Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.01.2011 28.01.2011

Parece, mas ‘Um lugar qualquer’ não é ‘Encontros e desencontros 2’

A comparação é óbvia: vencedor do Leão de Ouro no últimoFestival de Veneza, Um lugar qualquer,novo filme de Sofia Coppola, trata de temas semelhantes aos de um de seusfilmes mais famosos, Encontros e desencontros (2003): noanterior como no que estreia nesta sexta-feira, Sofia examina o vazio, o desesperosilencioso de um homem preso a armadilhas da fama, movendo-se em um cenário sem sentido.Antes, o astro veterano vivido por Bill Murray, em Tóquio. Agora, um ator defilmes de ação, na pele de Stephen Dorff. A diferença? Um lugar qualquer não empolga, não emplaca.

Com roteiro original de Sofia, o filme tem suas marcasregistradas: cenas longas, ritmo lento, atenção aos personagens. Mas parece queé justamente aí que a roteirista/diretora parece ter pecado: diferentemente de Encontros edesencontros, em que a química entre os personagens de Murray e ScarlettJohansson não só retomou a carreira do primeiro e catapultou de vez a dasegunda, como garantiu identificação com o público, aqui não rola empatia.

Dorff faz um bom trabalho como o vazio Johnny Marco, astrobonitão que tenta sobreviver ao tédio entre uma festa e outra, pagando porsessões de pole dancing particulares no hotel em que mora etc.  A relação com a filha Cloe (Elle Fanning), deapenas 11 anos, seria uma chance de reunião com a realidade. Mas ele não dáconta. E o vazio desemboca no vazio.

Quando lançou seu último filme (e desjejum cinematográfico)Tetro, que curiosamente (e em certa medida) também trata do modo como a famaafeta relações familiares, Francis Ford Coppola declarou que havia aprendidocom a filha. Talvez seja a hora de Sofia retomar as aulas com o pai e render filmesmais originais, como seu début, Virgenssuicidas (1999), ou seu Maria Antonieta (2006). Na torcida.

Veja abaixo o trailer legendado:

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