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Pato Donald completa 80 anos e ganha edições especiais

Por André Bernardo
Às vésperas da Copa do Mundo, o Rio de Janeiro está prestes a receber um visitante ilustre: o Pato Donald. Ele e seus inseparáveis sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luisinho, chegarão à Cidade Maravilhosa para assistir aos jogos do Mundial. Esse é o argumento de “Talento Nativo”, HQ escrita pelo dinamarquês Gorm Transgaard e desenhada pelo italiano Massino Fecchi, que inaugura oficialmente as comemorações dos 80 anos do pato mais querido da Disney.
Ela faz parte do nº 2.432 da revista do Pato Donald, que chega às bancas do Brasil e da Europa na segunda semana de junho. “Não conheço nenhum outro personagem, nem mesmo o Mickey Mouse, com tantas HQs publicadas no mundo. Entre tiras, páginas dominicais e histórias produzidas em diversos países, foram publicadas quase 45 mil HQs do Pato Donald até hoje. Isso sem contar o que ainda não foi catalogado!”, afirma Fernando Ventura, roteirista e desenhista da Disney no Brasil.
O aniversário do Donald é celebrado no dia 9 de junho – data de lançamento do curta “A Galinha Sábia” (“The Wise Little Hen”), adaptado por Wilfred Jackson a partir de fábula de Esopo –,mas as comemorações vão durar o segundo semestre inteiro. Até o fim do ano, a Abril promete lançar inúmeras edições especiais: algumas temáticas, como a dedicada ao Halloween; outras de capa dura, que serão vendidas em livrarias. Uma série inédita pretende reunir os clássicos de grandes desenhistas. O primeiro da lista é o italiano Giorgio Cavazzano.
Lançada em julho de 1950, Pato Donald é a revista em quadrinhos mais antiga do Brasil. “Se tudo na Disney começou com um camundongo, tudo na Abril começou com um pato. O Sr. Victor Civita gostava tanto do Donald que proibia os garçons de servirem pato nas festas de fim de ano do Grupo Abril. Tratava o Donald como se fosse da família”, recorda Paulo Maffia, editor das HQs da Disney no Brasil.
 
ADORÁVEL RESMUNGÃO
Em sua primeira aparição no cinema – no curta “A Galinha Sábia”, de 1934 –, Donald já desfilava o jeito preguiçoso e fanfarrão que faria dele uma estrela internacional. Segundo a pesquisadora Ginha Nader, autora do livro A Magia do Império Disney, Donald foi criado a seis mãos por Walt Disney, Dick Lundy e Fred Spencer. “A famosa voz de ‘taquara rachada’ foi encontrada quase por acaso quando Disney escutou, em um programa de rádio, as imitações de Clarence Nash.
 
Carl Barks
Curta A Galinha Sábia
Imediatamente, mandou buscá-lo”, recorda Ginha. No Brasil, o dublador oficial do personagem é Cláudio Galvan. Ele foi aprovado em 1998, após imitar o Pato Donald cantando “Garota de Ipanema” em uma videoconferência com os chefões da Disney, em Los Angeles (EUA). “Volta e meia, alguém pede para eu gravar uma frase com a voz do Pato Donald como toque de celular. Mas isso, infelizmente, eu não posso fazer sem autorização da Disney”, explica Cláudio.
No dia 16 de setembro de 1934, três meses e sete dias depois de debutar no cinema, Donald migrou para os quadrinhos. Desta vez, “A Galinha Sábia” foi roteirizada por Ted Osborne e desenhada por Al Taliaferro. Foi Charles Alfred Taliaferro, aliás, quem criou outros membros da família pato, como os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho, a vovó Donalda e a namorada Margarida. “Antes dela, Donald já havia paquerado uma pata latina, com visual hispânico, chamada Donna, no desenho ‘Dom Donald’, de 1937”, revela o pesquisador Roberto Elísio dos Santos, do Núcleo de Pesquisas de HQs da ECA-USP. Se Al Taliaferro foi o primeiro, Carl Barks foi o maior. Quem garante é Luiz Podavin, um dos mais respeitados desenhistas do Donald no Brasil. “Barks explorava muito bem o temperamento explosivo do pato”, justifica Podavin, que desenhou o pato por mais de 20 anos, de 1986 a 2007, inclusive para outros países, como a Dinamarca.
 
