Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 15.06.2013 15.06.2013

Poesia abre o Festival da Mantiqueira

Por Mariana Rodrigues
De São Francisco Xavier (SP)
 
Lá estavam eles com a responsabilidade de abrir o VI Festival da Mantiqueira – Diálogos com a literatura. Os poetas. Tímidos como sempre, só se mostraram 100% à vontade quando puderam ler um poema.
O público na tenda principal não reclamou. Ouviu, aplaudiu e aproveitou para conhecer ou saber mais sobre os três poetas contemporâneos brasileiros que faziam parte da mesa: Carlito Azevedo, Micheliny Verunschk e Tarso de Melo.
O tema da mesa – Paisagens da Poesia – é o que norteia todo o festival neste ano. A cidade de cada escritor e sua relação com a literatura.
Tarso de Melo, de Santo André (SP), foi  o primeiro a falar. “A poesia vem do atrito”, disse ele no início. Explicou logo depois – usando como exemplo a cidade-sede do festival, com pouco mais de 5 mil habitantes – que levaria semanas para conseguir escrever uma poesia na tranquila São Francisco Xavier.
Em seguida, falou o carioca Carlito Azevedo, o mais tímido da mesa, que já de antemão alertou que os poetas preferem ler a explicar poesia.
“Eu falei para a Micheliny [que] a gente podia só ler poemas. Se a gente explica, a gente tira o trabalho dos críticos”, disse, levando o público ao riso.
Mas acabou fazendo as tais reflexões das quais tentou fugir. Comentou sobre a importância de o discurso poético ter mais potência, como os discursos social, político, jornalístico e psicanalítico.
Para ele, a força que o discurso poético carrega é a dúvida da ideia de que as coisas fazem sentido. E ainda complementou que o recado é gerar mais dúvidas, e não oferecer respostas e soluções.
A escolha de poetas para a mesa incluiu também uma pernambucana de Arcoverde. Micheliny se disse uma pessoa inquieta, o que a fez mudar de cidade várias vezes. Recife, Olinda e São Paulo já foram suas residências.
“Eu sou menos de qualquer lugar e mais de mim mesma. Eu migro”, comentou sobre a falta de referência da cidade onde nasceu e foi criada em suas poesias.
Ela também afirmou aquilo que o público conseguiu constatar em poucos minutos: “Esta foi a mesa dos tímidos”.
Os três poetas sabiam qual era a solução para quebrar o acanhamento: ler poesias. O público ganhou com isso. Conheceram os três escritores também em sua zona de conforto.
Cada um leu pelo menos dois poemas. Cada um no seu ritmo, cada um com seu tom. Cada um com sua poesia.
A produção do Festival avisou que vai disponibilizar os vídeos das mesas nas próximas semanas em um canal do YouTube, uma boa dica para quem não encarou o friozinho de São Francisco Xavier e não pôde acompanhar as leituras ao vivo.
O Portal SaraivaConteúdo vai publicar notícias e matérias sobre o Festival durante o final de semana inteiro. Fique de olho.
 
Para quem estiver na região, a Saraiva está presente no festival. Uma loja especial funciona durante todo o festival, e haverá sessões de autógrafos com os autores convidados no espaço.
 
 
 
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