Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 21.02.2014 21.02.2014

Os 30 anos do Sambódromo da Marquês de Sapucaí

Por Fernanda Oliveira
 
Neste ano, o famoso Sambódromo da Marquês de Sapucaí – que hoje tem como nome oficial Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro, em homenagem ao antropólogo que foi seu principal idealizador – comemora 30 anos. Com projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o local abriga uma das maiores e mais representativas festas do carnaval brasileiro: o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. E com tantos anos, história é o que não falta!
 
De acordo com Maria Laura Cavalcanti, antropóloga, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro Carnaval Carioca: dos Bastidores ao Desfile, publicado pela Editora UFRJ (2006), a Passarela do Samba é basicamente um conjunto de arquibancadas que ladeia a Avenida Marquês de Sapucaí. Ela termina numa área circular denominada Praça da Apoteose, onde há uma grande escultura em concreto armado também de Niemeyer.
 
A estrutura construída passou a receber oficialmente o desfile das agremiações cariocas em 1984. "Antes disso – desde os anos 1930 -, as escolas de samba desfilavam em muitos locais e vias do centro da cidade, como Praça Onze, Avenida Rio Branco, Avenida Presidente Vargas, entre outras", conta a docente, acrescentando que o desfile surgiu justamente nos anos 1930, sendo realizado por sociedades e ranchos carnavalescos.
 
E completa: "As escolas de samba sediadas em morros e áreas periféricas do Rio de Janeiro, com forte presença das tradições afro-brasileiras, foram aos poucos ocupando o centro das atenções carnavalescas com seu desfile festivo em ruas importantes da cidade. Então, nos anos 1950, a forma de desfilar conhecida hoje se fixou".
 
Com o passar do tempo, o carnaval foi se estruturando, e na década de 1960 surgiu a necessidade de montar arquibancadas para o público acompanhar a festa; com isso, passou-se a cobrar ingressos. "Entretanto, nenhum recurso voltava para as escolas. Todo dinheiro acabava consumido no 'monta e desmonta' das arquibancadas com o pagamento das empreiteiras".
 
Então, a partir dos anos 1970, os sambistas passaram a reivindicar um espaço definitivo. "A construção da Passarela do Samba em 1984 é um marco", destaca Maria Laura, contando que o primeiro desfile foi tão concorrido quanto os mais recentes. Em 2011, foi até necessária uma reforma para a inserção de mais arquibancadas. Assim, o Sambódromo foi reinaugurado em 2012, com a capacidade de receber 72.500 pessoas . 
 
Nesses 30 anos, tem-se notado uma constante evolução, o que tornou a festa na Sapucaí um evento mundialmente conhecido. Segundo a professora, no mesmo ano da construção da Passarela do Samba, foi criada a Liga Independente das Escolas de Samba. Com isso, as maiores agremiações passaram a participar de uma verdadeira competição, que conta com o apoio do governo e patrocínios, garantindo, assim, recursos para a realização de espetáculos de "tirar o fôlego".
 
                                                                                                                                                                    Divulgação-Riotur
O Sambódromo da Marquês de Sapucaí tem projeto assinado por Oscar Niemeyer
 
Maria Laura detalha que as escolas de samba fazem a narração de um enredo através da linguagem plástica e visual (das alegorias e fantasias) e rítmico-musical (da bateria e do samba-enredo). "A partir dessa base, elas estão sempre buscando inovar por conta do caráter competitivo do desfile", explica. Em razão disso, com os anos, elas vão agregando novos recursos, que têm garantido momentos marcantes no Sambódromo.
 
A docente lembra, por exemplo, da inclusão da batida funk no samba-enredo de 1997 da Viradouro. "O mestre Jorjão introduziu uma batida de funk no meio do ritmo da bateria que foi sensacional. Os puristas não apreciaram, mas aquilo era como uma indagação sonora sobre o futuro das escolas". Ainda vale citar as inovações, inclusive tecnológicas, nas coreografias das comissões de frente; a harmonia e elegância dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, etc.
 
Também é fundamental ressaltar a importância dos carnavalescos – artistas responsáveis pela concepção estética de um enredo – para garantir a grandiosidade do desfile na Sapucaí. "As criações de Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Renato e Márcia Lage, Paulo Barros e de tantos outros vão ficar para a história do carnaval, das escolas de samba e da arte popular, e mesmo da arte sem qualquer adjetivo, de modo amplo", diz a antropóloga e professora.
 
Com o trabalho deles, ao longo de 30 anos, muitos desfiles se tornaram inesquecíveis. Maria Laura lista alguns dos mais marcantes a partir do seu ponto de vista. "Posso lembrar de muitos. Em 1985, o 'Ziriguidum 2001, Carnaval nas Estrelas', da Mocidade Independente de Padre Miguel, arrasou; e o 'Kizomba, Festa da Raça', da Vila Isabel, em 1988, surpreendeu. Em 1990 e 1991 [respectivamente], o 'Vira Virou, a Mocidade Chegou' e o 'Chuê, Chuá… as Águas Vão Rolar', também da Mocidade Independente de Padre Miguel, e ainda o desfile da Estácio de Sá em 1992, com o enredo sobre o Modernismo, foram belíssimos", recorda.

E você… tem os seus desfiles favoritos que passaram pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí? Conte para a gente!

 
Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
Quando: de 28 de fevereiro a 3 de março de 2014
Onde: Passarela do Samba Professor Darcy Ribeiro
Quanto: de R$ 5,00 (arquibancadas populares) a R$ 7.200,00 (frisas de seis lugares)
                                                                                                                 Alexandre Macieira/Divulgação Riotur
A criação da Liga Independente das Escolas de Samba fortaleceu o desfile como competição, o que tem garantido espetáculos cada vez mais exuberantes
 
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