Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.07.2012 20.07.2012

Princesas valentes invadem as animações cinematográficas

 
Por Luma Pereira
 
Não dá mais para viver apenas do “era uma vez” até o “felizes para sempre”. Tampouco é possível passar a vida esperando pelo príncipe encantado – um sapatinho de cristal ou um beijo que desperta. As princesas da Disney/Pixar agora têm outros objetivos na vida.
 
Merida, protagonista de Valente, é um exemplo dessa mudança comportamental da figura feminina nos filmes. A garota ganha do pai, o rei Fergus, um arco e flecha. Ela deseja ficar solteira e se tornar arqueira, para desagrado da rainha Elinor, sua mãe.
 
“Ela é uma guerreira, sonha em conseguir seu lugar no mundo, provar seu valor. Merida não é delicada e frágil como o estereótipo das princesas clássicas”, comenta Amanda Aouad, crítica do CinePipocaCult.
 
De princesa clássica, a jovem só tem o castelo e o rei e a rainha como pai e mãe. Quando os rapazes das redondezas tentam concorrer por sua mão para o casamento, ela mesma se candidata a participar do jogo – uma competição de arco e flecha, é claro!
 
Essa mudança na figura da mulher é gradual, e teve início nos anos de 1960, quando a revolução feminina foi modificando os padrões da sociedade. “Não há como se identificar com uma moça frágil e que depende do homem para tudo”, afirma Amanda.
 
Para Klaus Hasten, crítico do Salada Cultural, Merida não inova tanto assim: tem a mesma birra para não casar que já tinha Jasmine, de Aladdin (Clements e Musker, 1992), e também a vontade de lutar de Mulan (Bancroft e Cook, 1998) e de Rapunzel de Enrolados (Greno e Howard, 2010).
 
Essas princesas citadas, mesmo sendo da década de 1990, já traziam essa novidade na representação da figura feminina.
 
De uma maneira menos enfática, sim, mas já estava presente na Jane, de Tarzan (Buck e Lima, 1999), por exemplo, alguns traços de mulher moderna.
 
“Merida se mostra irreverente, a frente do seu tempo, inteligente e destemida: tudo o que já vimos em personagens femininas em animações. Não é superficial, ganha muito pela expressão, forma de falar e agir, mas peca pela falta de originalidade”, diz Hasten.
 
Jasmine, de Aladdin
 
Nas animações, de uns tempos para cá, temos visto mais garotas espertas e que assumem o controle das situações – isso mostra que, novidade ou não, Merida faz parte de uma longa mudança dos padrões que tem se feito cada vez mais presente no cinema.
 
Kitty, de O Gato de Botas 
Kitty de O Gato de Botas (Miller, 2011) e Shira, de A Era do Gelo 4 (Martino e Thurmeier, 2011) são outros exemplos disso.
 
“Kitty é a personificação da ‘Mulher-Gato’, que ataca antes de ser machucada, não se protege pela defesa, mas por uma vida desregrada, que parte um pouco pela mesma lógica de Shira”, comenta Hasten.
 
 
Até mesmo em releituras atuais de Contos de Fadas, sem ser animação, vemos essas modificações. Em Branca de Neve e o Caçador (Sanders, 2012), a princesa, interpretada por Kristen Stewart, vai à luta, pega em armas e não fica apenas à espera do príncipe.
 
“O cinema é o reflexo de uma época. Para conhecer melhor uma sociedade, basta assistir aos filmes feitos naquele tempo. Mesmo numa produção que se passe em um período distinto, é possível ver a adaptação para os pensamentos atuais”, comenta Amanda.
 
No geral, Hasten considera Valente um bom filme. Ele destaca um ponto tecnológico que chama a atenção: “o cabelo de Merida é uma evolução bacana na construção de animação computadorizada, evoca a magia da empresa na sua precisão e engajamento”.
 
E é justamente isso que temos nos tempos atuais: uma princesa que cavalga pelos bosques com o arco e flecha nas mãos e os cabelos ao vento – os fios ruivos mostrando o moderno da tecnologia de animação e da liberdade de uma princesa valente.
 
 
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