio e do Brasil mundo afora”, valoriza Flausino, que participou do Rock in Rio Lisboa 2, em 2006. Este ano, o Jota Quest toca no dia 30.
 
A cidade do rock 2011
Um marco cultural
Em 1988, Rio e São Paulo receberam a primeira das seis edições do Hollywood Rock, que reuniu, entre outros artistas, Pretenders, Duran Duran e Supertramp. Roger, líder do Ultraje a Rigor!, esteve lá e é um veterano em festivais. Participou do Hollywood Rock em 1988 e do Rock in Rio em 2001. Mesmo assim, ele aponta o de Woodstock, realizado em 1969, como o mais importante de todos. “Embora acidentalmente, foi o que começou com a tradição de festivais gigantescos de rock”, explica. “Além disso, foi o que reuniu o maior número de artistas influentes”. Pelo palco de Woodstock, durante seus três dias, passaram nomes de peso, como Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker e Greateful Dead.
Ao que parece, Woodstock é o preferido de artistas, jornalistas e produtores. “É difícil traduzir o que Woodstock significou para a humanidade. Mesmo sem eu ter estado lá, sou capaz de ficar dias falando sobre aquele festival”, afirma o baterista Marcelo Bonfá, uma das atrações do Concerto Sinfônico Legião Urbana, que vai rolar dia 29 no Palco Mundo. Na época, os organizadores de Woodstock esperavam atrair um público estimado em 50 mil pessoas e vendia ingressos pela bagatela de U$ 8 dólares. No final das contas, ele atraiu um público dez vezes maior.
Curiosamente, Woodstock acabou dando prejuízo aos seus organizadores. Eles investiram 2,4 milhões de dólares e só arrecadaram 1,1 milhão com a venda de ingressos. Mesmo assim, entrou para a história como um marco cultural. E pensar que inúmeros artistas, como The Doors, Led Zeppelin e Bob Dylan, recusaram o convite para participar de Woodstock. “Mais do que um evento de música, Woodstock foi um evento de comportamento, liberdade e anarquia. Foi o símbolo de uma época e de uma geração”, acrescenta o jornalista, crítico e produtor musical Nelson Motta.
O início de tudo
Woodstock pode até ter sido o mais importante. Mas não foi o primeiro. Três anos antes, John Philips, o guitarrista do The Mamas & The Papas, organizou um evento parecido, o Monterey International Pop Music, na Califórnia. Com renda revertida para instituições de caridade, o Festival de Monterey reuniu quase 200 mil pessoas. “Monterey foi importante, entre outros motivos, por estabelecer uma característica marcante dos futuros festivais ‘de rock’: a de envolver artistas de outros gêneros”, recorda o jornalista e crítico musical Arthur Dapieve.
De fato, além de roqueiros, como Jimi Hendrix, Greateful Dead e The Who, Monterrey reuniu também Otis Redding, Simon & Garfunkel e até Ravi Shankar. De lá para cá, outros eventos de rock sacudiram o planeta. Como o Live Aid, em 1985. Organizado pelo cantor irlandês Bob Geldof, foi realizado no dia 13 de julho daquele ano, simultaneamente em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos Estados Unidos, para ajudar na erradicação da fome na África. O evento foi tão marcante que, daquele ano em diante, o dia 13 de julho foi consagrado como o Dia Mundial do Rock.
Mas não para por aí. Todos os anos rolam outros festivais pelo mundo afora, como o de Glastonbury, na Inglaterra; o Coachella, nos Estados Unidos; e, desde o ano passado, o SWU, aqui no Brasil. “Cada um deles tem e teve importância na construção do ideário de que o rock tem sido um fator decisivo na mudança da sociedade”, analisa Flausino. “São festivais de música como esses que me fazem acreditar que tudo isso ainda vale a pena. Todos eles juntos é que fazem a diferença”.
Ficha técnica dos principais festivais de música de todos os tempos
 
• Monterey
 
 
Data: De 16 a 18 de junho de 1967.
Local: Monterrey, na Califórnia (EUA).
Público estimado: 200 mil espectadores.
Apresentações: 32.
Atrações: Jimmy Hendrix, Janis Joplin, The Mamas & The Papas, Simon & Garfunkel e Otis Redding.
 
• Woodstock
 
 
Data: De 15 a 18 de agosto de 1969.
Local: Bethel, em Nova Iorque (EUA).
Público estimado: 500 mil espectadores.
Apresentações: 34.
Atrações: Jimmy Hendrix, Janis Joplin, The Who, Joe Cocker e Greateful Dead.
Outras edições: 1994 e 1999.
 
• Rock in Rio
Data: De 11 a 20 de janeiro de 1985.
Local: Rio de Janeiro (Brasil).
Público estimado: 1,3 milhão de espectadores.
Apresentações: 28.
Atrações: Queen, Iron Maiden, Rod Stewart, Ozzy Osbourne e James Taylor.
Outras edições: 1991, 2001 e 2011 (Rio de Janeiro), 2004, 2006, 2008 e 2010 (Lisboa) e 2008 e 2010 (Madri). 
 
• Live Aid.
 
 
Data: 13 de julho de 1985.
Locais: Londres (Reino Unido) e Filadélfia (EUA).
Público estimado: 82 mil pessoas (Londres) e 99 mil pessoas (Filadélfia).
Apresentações: 27 (Londres) e 44 (Filadélfia).
Atrações: U2, Sting, Dire Straits, Queen e Paul McCartney (Londres) e Led Zeppelin, Mick Jagger, Bob Dylan, Madonna e Eric Clapton (Filadélfia).
Outra edição: 2005.
 
 
• Hollywood Rock.
Data: De 06 a 09 de janeiro de 1988 (Rio) e de 14 a 17 de janeiro de 1988 (São Paulo).
Local: Rio de Janeiro e São Paulo (Brasil).
Público estimado: Não divulgado.
Apresentações: 12.
Atrações: Pretenders, Simples Minds, Simply Red, Duran Duran e Supertramp.
Outras edições: 1990, 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996. 
 
 
 
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