Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 13.08.2012 13.08.2012

Os novos autores best-sellers de romances policiais

Por Andréia Silva
 
Um crime com falsos suspeitos. Ameaças anônimas e jogos perigosos. Uma trama que envolve uma complexa rede de intrigas e reviravoltas. O gênero policial, que tem entre seus cânones autores como Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Edgard Allan Poe, Scott Turow, James Ellroy e Nicholas Blake, tem dois aspirantes ao rol de grandes nomes do romance policial da atualidade: o norte-americano Gregg Hurwitz e a sueca Camila Lackberg.
Gregg sempre quis ser escritor, especificamente de crimes. Já Camila tentou primeiro seguir a carreira de economista, mas tudo mudou quando participou de uma oficina de escrita criativa. Hoje, os dois estão na casa dos 30 e poucos anos e são considerados os grandes nomes entre jovens autores de romances policiais. Ele é comparado ao americano Harlan Coben, e ela, chamada de a Agatha Christie sueca.
Além da idade e do reconhecimento em comum, os dois lançaram recentemente no Brasil os livros Você está sendo Vigiado (primeiro trabalho de Gregg traduzido para o português) e O Estranho (quarta obra de Camila a ser lançada no Brasil, em português). Mas as semelhanças entre eles terminam aí.
Gregg é um autor que traz algumas peculiaridades. Formou-se na conceituada Universidade de Harvard e virou um especialista em Shakespeare, escreveu suas primeiras histórias de mistério na terceira série, já foi roteirista de programas de TV e hoje se divide entre as ficções e um dos mais cobiçados empregos do mundo: escrever histórias para personagens dos quadrinhos.
“Esse é o trabalho que eu queria desde os meus 8 anos de idade”, disse Hurwitz ao site da DC ao comentar a sua escolha. Ele foi escalado para criar a trama de Batman – The Dark Night, lançada em junho passado nos EUA.
 
HQ do Justiceiro, escrita por Gregg Hurwitz e com arte de Laurence Campbell
Antes, ele já tinha sido responsável pela repaginação do Pinguim, o vilão que ganhou uma série de sua autoria, também para a DC, além de ter escrito para os personagens Wolverine e Justiceiro.
 
Seu grande boom aconteceu com a publicação da série de quatro livros sobre as aventuras do delegado Tim Rackley, nenhum traduzido no Brasil ainda: The Kill Clause (2004), The Program (2005), Troubleshooter (2006) e Last Shot (2006). Cinco anos depois, em 2011, o autor explodiu com a obra You’re Next.
 
O livro que chega ao Brasil foi lançado originalmente em 2010 e conta a história de Patrick Davis, um homem até certo ponto comum que sonhava em ver seu nome em um crédito de filme. Ele consegue, mas, ao mesmo tempo, vê sua vida virar de cabeça para baixo.
 

E como circular entre os universos dos quadrinhos, literatura e TV já parece ser algo normal na vida de Hurwitz, ele hoje, aos 36 anos, está trabalhando em parceria com Shawn Ryan, criador e roteirista da série The Shield, para levar Tim Rackley para a televisão. O roteiro está em fase de produção.

O próximo passo do escritor é a telona. Você Está Sendo Vigiado já teve os direitos de adaptação para o cinema vendidos aos produtores de James Bond.
NA SUÉCIA, A TRADIÇÃO CONTINUA
 
A escritora sueca Camila Lackberg
Ao contrário de suas histórias, não há muito mistério sobre o motivo do sucesso da escandinava Camila Lackberg no gênero policial: tramas excitantes, misteriosas e, como bem traduziu um crítico do Washington Post, que arruínam as suas férias – segundo ele, você fica tão vidrado na narrativa que não consegue largar o livro.
 
O êxito da autora segue os passos e mantém uma tradição que vem dos anos 60: a de escritores suecos que são mestres em histórias de crimes, como Henning Mankell, Jan Guillou e Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium, só para citar alguns.
 

Ao todo, são 11 livros na bagagem, dos quais quatro foram traduzidos e lançados no Brasil pela editora Planeta: A Princesa de Gelo (2010), Gritos do Passado (2011), O Cortador de Pedras (2011) e o mais recente O Estranho, história que gira em torno de uma morte suspeita em meio à gravação de um reality-show. Além do tom misterioso e da carga psicológica, outro detalhe une as obras: todas as tramas têm como cenário a gélida e pacata cidade de Fjällbacka, onde a autora cresceu.

 
Considerada o maior nome feminino do gênero na atualidade, ela diz que não tem receita para escrever sobre crimes. No entanto, para os interessados, a autora criou um canal em seu site chamado “escola do crime”, voltado para a literatura, claro, onde dá conselhos para os aspirantes a escritores de romances policiais.
"Infelizmente, não tenho dicas milagrosas. O mais importante é sentar e escrever. Um sábio disse certa vez que escrever é 1% inspiração e 99% transpiração, e, pessoalmente, posso dizer que é a verdade".
 
 
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