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Os contos de fadas em nossas vidas

Por Edu Fernandes
 
Faz muito tempo que os contos de fadas não pertencem apenas aos livros e animações para o público infantil. Hoje em dia há vários filmes e seriados que usam ingredientes desse tipo de narrativa para contar histórias para o público adulto.
Um desses casos é o longa francês Além do Arco-Íris, que teve pré-estreias durante o feriado prolongado de Corpus Christi e entra em cartaz comercialmente a partir do dia 7 de junho.
O filme acompanha Laura (Agathe Bonitzer, de Uma Garrafa no Mar de Gaza), uma jovem que aos 24 anos de idade espera pelo Príncipe Encantado. Em uma festa ela conhece Sandro (Arthur Dupont, de Os Sabores do Palácio) e o rapaz parece ser um forte candidato a realiza os sonhos românticos de Laura.
Apesar de se passar nos dias de hoje, a fita traz um visual estilizado em algumas cenas, para aproximar as paisagens urbanas de ilustrações de livros de contos de fada. Além do visual, o roteiro brinca com temas que corriqueiramente são abordados nesse gênero literário.
A produção é dirigida por Agnès Jaoui (Questão de Imagem), que também faz parte do elenco no papel de uma mulher que tem medo de dirigir. Ela tem algumas aulas com o supersticioso Pierre (Jean-Pierre Bacri, de Enquanto o Sol não Vem), pai de Sandro.
A cineasta esteve no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês para promover Além do Arco-Íris. Na ocasião, ela concedeu entrevista ao SaraivaConteúdo.
De onde veio a ideia para esse conto de fadas moderno?
Agnès. Veio de um conflito interno que eu tinha. Meus pais são feministas e sempre me ensinaram esses valores, mas eu continuava esperando pelo Príncipe Encantado. Então quis achar uma fora de conciliar o feminismo com o romantismo.
 
Casal de protagonistas de Além do Arco-Íris
No filme, as crenças funcionam ao mesmo tempo como motivadoras e freios. Como é trabalhada essa dualidade no roteiro de Além do Arco-Íris?
Agnès. Primeiramente precisamos ver o que ainda fica na nossa sociedade que se compara à mitologia dos contos de fada. As crenças vêm do medo do fim do mundo e da morte, e isso se aplica nos dois casos. É com esses valores que jogamos com elementos dos contos no enredo: a princesa, o labo, o amor, o medo de envelhecer, as superstições…
Em Além do Arco-Íris, você é uma das atrizes em cena, além de dirigir. Como você se posiciona diante seus colegas de elenco?
Agnès. Sou muito mais uma companheira do que uma líder. É importante manter atmosfera de confiança no set. Eu fiz com os outros atores o que eu gosto que os diretores façam comigo. E quando estou atuando é fácil, porque têm outras pessoas ao meu lado para ajudar.
Como você chegou à assinatura visual do filme?
Agnès. Para o trabalho de câmera, vi vários filmes baseados em contos de fada e a obra de cineastas que lidam com o fantástico, como Tim Burton. Aí buscamos formas de fazer essa atmosfera de conto em momentos cotidianos. Em Paris, pela beleza da cidade, foi relativamente fácil conseguir o que queríamos. Depois, trabalhamos muito a imagem em pós-produção para ter o resultado final que imaginei.
O trailer do filme pode ser visto aqui.
 
 
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