Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 24.01.2013 24.01.2013

‘Os Miseráveis’ é o mais novo clássico da literatura a virar musical de cinema

Por Luma Pereira
 
Cantar em vez de dizer as falas. No meio da trama, os atores passam a interpretar as cenas por meio de canções. Assim são os musicais, famosos nos palcos do teatro e que também invadiram as salas de cinema. Mas as histórias encenadas podem não ser tão inéditas assim – muitos clássicos da literatura têm sido adaptados nesse formato.
 
No dia 1º de fevereiro de 2013,estreia nos cinemas Os Miseráveis, adaptação do musical da Broadway, que entrou em cartaz em 1987 e também é baseado no clássico homônimodo escritor francês Victor Hugo, publicado em 1872. Com direção de Tom Hooper (O Discurso do Rei), o elenco conta com artistas como Hugh Jackman, Anne Hattaway e Russell Crowe. Já a trilha sonora ficou por conta de Claude-Michel Schönberg.
 
Mas esse não é o único clássico da literatura a ter uma adaptação no formato com músicas.O Mágico de Oz (Fleming, 1939), Minha Bela Dama (Cukor, 1964), Cabaret (Fosse, 1972) e O Fantasma da Ópera (Schumacher, 2005) são outras obras que conquistaram seu espaço no cinema como musicais.
 
O Mágico de Oz
 
Uma terra desconhecida com espantalho falante, leão covarde e homem de lata. Estamos falando de O Mágico de Oz, escrito por L. Frank Baum e publicado no ano de 1900. Quando um ciclone leva Dorothy e o cão Toto para o mundo de fantasia chamado Oz, tem início esse clássico dos contos de fadas modernos.
 
O Mágico de Oz
 
Mas essa história não ficou restrita às páginas dos livros. Ganhou as telonas em 1939, com direção de Victor Fleming (…E o Vento Levou),e venceu o Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. “O filme tornou-se um marco por todo o cuidado técnico e composição daquele mundo mágico. Foi um dos primeiros filmes coloridos da história, e soube usar a cor de uma forma incrível”, comenta Amanda Aouad, crítica de cinema do CinePipocaCult.
 
As músicas foram gravadas em estúdio, e a maioria delas é de autoria de Harold Arlen. A atriz Judy Garland, como Dorothy, interpreta “Over The Rainbow”, composição mais famosa do filme. “A música se encaixa perfeitamente com o sentimento e trajetória da personagem: uma garota cansada daquela monotonia do Kansas. A canção tem melancolia e esperança ao mesmo tempo”, diz Amanda. 
 
My Fair Lady
 
Audrey Hepburn é Eliza Doolittle, uma vendedora de flores que não sabe ler nem escrever. Certo dia, encontra Henry Higgins (Rex Harrison), um professor de fonética que aposta com o amigo Hugh Pickering (Wilfrid Hyde-White) conseguir transformar a moça numa dama da alta sociedade de Londres, no período de apenas seis meses.
 
My Fair Lady
 
Esse é o mote de My Fair Lady (Minha Bela Dama), musical dirigido por George Cukor (A Dama das Camélias), em 1964. Baseado na peça teatral de 1913, Pigmaleão, escrita por George Bernard Shaw, venceu o Oscar em oito categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora.Antes de ir para as telonas, a peça foi adaptada para o teatro e ficou em cartaz na Broadway. “My Fair Lady foi sucesso absoluto nos palcos, e Hollywood apenas aproveitou para levá-lo ao cinema”, conta Amanda.
 
Mas Julie Andrews, que interpretou Eliza Doolittle no teatro, não foi convidada a viver a protagonista nas telonas. Como a atriz era desconhecida, optaram por dar o papel à famosa Audrey Hepburn e facilitar a bilheteria. Ela, porém, não tinha potencial vocal para as canções e teve que ser dublada por Marni Nixon. “Na música mais famosa do filme, ‘I could have danced all night’, ainda que dublada, Audrey dá um show de interpretação”, completa a crítica de cinema. 
 
Cabaret
 
Sally Bowles, interpretada por Liza Minnelli, é uma cantora e dançarina que vive na Berlim da época do Nazismo. Dirigido por Bob Fosse, em 1972,Cabaret é baseado na peça teatral de John Van Druten, I Am a Camera, em cartaz na Broadway em 1951. Esta, por sua vez, foi inspirada pelo livro de Christopher Isherwood: Goodbye to Berlin.
 
Cabaret
 
Com trilha sonora de autoria de John Kander e Fred Ebb, venceu o Oscar em oito categorias, incluindo a de Melhor Trilha Sonora. Amanda destaca três títulos entre as canções: “Mein Herr”, “Life is a Cabaret” e “Money, Money”. “A trilha traduz um pouco o clima da Alemanha pré-nazista, dos sonhos dos artistas, do capitalismo e da vida naquele cabaré”, comenta ela.
 
Cabaret é um símbolo entre musicais e já foi imitado, homenageado e repetido em diversas outras obras, inclusive na recente Burlesque (Antin, 2010), que tem coreografias e enquadramentos que são quase cópias do clássico de 1972”, completa a crítica do CinePipocaCult.
 
O Fantasma da Ópera
 
Logo que a introdução instrumental da canção começa, vêm os conhecidos versos: “The Phantom of the Opera is there/Inside your mind”. Essa é a música-tema de O Fantasma da Ópera, musical dirigido por Joel Schumacher (O Número 23), em 2005. O filme é baseado na obra homônima do escritor francês Gaston Leroux, publicada em 1911.“Foi uma adaptação corajosa, com uma linguagem muito próxima do espetáculo musical que até hoje é sucesso absoluto em Londres e na Broadway”, diz Amanda.
 
O Fantasma da Ópera
 
O elenco conta com artistas como Gerard Butler como “Fantasma” e Emmy Rossum como Christine Daaé. As canções são de autoria de Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe, e a música-tema teve colaboração de Mike Batt.“A força do musical está nas músicas do compositor, muitas delas inesquecíveis, como ‘Think of Me’, ‘Angel of Music’, ‘The Music of the Night’ e as duas mais conhecidas: ‘The Phantom of the Opera’ e ‘All I Ask of You’”, comenta a crítica de cinema.
 
“Learn To Be Lonely”, feita para concorrer ao Oscar, foi indicada na categoria de Melhor Canção Original, mas não levou o prêmio. “É bonita, mas fica meio que descolada no filme, já que as canções originais da peça já compõem a história de uma forma tão harmônica”, comenta Amanda.
 
 
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