“O HOMEM DOS PATOS”
Barks criou tipos inesquecíveis, como o sovina Patinhas, o sortudo Gastão e o criativo Pardal. E vilões memoráveis, como Maga Patalójika e Irmãos Metralha. A importância dele é tanta que, em 1944, concebeu Patópolis, a cidade-natal de Donald e sua turma. “Desenhar Disney não é fácil. Eles não permitem sequer um fio de cabelo fora do lugar”, garante o desenhista Carlos Edgar Herrero, coautor do Morcego Vermelho.
 
Apesar do estilo trapalhão, briguento e azarado, Donald conquistou uma legião de fãs nos mais de 100 países que publicam seus gibis. Na Itália, atende pelo nome de Paolino Paperino. Na Indonésia, é conhecido como Paja Patak. Na Arábia Saudita, foi batizado de Batuk. “Se o Mickey é o herói perfeito, o Donald representa o cidadão comum. É o cara que dá duro no trabalho para pagar o aluguel e sustentar os sobrinhos. Por mais que nada dê certo para ele, é do tipo que não desiste nunca”, filosofa Paulo Maffia. Vida longa ao Donald!
 
Revista Pato Donald
 
10 CURIOSIDADES SOBRE O PATO DONALD
– Não, Donald não é filho de chocadeira. Segundo o cartunista Don Rosa, que escreveu “A Saga do Tio Patinhas”, em 1992, a partir da obra de Carl Barks, o personagem é filho do casal Quackmore MacDuck, filho da Vovó Donalda, e Hortense Duck, irmã do Tio Patinhas.
– Criado em 1934, Donald Fauntleroy Duck, seu nome de batismo, não ficou muito tempo sozinho. Três anos depois, Al Taliaferro criou os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho. A identidade do pai deles nunca foi revelada. Já a mãe dos garotos é Dumbella, a irmã gêmea do Pato Donald.
– Morador da Rua das Flores, nº 13, Patópolis, Donald tem em sua garagem um American Bantam Roadster 1938, um modelo conversível vermelho, com banco traseiro retrátil. O carango foi apelidado por Carl Barks de Belchfire Runabout 1934 (“Arrota fogo por aí”, em livre tradução). A placa é 313.
– A eterna namorada do Donald, Margarida, deu o ar de sua graça pela primeira vez em 1940, no curta “O Senhor Pato Sai de Casa” (“Mr. Duck Steps Out”). No mesmo ano, ela estreou nas tiras de jornal, pelas mãos de Bob Karp e Al Taliaferro e, três anos depois, nas revistas em quadrinhos, pelas mãos de Carl Barks.
 
O cartunista Don Rosa
– A criação do sortudo Gastão, ganso que disputa o coração de Margarida com o desafortunado Donald, causou uma dor de cabeça extra a Carl Barks. Sua mulher, Margaret Wynnfred Williams, vivia criticando o marido por tê-lo criado, em 1947. O motivo é simples: assim como os leitores, Margaret torcia pelo Donald.
– Ao longo dos anos, Donald exerceu as mais diferentes profissões: de barbeiro a detetive, de guarda a carteiro. Até como repórter do jornal “A Patada” já trabalhou. “Como os patos vivem na água, Disney achou por bem vestir o Donald com uma blusa de marinheiro e um quepe de marujo”, desvenda Ginha Nader.
– A exemplo de Pateta e Peninha, Donald também tem uma versão heroica. Seu alter ego mascarado é o Superpato, criado na Itália, em 8 de junho de 1969, pelo roteirista Guido Martina e o desenhista Giovani Battista Carpi. Logo o Superpato foi publicado em outros países, como França, Alemanha e Dinamarca.
– Um de seus mais famosos curtas é “A Face do Fuhrer” (“Der Fuehrer’s Face”). Nele, Donald trabalha como operário numa fábrica de mísseis da Alemanha durante a Segunda Guerra. Produzido em 1942, o desenho tece duras críticas ao regime nazista de Adolf Hitler. Ganhou o Oscar de melhor curta de animação.
– Em 1971, o escritor chileno Ariel Dorfman e o sociólogo belga Armand Mattelart lançaram Para Ler o Pato Donald. No livro, retratam o Tio Patinhas como imperialista ganancioso e o Donald como proletário submisso. “Os próprios autores consideram esse livro uma cartilha política”, observa Roberto Elísio.
 
– Em 2004, por conta de seu 70º aniversário, Donald ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em Los Angeles (EUA). Na ocasião, ele foi “representado” pelo então presidente da Walt Disney Company, Michael Eisner. Mickey, Minnie e Pluto compareceram à cerimônia.
 
 
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