Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 18.01.2013 18.01.2013

Os libertadores de Spielberg: como Lincoln se parece com Schindler

Por Edu Fernandes
 
Um dos diretores mais populares de Hollywood, Steven Spielberg tem uma cinematografia eclética. Por suas mãos já passaram filmes históricos e fantasiosos, aventuras para o público jovem e dramas para plateias mais maduras, comédias e romances. Mesmo comandando roteiros com histórias tão diversificadas, seus filmes trazem pontos em comum.
Seu trabalho mais recente é Lincoln, sobre as artimanhas que o presidente dos Estados Unidos teve de bolar para conseguir a aprovação da lei que acabaria com a escravidão. O filme entra em cartaz no Brasil a partir do dia 18 de janeiro, com pré-estreias.
 
A escravidão não é um tema inédito a Spielberg: ele já retratou os dramas de um navio negreiro em Amistad (1997). Todavia, a obra do diretor que mais se parece com seu novo filme é A Lista de Schindler (1993). Ambos os enredos narram a jornada de um homem para salvar um povo oprimido, sejam os escravos da América do século XIX ou os judeus da Europa em guerra dos anos 1940.
 
Em suas empreitadas, os dois protagonistas contam com a ajuda de um fiel escudeiro. O presidente é defendido pelo Secretário de Estado William Seward (David Strathairn, de A Informante), enquanto o empresário tem um empregado (Ben Kingsley, de Ilha do Medo), que muitas vezes serve como confidente.
Para além da sinopse, há mais semelhanças. As duas produções demoraram anos para se concretizar. Se os trâmites tivessem seguido o curso esperado para Lincoln, os dois longas partilhariam de mais uma similaridade.
 
Cena do filme A Lista de Schindler
 
O papel-título deveria ser vivido por Liam Neeson (A Perseguição), indicado ao Oscar por sua atuação como Schindler. O ator norte-irlandês achou que passou da idade para representar o presidente norte-americano e saiu do projeto. Foi aí que Spielberg convidou Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) para protagonizar. Depois de ganhar o Globo de Ouro, Lewis é o franco favorito ao Oscar.
 
Foram necessários muitos anos de pesquisa para concluir o roteiro da mais recente direção de Steven. No caso de A Lista de Schindler, a demora se deu porque o diretor não se sentia maduro o suficiente para realizar o filme em 1983. No começo dos anos 1990, Spielberg achou que já conseguiria contar a história do empresário que retirava judeus dos campos de concentração na Segunda Guerra Mundial. Os produtores atrasaram um pouco mais os planos e determinaram que, antes, o diretor tinha de fazer Jurassic Park (1993), pois previam que ele ficaria exaurido com o drama de guerra.
 
Com pesquisas em livros de documentos, o roteiro de Lincoln busca autenticidade. Para esse trabalho transparecer no set de filmagens, Steven vestia roupas de época e só se referia aos atores pelos nomes dos personagens. Em A Lista de Schindler, o depoimento de sobreviventes do Holocausto foi fonte de dados concretos. Por essa razão, a cena do despejo dos judeus foi dilatada. O plano era a sequência ser bem curta, mas acabou com vinte minutos para incorporar histórias que Spielberg tinha coletado.
 
Uma marca em vários filmes de Spielberg é a abordagem do tema da paternidade, evidente em Hook – A Volta do Capitão Gancho (1991). Esse assunto é tocado tanto em Lincoln quanto em A Lista de Schindler. Por diversas vezes, Abraham Lincoln não consegue lidar com seus filhos, especialmente Robert (Joseph Gordon-Levitt, de 500 Dias com Ela). Já Oskar Schindler confessa para sua mulher que não se sente capaz de construir uma família.
 
Lincoln conversa com seu filho
 
Como esses filmes tratam de pessoas reais, quando o público começa a vê-los, está ciente de que os protagonistas estão mortos. Isso poderia condenar o final feliz, algo que Spielberg busca colocar em todas as suas fitas. A manobra é usar os legados positivos dos dois casos.
O que resta saber nessa lista de coincidências será revelado na entrega do Oscar. A Lista de Schindler foi indicado a onze estatuetas e conquistou sete delas. Lincoln tem vantagem na largada, com doze indicações. Portanto, os ares são favoráveis à produção mais recente.
 
Veja o trailer de Lincoln:
 

 
 
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