Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.03.2014 28.03.2014

‘Orphan Black’: a série em que cada episódio parece final de temporada

Por Willians Glauber
 
Você está na plataforma de uma estação de trem, e como é tarde da noite, há poucas pessoas por ali. De repente, uma mulher surge chorando; devagar, ela tira a bolsa dos ombros, os sapatos dos pés e os coloca no chão.
 
Aquilo parece estranho, e você se aproxima para saber se há algo errado. O trem está chegando, a mulher misteriosa anda em direção aos trilhos e, antes de se jogar, ela olha no seu rosto: vocês são idênticas. 
 
É com essa cena que a produção canadense Orphan Black se apresenta a quem a assiste pela primeira vez. A 2ª temporada do seriado estreia no dia 19 de abril, na BBC America.
 
“Quanto mais eu assistia à série, mais presa eu ficava naquele universo. Um ritmo eletrizante do primeiro segundo até o final, conseguindo construir a história de uma forma intrigante”, comenta Grasielly Ricci, jornalista e administradora do site Temporada em Série.
 
Nós do Saraiva Conteúdo tivemos a mesma sensação e, depois de assistirmos aos dez episódios da 1ª temporada, garantimos a você que os roteiristas e produtores de Orphan Black cumprem o que Grasielly comentou. 
 
O ENREDO DE ORPHAN BLACK
Na trama, a protagonista Sarah descobre que a mulher da plataforma de trem era na verdade um de seus clones, chamada Elizabeth. Não se sabe quantos existem, mas na primeira temporada somos apresentados a seis.
 
A história começa a ganhar forma quando Sarah toma o lugar de Elizabeth, que era uma policial. E ao conhecer os clones Alison (uma típica mãe do subúrbio) e Cosima (estudante de Ph.D) ela descobre que há alguém querendo matá-las, uma a uma.

Além das duas, ao longo dos episódios Sarah também conhece Katjia, uma alemã com informações preciosas; Helena, a garota ucraniana um tanto psicótica; e Rachel, uma mulher misteriosa que conheceremos melhor na segunda temporada.

 
Em entrevistas, os criadores Graeme Manson (esquerda) e John Fawcett (direita) disseram que a ideia para a série Orphan Black nasceu em 2003
 
Todas elas se conhecem e se conectam de maneira criativa no enredo da série. Há um compromisso com a continuidade e lógica de cada fato ocorrido, tanto que os criadores da série, Graeme Manson e John Fawcett, se referem a ela como um filme dividido em dez partes.
 
“Ao final do primeiro episódio eu já estava obcecada. Tanto pela atuação de Tatiana [Maslany, nome da atriz protagonista] quanto pelo roteiro bem amarrado, que sempre parece ir na contramão dos clichês”, argumenta a jornalista e tradutora Márcia Lima.
 
UMA PROTAGONISTA MULTIFACETADA, LITERALMENTE
O trabalho da atriz Tatiana Maslany na série é detalhista e artisticamente rico. Ela se preocupou em criar maneirismos, modos de andar, diferentes tons de voz, sotaques, trejeitos e características para cada um dos seis clones. “A entrega da atriz aos diversos papéis é algo que não vemos com frequência”, analisa Márcia.
 
“Muitas vezes vejo pessoas comentando que esquecem que são todas a mesma atriz, e realmente dá para esquecer mesmo”, destaca Grasielly.
 
Ela cita momentos da série que podem traduzir a complexidade dramatúrgica exigida de Tatiana para protagonizar Orphan Black. “Por muitas vezes você a vê como uma clone fingindo ser outra, e apesar de ela pegar as características dessa segunda, você sabe que é outra fingindo ser ela por conta das características da primeira que ainda estão lá presentes”, diz. 
 
Para uma cena como esta, a protagonista precisa gravar fala por fala três vezes, cada uma incorporando um clone diferente
 
CENAS DE CLONES: MODO DE FAZER
O resultado que você assiste na tela não é nada fácil de conseguir. Primeiro: tenha uma atriz talentosa. Depois, acrescente 1h30 para cada troca de figurino, maquiagem e cabelo. Considere também entre os ingredientes 17 horas diárias de gravação. Coloque uma pitada de ensaios antes de adicionar as cenas gravadas separadamente por Tatiana, que em cada uma delas dialoga sozinha em um set vazio. 
 
E não se esqueça do ponto eletrônico no ouvido da atriz. Enquanto grava, ela ouve os sons e os diálogos das filmagens feitas anteriormente para saber quando falar e como se mexer.
 
Para finalizar, coloque os clones digitalmente na mesma sala e terá uma simples cena de conversa entre as personagens.
 
Veja como são feitas essas cenas:
 

 
Acompanhe a 1ª temporada antes que a 2ª comece:
Onde: BBC HD
Quando: Quartas, às 22h
 
A atriz Tatiana Maslany demora em média 17 horas para gravar um episódio. O tempo é necessário para que ela encarne tantos personagens
 
 
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