Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.05.2011 24.05.2011

Persona non grata. E daí?

Por Marcelo Forlani, do site Omelete.com.br 

Daqui a algumas semanas, poucos vão se lembrar que foi 2011 o ano que Terrence Malick levou a Palma de Ouro por A Árvore da Vida (Tree of Life). Afinal, é o escândalo que vende mais, e assim o Festival de Cannes deste ano vai ficar marcado como aquele que baniu Lars Von Trier da Croisette.

O cineasta dinamarquês, famoso por ter a língua mais afiada que seu cérebro, soltou durante a coletiva de imprensa para jornalistas do mundo todo que era nazista e começava a entender Hitler. Por mais que ele diga que estava fazendo piada e que as frases não devem ser analisadas fora de seu contexto, a verdade é que elas não deveriam ter sido ditas em primeiro lugar, e que ele parece não ligar para isso.

Von Trier está levando o seu banimento da riviera francesa como mais uma piada. Fez brincadeiras em todas as entrevistas sobre o assunto, e disse que está aliviado por não precisar mais correr para finalizar um filme antes de Cannes. Agora cabe a pergunta, será que Veneza e Berlim – os outros dois festivais europeus que se equiparam em importância e glamour à Cannes – convidarão o dinamarquês para mostrar seus filmes por lá?

Será que má publicidade pode realmente ser boa, no fim das contas?

Eu, que não vejo um filme de Von Trier desde a versão sem cortes de Dogville, há quase dez anos, confesso que não senti coceiras por Manderlay, Anticristo e nem por este Melancholia. Se tiver de vê-los, verei, mas a verdade é que prefiro gastar duas horas ao lado de Malick.

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