Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 02.09.2011 02.09.2011

Órfãos de séries: novos seriados podem conquistar os fãs de séries que chegaram ao fim?

Por Andréia Silva
 
Arquivo X, Friends, Seinfeld, Ally McBeal, Frasier, Smallville, Lost, Heroes, Brothers and Sisters, Monk. A lista é extensa. Atire a primeira pedra quem já não se sentiu órfão de alguma série de TV. E no meio da leva de seriados que ainda está no ar, será possível encontrar substitutas?
 
Tentativas não faltam. Tem até diretor dizendo que querem conquistar fãs de programas já extintos com seus novos trabalhos. Foi o caso de Eric Kripke, criador de Supernatural, que revelou que seu grande sonho era atrair os órfãos de Arquivo X .
 
O fim de Lost, por exemplo, gerou uma leva de produções baseadas em mistério e fantasia. Entre os fãs da extinta série, as preferidas parecem ser Fringe e V. Já outras como FlashFoward, Ashes to Ashes e The Event  não conseguiram atrair a atenção desse público.
 
No caso de Fringe e V, ambas tem uma relação mais próxima com Lost: a primeira é do mesmo criador, JJ Abrams, e V, um remake de uma série dos anos 1980, ganhou pontos com a atuação de Elizabeth Mitchell, a Juliet de Lost
 
Entre os mais recentes órfãos de série estão os fãs de Smallville, que chegou ao fim depois de 10 temporadas. A jornalista especializada em cultura, Raquel Paulino, 34, está entre os fãs carentes de seriados de super-heróis.
 
“Hoje, acho que nenhuma substitui Smallville. Estou esperando a da Mulher-Maravilha, que estreia em setembro nos Estados Unidos. Vamos ver se me conquista”, diz ela. Mas esse foi só um dos casos em que a jornalista ficou “carente” neste quesito. The Nany, Charmed, Monk, entre outras, estão aí como prova.
 
Das que chegaram ao fim recentemente, Raquel diz que The Mentalist hoje ocupa, para ela, o lugar de Monk. “Os protagonistas têm características em comum. São muito observadores e apegados a detalhes”, comenta. “Já The Nany deixou um vazio no coração”, brinca ela.
 
Patrick Jane, protagonista de The Mentalist. Será ele um novo Monk?
 
The Nany foi uma das sitcoms de maior sucesso nos anos 90. Revelou a atriz Fran Discher e chegou ao fim em 1999, depois de seis temporadas. “Desde então não apareceu nenhuma outra série de humor com essa trama mais família, um estilo que marcou os anos 90”, diz Raquel, relembrando Married With Children¬ – quem não se divertiu com as piadas hilárias de Al Bundy no programa que revelou Christina Applegate? – Mad About You, Frasier, entre outras.
 
Fã de Ally McBeal, – sitcom que revelou a atriz Calista Flockhart, a Kitty da recém encerrada Brothers and Sisters -, a jornalista Thaís Azevedo, 31, também especializada em cultura, diz que com o final do show, que tratava com um humor leve o dia a dia de uma empresa de advocacia, ela se rendeu “ao gênero” e passou a acompanhar Lei e Ordem, série que coleciona uma legião de fãs. Em outro caso, trocou os dramas pessoais e profissionais dos médicos de E.R. por House.
 
Para Thaís, o maior desafio das novas produções na hora de conquistar admiradores antigos é renovar a fórmula. “Os fãs se acostumaram com uma qualidade que nem sempre é vista em séries mais novas, e por isso não conseguem agradar os órfãos. O que é normal, pois as antigas tinham formato inédito e, agora, parece que tudo já foi feito”, comenta.
 
É o caso de Friends e Seinfeld. Poucas séries novas conseguiram preencher o vazio deixado no público desses seriados. Apesar de simples, ambas traziam um texto refinado, situações possíveis, timing perfeito de piadas e tiradas, além de um elenco que convencia facilmente em seus personagens.
 
Para Thaís, a que mais se aproximou e que talvez mais tenha conquistado os aficionados de Friends é The Big Bang Theory. “Também é uma história sobre o dia a dia de um grupo de amigos, com um roteiro inteligente e humor leve”, diz.
 
 O elenco de The Big Bang Theory
 
Seguidor de Arquivo X e Twin Peaks, seriado emblemático dos anos 90 criado por David Lynch, o designer Rafael Gushiken tem tido muito trabalho para substituir as antigas produções. Ele conta “que depois de superar o final de Seinfeld”, passou a acompanhar The Adventures of the Old Cristine, atraído pela protagonista Julia Louis-Dreyfus, a Elaine de antiga série. Agora que o programa de Julia chegou ao fim, ele está novamente “órfão”, em busca de uma substituta.
 
No caso de Julia, vale dizer que a atriz conseguiu uma proeza: fazer sucesso depois de integrar o elenco de uma obra clássica, êxito não foi alcançado por diversos atores, entre eles seus ex-colegas de elenco Jason Alexander e Michael Richards, e também dois ex-protagonistas de Friends: Matt Le Blanc, em Joey, e Courteney Cox em Cougar Town.
 
Preferências à parte, as duas jornalistas dão outras dicas. Por exemplo, para quem era fã de Sex and the City, Thais indica Gossip Girl. “É ousada, com uma linguagem mais solta, cenas sensuais, e por isso conseguiu atrair um público além do teen”, diz.
 
O elenco da vampiresca True Blood
 
No caso de Charmed, Raquel cita True Blood como uma opção que pode conquistar por “envolver o místico e o sobrenatural”.  Já para quem curtia as humorísticas sobre famílias, uma dica é The Middle, “apesar de seguir mais a linha de desconstrução da família”, aponta a jornalista, que está se preparando para o final de Grey’s Anatomy – já que os boatos são fortes.
 
“O bom é que nesse caso já temos substituta: Private Practice. Algunss atores de Grey’s Anatomy já fazem participações especiais no seriado e isso pode aumentar, caso ela termine. Se Grey’s Anatomy realmente acabar, basta manter Private Practice que está tudo bem”, brinca Raquel.
 
 
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