Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 22.06.2012 22.06.2012

Por trás do Arco-Íris de letras

Por Felipe Candido
 
A data de 28 de junho é conhecida também como o “Dia do Orgulho Gay”. A origem é um episódio que ocorreu em 1969, em Nova York. A agressão de frequentadores de um bar – em sua maioria homossexual – foi o estopim para uma manifestação em defesa dos direitos pelas minorias sexuais. Foi assim que ela passou a fazer parte do calendário.
 
Muito mudou. Com o passar dos anos, algumas mudanças aconteceram na sociedade, e a comunidade homossexual conquistou espaço. “As pessoas estão se sentindo seguras para assumir mais abertamente sua orientação sexual e por isso podem consumir sem medo. O mercado percebeu esse movimento e se profissionalizou, oferecendo produtos e serviços melhores”, afirma o jornalista e escritor André Fischer, um dos nomes mais representativos do movimento LGBT.
 
OS LIVROS GANHAM CORES
 
Dentro desse novo quadro, o mercado editorial também passou a se especializar e a visar esse público. Uma das iniciativas pioneiras no Brasil foi da Editora Summus, que, em 1998, criou o selo “Edições GLS”, especializado em livros com temática LGBT. “Quando criamos o selo, sabíamos que havia uma demanda da população LGBT, que procurava obras que abordassem seus problemas, dilemas e conquistas. Também queríamos dar voz aos autores que se propusessem a escrever ficção com temática homo, bi ou transexual.
 
Em 2008, em seu aniversário de 10 anos, as Edições GLS sofreram ampla reformulação em sua linha editorial. O selo passou a investir em mais autores nacionais, produzindo livros que agradam tanto aos gays quanto aos héteros por seus predicados literários”, conta Soraia Bini Cury, editora da Editora Summus e responsável pelo selo GLS.
SER GAY OU NÃO SER? EIS A QUESTÃO
 
Mas existiria uma literatura essencialmente LGBT? Para André Fischer não. “A experiência de ter corners específicos dentro de grandes livrarias no exterior, com livros que seriam gays, já foi ultrapassada. Boa literatura é boa literatura. Não há literatura negra, por exemplo. Hoje as pessoas querem encontrar conteúdo gay, sim, mas dentro de um contexto mais amplo.”
 
Mas essa opinião não é unânime, como completa Soraia: “Embora ignorada por muitos críticos, a literatura gay existe e ponto. O significado de ter um público-alvo definido é que, embora possam e devam ser lidas por heterossexuais, as obras têm como intuito principal atender aos interesses de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros”.
Livro de André Fischer
A CENA HOJE
 
Mas, à medida que as situações mudavam, a recepção aos livros LGBT foi aumentando. “Temos um público bem definido que tem poder de consumo e sabe o que quer. O mercado editorial voltado para o público gay, no entanto, ainda é muito pequeno. Porém, a publicação de revistas e a veiculação de sites têm crescido nos últimos anos, o que é bastante positivo. Penso que ainda há espaço para produtos segmentados, principalmente na área de cultura”, afirma Soraia.
 
Nesse novo contexto o mercado editorial tem contribuído significativamente para uma maior aceitação da diversidade sexual na sociedade. “Em 2011, o livro No Presente, que conta a história de um menino que começa a se perceber homossexual, foi adquirido pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Foi uma grande conquista da GLS e um sinal de que o preconceito tende a diminuir conforme a informação aumentar”, conta Soraia, a cuja fala André Fischer faz coro: “Nossas iniciativas têm como principal objetivo ajudar a diminuir o preconceito no Brasil, e acho que estamos conseguindo cumprir”.

 
     
  Títulos da editora GLS; No Presente, Cine Arco-Íris, O Terceito Travesseiro e Para Sua Jukebox
 
 
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