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Ouro Preto, em Minas Gerais, se prepara para colocar os blocos na rua; saiba mais

Por Natália Martins
Embora o Rio de Janeiro tenha lá a sua tradição em blocos de ruas, é em Ouro Preto, Minas Gerais, que se encontra o bloco mais antigo do Brasil. Só que a cidade mineira só pode ter o bloco mais velho graças, justamente, aos blocos cariocas. Explica-se: um certo português chamado José Nogueira Paredes, que abriu o carnaval no Rio no ano de 1846, mudou-se para a cidade de Ouro Preto em 1876 para trabalhar no Palácio do Governo. No mesmo ano da mudança, Paredes fundou o Zé Pereira dos Lacaios, com funcionários do Palácio do Governo que desfilavam com o figurino de fraques, lanternas e cartolas, tornando-se o tradicional vestuário do bloco, elementos que os quase 60 integrantes da atual banda continuam a vestir até hoje.
 
O bloco sai às ruas com bonecos gigantes, sendo três deles típicos personagens, o Zé Pereira, a baiana e o catitão, todos feitos na década de 60, e tocando as clássicas marchinhas que arrebanham milhares de foliões. É parte da cultura local de Ouro Preto e uma parada obrigatória no carnaval da cidade.
 
Outro tradicional Bloco é o Bandalheira Folclórica Ouropretana (BAFO) que há mais de 20 anos sai pelas ruas da cidade de camisa branca, calça preta, penico na cabeça e um rolo de papel higiênico na cintura, marchando, uma paródia com as bandas militares. Não existe mais que uma pessoa tocando determinado instrumento, além de não haver ensaios antes da apresentação. O bloco, que é difícil de acompanhar por conta do ritmo da caminhada, para em frente ao Corpo de Bombeiros, onde toca para os oficiais.
 
Ainda existem vários outros blocos pelas ruas de Ouro Preto, como o Bloco do Mato, em que todos os foliões saem levando ramos de folhas, e o Bloco da Barra, conhecido pelos homens de verde que sempre saem nele – não que isso seja o critério, afinal, pra sair no bloco é só chegar com a fantasia que preferir e ter ânimo para pular o carnaval. Há ainda o Jesus é Bom à Beça, bloco que leva mensagens religiosas há 15 anos durante a folia, e o Bloco dos Chifrudos, cujo nome engana, já que não tem a ver com traição, sendo apenas uma brincadeira entre amigos para curtir o carnaval e que, embora seja recente, tem tido bastante destaque no carnaval ouropretano.
 
 
O Bloco dos Conspirados sai há 11 anos pelas ruas ouropretanas e consiste em pacientes e médicos dos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) de Ouro Preto, junto com trabalhadores e simpatizantes. Baseado nos carnavais de antigamente, o Bloco promove uma integração entre usuários e não usuários, além de fazer uma campanha contra o uso de drogas e de álcool. Ainda há o Bloco da Diretoria, cuja bateria é famosa, parece que levanta até defunto. E por aí vai, com dezenas de outros blocos carnavalescos pelas ruas da cidade.
 
Para além desses tradicionais blocos, há vários outros feitos pelas repúblicas locais. A diferença é que esses não necessariamente saem às ruas: alguns ficam apenas em um lugar fechado, com entrada de público controlada de acordo com os abadás de cada bloco, e a entrada é paga. Mas a música não passa tanto pelas marchinhas, sendo os ritmos axé, pagode e sertanejo os mais tocados nesses blocos. Já dá pra saber qual o hit do verão que vai bombar por eles.
 
O Bloco dos Conspirados. Crédito Eduardo Tropia
 
Para o carnaval deste ano, os blocos ainda estão organizando seus horários, que devem sair já na próxima semana. Escolha o bloco que mais tem a ver com você e caia na folia.
 
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