Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 26.05.2009 26.05.2009

Paralamas e Legião juntos

Por Bruno Dorigatti
Foto de divulgação

“Foram os Paralamas que abriram o caminho para a gente.” Quem garante a gentileza e a camaradagem é Renato Russo, vocalista e compositor de uma das mais importantes bandas brasileiras do final dos 1980 pra cá, a Legião Urbana. Tudo bem, hoje pode ser insuportável ouvir mais uma da Legião naquelas fatídicas rodas de violão em volta de uma fogueira, mas os caras foram responsáveis – junto com o próprio Paralamas, os Titãs e mais alguns – por dar uma cara ao rock brasileiro feito naqueles anos.

Registro feito para um especial da TV Globo, no finado Teatro Fênix, de 1988, lançado agora em edição especial de DVD e CD, Legião Urbana e Paralamas juntos (EMI) traz de volta ambas as bandas, fresquinhas, no início da carreira, com todo seu potencial ali já revelado. Para além do registro histórico, o especial vale a pena por ótimas interpretações das hoje clássicas “Meu erro”, “Depois que o Ilê passar”, “Alagados”, dos Paralamas, e “Será”, “Tempo perdido”, “Que país é este?”, “Eu sei”, da Legião, e a parceria em “Ainda é cedo”, com citações de “Jumpin’ Jack Flash”, dos Rolling Stones.

Talvez tenha faltado mais músicas tocadas juntos, unindo a “musicalidade do Paralamas com a indignação da Legião”, como aponta Fernando Gabeira em um dos depoimentos que intercalam as músicas. Aliás, curioso o time de depoentes, como o autor de novelas Carlos Lombardi – “Eles fazem música urbana, simples, sem simplificar. Modernos e muito interessantes” –, Bussunda, que sacaneia as bandas falando das letras que ele não entende, Cláudia Abreu, elogiando a sonoridade afro-brasileira e afro-caribenha dos Paralamas, além de Tony Ramos e Stephan Nercessian.

Nos extras, outras pérolas com ambas as bandas mais verdes ainda, no início de carreira, em apresentações no Globo de Ouro entre 1984 e 1987, tocando “Melô do Marinheiro”, “Ska” (Paralamas), “Soldados” e “Tempo perdido” (Legião), além do clipe de “Que país é este?”, de 1987, com cenas das praias cariocas, favelas, o sambódromo, Brasília, lixões, São Paulo, Salvador, Serra Pelada. Registro interessante e importante das origens de duas bandas que marcariam seu lugar na música brasileira. Nestes tempos em que a indústria fonográfica vive momentos esquizofrênicos, lançar material precioso e pouco conhecido de seus arquivos é uma saída, antes que venham a ser apagados, praxe em se tratando da memória cultural brasileira. Como diz o ditado, antes tarde…


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