Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 27.02.2013 27.02.2013

Os dois lados da moeda: quando atores interpretam diretores

Por Edu Fernandes
 
A relação entre atores e diretores é tema de estudo de muita gente. Uma mistura tão complexa é um prato cheio para inspiração dramática. Por essa razão, alguns filmes exploram os conflitos que ocorrem em um set de gravações.
O mais recente exemplo desse tipo de narrativa pode ser encontrado em Hitchcock, filme que entra em cartaz no Brasil em 1º de março. A produção conta as dificuldades encontradas pelo mestre do suspense para levar às telas Psicose (1960).
No longa, Alfred Hitchcock é interpretado por Anthony Hopkins (360), e o foco do roteiro é a parceria do cineasta com sua esposa, Alma Reville (Helen Mirren, de Arthur – O Milionário Irresistível). “Hitch” é apresentado como um personagem cheio de emoções: sente orgulho de sua obra, ciúmes de Alma, compulsão por comida, vontade de beber escondido… Todos esses sentimentos são usados para dar graça e leveza enquanto se narra a concepção de um dos filmes mais assustadores da história.
Apesar de diretores de cinema serem bons personagens dramáticos, ainda existem poucas cinebiografias para eles. Isso se deve ao fato de que os cineastas só se tornaram figuras conhecidas do público em meados do século XX – Hitchcock foi um dos pioneiros.
 
Robert Downey Jr. em cena do filme Chaplin

Entre as raras cinebiografias destaca-se Chaplin (1992), em que o ícone cinematográfico é vivido por Robert Downey Jr. (Os Vingadores). A produção presta um tributo ao diretor dos primórdios do cinema, com aspectos de sua vida pessoal e do processo de trabalho em equilíbrio.

Para se preparar para o papel-título, Downey Jr. assistiu a todos os filmes de Chaplin. O ator declarou que a experiência foi assustadora. Felizmente o resultado foi triunfante, com Robert indicado ao Oscar.
 
Johnny Depp (esq.) em cena do filme Ed Wood

Outra cinebiografia é Ed Wood (1994), a segunda colaboração entre o diretor Tim Burton e o ator Johnny Depp (Sombras da Noite). O protagonista é tido como o pior cineasta de todos os tempos, com realizações como A Noiva do Monstro (1955) e Plano 9 do Espaço Sideral (1959). Por isso, a maior parte do roteiro se passa nos anos 1950.

O longa é em preto e branco, como a filmografia de Wood. O enredo concentra-se nas peculiaridades do cineasta e sua amizade com um decadente Bela Lugosi (Martin Landau, de Cidade das Sombras).
 
Kenneth Branagh em cena de Sete Dias com Marilyn
Assim como Hitchcock, outros títulos apresentam os acontecimentos durante a realização de um determinado filme. Um desses casos é o longa Sete Dias com Marilyn (2011), no qual a conturbada relação entre o diretor Laurence Olivier (Kenneth Branagh, de Operação Valquíria) e Marilyn Monroe (Michelle Williams, de Namorados para Sempre) é motivo de muita discussão no estúdio.
O curioso na escalação de Branagh para viver Olivier é que ambos são respeitados atores e diretores, conhecidos por levarem peças de Shakespeare para o cinema.
 
John Malkovich (esq.) em cena do filme A Sombra do Vampiro
A Sombra do Vampiro (2000) é outro caso em que a ação se passa no set de um filme específico, mas nele a realidade ganha traços de fantasia. O roteiro conta as gravações de Nosferatu (1922), mas joga com a ideia de que Max Schreck, ator que vive o vilão, é um vampiro de verdade.
O cineasta F. W. Murnau é vivido por John Malkovich (Transformers: O Lado Oculto da Lua), mas o destaque fica para Willem Dafoe (Anticristo), para quem o papel de Max foi escrito. Sua performance agradou tanto que os produtores de Homem-Aranha (2002) o chamaram para viver o Duende Verde depois de verem A Sombra do Vampiro.
 
Bem Kingsley em cena do filme A Invenção de Hugo Cabret
Em A Invenção de Hugo Cabret (2011), novamente aspectos da realidade são usados como inspiração para uma história fictícia. A adaptação do romance de Brian Selznick mostra a relação do órfão Hugo (Asa Butterfield, de Nanny McPhee e as Lições Mágicas) com Georges Méliès (Ben Kingsley, de O Ditador), ex-cineasta que mantém uma oficina de brinquedos nos anos 1930. Na vida real, Méliès realmente passou os últimos anos de sua vida no anonimato.
O diretor Martin Scorsese (Ilha do Medo) usa elementos dos primórdios do cinema em A Invenção de Hugo Cabret. Tomadas estilizadas e até a encenação da invasão do trem dos irmãos Lumiére remetem os cinéfilos aos primeiros anos da sétima arte.
 
Veja o trailer de Hitchcock:
 

 
 
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