Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 07.12.2011 07.12.2011

Pelos caminhos do Sertão: A Boiada

 
Por Felipe Candido
 
De dentro de um arquivo, até então restrito a poucos nomes selecionados, localizado no IEB, na Universidade de São Paulo, sai uma grande manada de anotações e impressões. Essa é "A Boiada", um conjunto de escritos de João Guimarães Rosa.
 
O princípio
 
Agora apresentada pela primeira vez ao público, dentro do projeto Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa, "A Boiada" traz uma série de anotações que Guimarães fez durante uma expedição feita pelo autor em 1952, pelas veredas do sertão das Geraes.
 
A viagem que o autor fez foi acompanhada por sertanejos que conheciam os caminhos percorridos como a palma da mão. Entre eles estava Manoel Nardy, o chefe da comitiva e que inspirou o autor a criar o célebre personagem Manuelzão, do livro Corpo de Baile.
 
E não foi somente essa personagem que nasceu no meio dos caminhos percorridos. Muitas das anotações encontradas nos cadernos de Rosa tornaram-se passagens, fragmentos e inspirações nas obras do autor, em especial Corpo de Baile, e a maior obra de Guimarães: Grande Sertão: Veredas, que também faz parte do projeto “Os Caminhos do sertão de João Guimarães Rosa”.
 
A Boiada de hoje
 
A edição de "A Boiada" que integra o projeto apresenta uma abertura com o fac-símile de 10 páginas manuscritas pelo autor, com anotações e impressões pessoais. Além disso, os dois volumes ("A Boiada 1" e "A Boiada 2") estão apresentados na íntegra, também em fac-símile, com o conteúdo também datilografado e anotado por Rosa.
Colaboraram nessa edição as estudiosas Sandra Vasconcelos, professora de literatura da USP, e Mônica Meyer, bióloga e professora da UFMG, que também revelam suas impressões sobre a obra.
 
Sandra, demonstrando todo seu conhecimento sobre a obra Rosiana, que estuda desde a década de 70, e Mônica com um estudo minucioso sobre a geografia do sertão de Minas, tendo como partida a obra de Guimarães, em especial a leitura feita de "A Boiada".
Para finalizar as participações no volume que acompanha o projeto, os traços que ilustram essa obra são de um outro grande especialista em Guimarães: Paulo Mendes da Rocha empresta suas bem traçadas linhas para representar graficamente o caminho trilhado pelo autor e seus companheiros.
 
Uma viagem documentada
 
A viagem feita pela comitiva que acompanhou Guimarães Rosa foi acompanhada de perto por uma equipe jornalística do principal veículo da época: a revista O Cruzeiro. Dessa viagem, uma grande reportagem também foi publicada à época de sua realização.
 
Nessa edição histórica também é apresentada, para o público de hoje, a versão completa da reportagem, com várias ilustrações e fotos, deixando documentada essa grande viagem.
 
As imagens demonstram momentos de descontração do autor, e também as pessoas que o acompanhavam e que, mais tarde, seriam “personagens” de suas obras, como Manoel Nardy, ou Manuelzão de Corpo de Baile.
 
Dentro dessa edição histórica, há esse documento fundamental para o desenrolar da trajetória literária de Guimarães Rosa.
 
Suas anotações e impressões sobre suas raízes encontraram tradução em sua obra, que marcou a literatura de nosso país.
 
Agora, com o projeto Os Caminhos do Sertão de João Guimarães Rosa, somos convidados a acompanhar o autor nessa viagem e a redescobrir o sertão que, como bem definiu o autor, está em toda parte.
 
 
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