Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 11.10.2011 11.10.2011

Os traços da bailarina

Por Felipe Candido
A Ilustradora Robin Preiss Glasser, que deu forma à personagem Fancy Nancy
Eric Van Eyke/Divulgação
 
Robin Preiss Glasser era apenas uma garotinha quando começou a ter aulas de balé clássico, aos sábados de manhã. Ela cresceu, tornou-se uma bailarina, atuou como solista no Ballet da Pensilvânia, no estado norte-americano da Filadélfia, e gravou seu nome no universo da dança.
 
Após alguns anos, porém, Robin teve sua carreira interrompida em razão de uma lesão nas costas.
O mundo perdia uma bailarina, mas ganhava uma grande ilustradora de livros infantis, que com a graça de seu traço soube representar com maestria as aventuras da encantadora personagem criada por Jane O’Connor, Fancy Nancy, da série de livros de mesmo nome, publicados pela editora norte-americana Harpercollins.
 
Na ponta da sapatilha
 
Robin se apaixonou pelo balé quando ainda era criança, e se dedicou a essa carreira durante anos. “Desde a infância, o balé tornou-se minha vida. Comecei a estudar ainda criança com um ex-solista do American Ballet Theater, Tom Adair, e também com uma professora russa, Madame Sade. Aos 15 anos me mudei para Nova York e ingressei no sistema de bolsas de estudo no American Ballet Theater”, conta Robin.
 
A personagem Fancy Nancy, criada pela autora Jane O’Connor, que ganhou os traços de Robin Preiss Glasser
 
Depois de anos como solista no Ballet da Pensilvânia, um imprevisto mudou os rumos de sua carreira. “Eu adorava dançar, viajar com a companhia e viver a vida de uma artista, mas uma lesão nas costas me obrigou a parar de dançar aos 29 anos e, felizmente, eu tinha outra paixão, a ilustração”, conta.
 
Fancy Nancy
 
Na ponta do lápis
 
Os desenhos, assim como o balé, acompanham a trajetória de Robin desde muito cedo. As duas artes até se relacionavam. “Durante as viagens com a companhia de balé, eu desenhava os lugares por onde passávamos, além de alguns esboços de cartazes, figurinos e cenários para espetáculos de dança. Quando parei de dançar, aos 30 anos, fui admitida na Parsons School of Design, em Nova York, para estudar ilustração de livros infantis”, conta Robin, que logo conheceu a autora Jane O’Connor.
 
A autora Jane O’Connor
 
Quando entrou em contato com os originais da série Fancy Nancy, uma lembrança familiar lhe veio à mente. “Quando li pela primeira vez o texto de Jane, com a personagem Nancy sendo tão expressiva, lembrei-me imediatamente de minha sobrinha Jessie, que era muito expansiva e alegre”.
 
Além de Jessie, sua carreira de bailarina influenciou no visual da personagem. “Nancy não usa apenas o rosto para se expressar, mas seu corpo todo demonstra emoção. E como fazia o mesmo quando era bailarina, tive muita facilidade para transferir essa sensação para o desenho. Nancy também gosta de se movimentar como uma bailarina de verdade, andar na ponta dos pés, rodopiar pela sala”.
 
Fancy Nancy
 
Agora Nancy começa a rodopiar fora das páginas dos livros e mostra sua graça em outros lugares, como brinquedos, roupas e até jogos de videogames. E Robin sente-se orgulhosa por ver seu traço em outras mídias. “Pra mim, é um sonho que se torna realidade, ver a personagem em duas, ou três dimensões e se movendo é uma realização”.
 

Para finalizar, Robin manda um recado para os fãs brasileiros. “Queria agradecer a todos que amam Fancy Nancy. Ela é uma parte de mim, e fico muito feliz que a alegria, o humor e a paixão que ela transmite tenham espaço nas estantes e corações dos brasileiros”, finaliza.

 
 
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