Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.09.2013 20.09.2013

Para Wagner Moura, personagem de ‘Elysium’ é ‘arriscado’

Por Edu Fernandes
 
Mais ou menos ao mesmo tempo, dois homens com cerca de 30 anos de idade chamaram a atenção do mundo do cinema. Em 2007, Wagner Moura protagonizou Tropa de Elite, um dos filmes brasileiros mais vistos por plateias estrangeiras nos últimos anos. Em 2009, o diretor sul-africano Neill Blomkamp criou uma legião instantânea de fãs devido ao longa Distrito 9.
 
Agora os dois se unem em Elysium, longa que estreia no Brasil em 20 de setembro. A história se passa em 2154, quando os ricos abandonam o planeta em ruínas para viver em uma estação espacial elitista. Na Terra, os pobres sofrem com condições precárias de vida e trabalho.
 
O ator brasileiro estreia em Hollywood na pele de Spider, um “coiote” futurista. Ele leva ilegalmente cidadãos da Terra para a estação espacial e terá um papel fundamental na jornada de Max, protagonista interpretado por Matt Damon (Compramos um Zoológico).
 
“Esse trabalho foi meio arriscado”, disse Wagner em conversa com a imprensa. “Ele não precisava ser daquele jeito, ter aquele vigor. A ideia do Neill era ser mais cerebral, mais ardiloso. Ele ficou assustado com a minha proposta de atuação, mas gostou muito do resultado”.
 

Alice Braga (Na Estrada) já está acostumada a atuar em produções internacionais. Em Elysium, ela vive o par romântico de Max.

 
“A Frey é uma personagem que eu adorei desde a primeira vez que li o roteiro”, afirmou a atriz. “Ela representa muito bem essas jovens maduras das favelas do mundo. Ela amadureceu mais cedo por ser mãe solteira, mas ao mesmo tempo não tem autopiedade”.
 
 
Alice Braga interpreta uma mãe solteira em Elysium
 
Os atores brasileiros contracenaram com outros latinos no set. “Ele não escolheu esse elenco à toa”, atestou Wagner. “Ter atores do Terceiro Mundo era um vontade do diretor, juntar pessoas de lugares onde as diferenças sociais fizessem sentido. Isso traz para o filme alguma verdade”.
 
Elysium usa o cenário futurista para falar de questões pertinentes aos dias de hoje. Segregação social, sistema de saúde falido e cuidados ao meio ambiente são alguns dos temas abordados.
 
“A maneira como Neill gosta de trabalhar é como se fosse atual: a favela e a violência a gente vê hoje”, explicou Alice.
 

“O filme sinaliza para questões que temos de pensar, mas não aponta um destino”, disse Moura. “Gosto quando se propõe uma discussão em filme de entretenimento”.

 
FUTURO POLIGLOTA
 
Recentemente, Alice enfrentou um novo desafio: uma produção, na qual muitas falas são em espanhol. Ela gravou El Ardor na Argentina e contracenou com Gael García Bernal (No). O longa deve ser lançado em 2014 e é um “western na selva”, como define a atriz.
 
Wagner trava alguns diálogos em alemão em Praia do Futuro, coprodução entre Brasil e Alemanha comandada pelo cearense Karim Aïnouz (O Abismo Prateado), programada para 2014.
 
Cena do filme Elysium
 
Ao cogitar outras produções totalmente em terras estrangeiras, o ator é cauteloso. “Fiz esse filme, mas posso demorar para outro. Pode ser daqui a pouco, ou daqui cinco anos”, afirmou. “Tenho possibilidades de outros trabalhos, mas sou muito chato. Para eu fazer um negócio, tenho de achar muito legal. Já estou vendo a hora de esse pessoal se cansar de mim”.
 
Depois de Elysium, o público brasileiro poderá ver Wagner Moura na tela grande em Serra Pelada, longa que deve estrear em 18 de outubro.
 
Mais adiante, ele tem na agenda a missão de interpretar Federico Fellini em Fellini Black and White, mas o projeto foi adiado porque o diretor que estava escalado faleceu. Por isso, antes de fazer o papel de um diretor, Wagner irá de fato assumir a direção. Ele planeja filmar em 2015 a cinebiografia de Carlos Marighella, produzida por ele mesmo.
 
“Pensei em também interpretar o Marighella, mas eu seria muito guloso”, brincou Moura. “Só o Selton [Mello] consegue dar conta disso”.
 
Veja o trailer de Elysium:
 
 
 
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