Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 07.06.2013 07.06.2013

Os Reis da Comédia: Roberto Santucci

Por Edu Fernandes
 
Atualmente, as maiores bilheterias do cinema brasileiro são obtidas por comédias. No dia 7 de junho estreia mais uma dessas produções.
Odeio o Dia dos Namorados conta a história de Débora (Heloísa Périssé, de O Diário de Tati), uma publicitária bem-sucedida que não acredita em romantismo. Ela terá de reavaliar sua vida depois de reencontrar um ex-namorado (Daniel Boaventura, de Dercy de Verdade) por razões profissionais.
 
Nessa empreitada, terá a ajuda do fantasma de um amigo (Marcelo Saback, de Sob Nova Direção).
No elenco, também estão André Mattos (Muita Calma Nessa Hora), Danielle Winits (Os Normais 2), Daniele Valente (Xuxa em O Mistério de Feiurinha) e MV Bill (Sonhos Roubados).
A chegada de uma comédia nacional às salas de cinema faz pessoas se aglomerarem para comprar ingressos, mas também gera alguns textos negativos por parte dos críticos. Os especialistas fazem algumas acusações contra as chamadas “globochanchadas”.
O diretor Roberto Santucci, que também comandou o set na franquia De Pernas Pro Ar (2010-2012) e em Até que a Sorte Nos Separe (2012), falou ao SaraivaConteúdo sobre as recentes comédias do cinema nacional. Ele respondeu às principais críticas em relação a esse tipo de atração.

Cena do filme Odeio o Dia dos Namorados
AS COMÉDIAS TÊM LINGUAGEM TELEVISIVA
“Por tudo o que eu estudei de cinema e de minha experiência pessoal, só vejo duas possibilidades: ou a televisão que os críticos veem usa linguagem de cinema, ou eles misturam o conceito de linguagem com outras características que esses programas têm. As comédias usam atores de TV, talvez isso justifique as críticas.
A linguagem que eu uso é baseada em tudo o que eu pesquiso em cinema. É lógico que em alguns momentos eu vou precisar do plano/contraplano, mas isso é um recurso consagrado pelo cinema.”
FALTAM CENAS DE SEXO/NUDEZ
“Não existem regras, elas devem ser quebradas. Por que um filme sobre a dona de um sex shop precisa obrigatoriamente ter cenas de sexo? Se um grande diretor fizesse isso em ritmo narrativo lento, com planos longos, os críticos o considerariam genial. Então existe um preconceito por procurarmos um público maior e nos preocuparmos em não incomodar certos tipos de plateia.
O cinema brasileiro ficou marcado pelas pornochanchadas, que banalizaram a nudez, mostrando o corpo de forma gratuita. Agora aprendemos a encontrar a hora certa de mostrar nudez, quando necessária. É por isso que eu fico muito incomodado quando vejo filmes americanos em que as mulheres transam de sutiã. Se eu decidisse que o De Pernas pro Ar teria cenas de sexo, a proposta do filme teria de ser totalmente diferente. O roteiro não pedia isso.”

Cena do filme de Pernas pro Ar 2
OS ROTEIROS SÃO MORALISTAS
“O que enxergo é que os críticos querem filmes com temas mais ousados, em que as mulheres encontram a felicidade fora do casamento, por exemplo. Também sou a favor desse tipo de produção.
No núcleo em que trabalho, temos três objetivos: responder à demanda do mercado, trazer novos assuntos e conseguir fazer um filme autoral. No momento, nem todos os objetivos são possíveis. Eu aceito convites de fazer filmes com ideias que não partem de mim porque quero viver de cinema e aprender com isso. Mesmo assim, encontro formar de trazer o filme para mim.”
AS COMÉDIAS TIRAM ESPAÇO DE FILMES DE OUTROS GÊNEROS, EM EDITAIS E NO CIRCUITO
“Isso é puro medo e ignorância por parte da concorrência. É coisa de gente acostumada a ser protegida por editais. Eu já fiz filmes de ação e de ficção científica e nunca fui contemplado em editais, mesmo quando ganhava prêmios. O Minc patrocina centenas de filmes por ano, e imagino que nem 10% deles sejam comédias para o grande público.
É um discurso que eu não entendo. Querem botar esses filmes em cartaz pela força, mesmo para ter salas vazias. Nada contra filmes de nicho, mas eles precisam encontrar seu público, e não empurrar para outras pessoas. Um exemplo positivo disso é O Som ao Redor.”
O CICLO DE COMÉDIAS SE ESGOTARÁ NO FUTURO
“O que aconteceu é que as últimas comédias fizeram bilheterias expressivas e geraram uma vontade de fazer outras comédias de sucesso. Assim, cineastas e produtores que nunca fizeram comédia se envolveram no gênero. Este ano o número de estreias nacionais de comédia está incrível, mas isso vai passar.
Aí vai chegar outro gênero, e as pessoas vão migrar. Eu mesmo não aguento ver só comédia. Isso é um boom passageiro, mas as comédias vão continuar a existir depois, só que em menor número. Temos grandes comediantes no Brasil que sempre farão grandes filmes, se tiverem boas histórias com boas piadas.”
 
Veja o trailer de Odeio o Dia dos Namorados:
 

 
 
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