Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 10.12.2013 10.12.2013

Os livros (e não guias) de viagem

Por Thaís Ferreira
 
Aos 16 anos, Michelli Provensi participou de um concurso de modelos e chamou atenção de uma agência de São Paulo. Então, ela deixou a cidade de Maravilha, em Santa Catarina, para começar sua carreira na capital paulista.
Os próximos passos foram nas passarelas do mundo: Tóquio, Paris, Milão, Nova York, Londres, Cingapura, Barcelona e Hamburgo. Durante esses anos de vida nômade, ela morou em 127 cidades diferentes e acumulou boas histórias.  
As experiências foram compiladas em Preciso Rodar o Mundo. O título, recém-lançado pela editora Livros de Safra, mostra os detalhes dos bastidores da moda e dos lugares onde a modelo viveu durante sua trajetória profissional. 
“Desde a época da escola, eu gostava de escrever e queria reunir as histórias dos meus dez anos de viagens. Tive a ideia de escrever o livro há dois anos. Queria mostrar que a carreira de modelo não tem o glamour que as pessoas pensam e que a maioria das meninas não fica rica na profissão. A minha motivação inicial para seguir a carreira foi porque eu queria conhecer o mundo”, afirma.
A obra de Michelli não é um guia de viagem, mas é sim uma ótima forma de conhecer o mundo pela visão de quem já habitou os quatro cantos do planeta. Conheça a seguir outros livros de viajantes que mostram suas visões particulares do mundo.
 
Capa do livro

O FOTÓGRAFO E OS QUARTOS

O cotidiano do fotógrafo J. R. Duran é viajar. De coração brasileiro, o catalão é um dos profissionais mais requisitados para editoriais de moda e campanhas publicitárias internacionais.
Durante essa rotina, ele criou o hábito de carregar um caderno onde anota detalhes do trajeto e pinta os quartos de hotéis em que se hospeda. O resultado é o livro Cadernos de Viagem, publicado pela editora Benvirá.
Nas 344 páginas, Duran mostra seu talento como ilustrador e as curiosidades sobre 54 suítes ao redor do globo. Os destinos são os mais variados: de Itu, em São Paulo, passando por Luis Correia, no norte do Piauí, até a Eritreia, no leste do continente africano. 
A obra é quase um diário e reproduz não só as aquarelas, mas também anotações pessoais, proporcionando uma oportunidade de acompanhar a visão particular do fotógrafo.
 
As aquarelas de J.R. Duran

O JORNALISTA E AS PLACAS

José Eduardo Camargo também tem uma profissão que o leva a viver na estrada. Ele é jornalista do Guia Quatro Rodas e atravessa as cinco regiões brasileiras para avaliar hotéis, estradas, atrações turísticas e restaurantes.
Durante sete anos de andanças pelo país, ele percorreu mais de 200 mil quilômetros e começou a fotografar as placas inusitadas que encontrava pelo caminho.
O passatempo, que começou como uma brincadeira, se transformou em um material interessante que já rendeu dois livros: O Brasil das Placas: Viagem por um País ao Pé da Letra e No País das Placas Malucas, ambos da Panda Books. Os letreiros ao longo do caminho revelam as diferenças culturais e retratam os diferentes empregos da língua portuguesa. 
 
O jornalista José Eduardo Camargo encontrou placas durante as viagens
Frases inusitadas como "Depressão a 200 m", “Doce de Cocô” e "Família muda vende tudo" fazem parte da compilação que abrange placas espalhadas por 72 cidades de 17 estados brasileiros. As imagens são acompanhadas por legendas em forma de cordel feitas pelo escritor L. Soares. 
O VELEJADOR E O MAR
Lançado em 2000 pela Companhia das Letras, Mar Sem Fim é o diário de bordo do comandante Amyr Klink durante sua viagem de circunavegação pela Antártida. O relato mostra como foram os 141 dias dessa perigosa aventura no mar.
Um dos trechos tornou-se uma referência para viajantes. “Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu, para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto, sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto”.
 
O navegador Amyr Klink

A JOGADORA E A BOLA

Uma mesma paixão que une diferentes nações. Essa é a proposta do livro Pelada – Uma Volta ao Mundo Pelo Prazer de Jogar Futebol, da editora Zahar. A obra foi escrita por Gwendolyn Oxenham, ex-jogadora de futebol e mestre em escrita criativa pela Universidade de Notre Dame, que atuou profissionalmente no Santos Futebol Clube em 2005.
Durante três anos, a norte-americana percorreu 25 países atrás de boas histórias sobre o esporte mais popular do mundo. Longe dos holofotes dos profissionais, ela disputou partidas com personagens interessantes nos mais diferentes destinos: cervejeiros ilegais no Quênia, prisioneiros na Bolívia e operários na África do Sul, além de ter sido impedida de jogar com os homens no Irã.
 
A viagem também gerou um documentário homônimo ao livro. Confira o trailer:
 
 
 
Recomendamos para você