Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 23.11.2012 23.11.2012

Omar Sharif

Por Andreia Martins e Sarah Correa
 
Talvez nenhum outro filme tenha retratado o deserto e os homens que o habitam com tanta beleza. Quando foi lançado em 1962, Lawrence da Arábia se tornou um clássico épico do cinema, arrebatando prêmios importantes, como o Oscar e o Bafta. Poucos sabem que a busca por um ator egípcio que falasse bem o inglês para viver o papel de Xeque Ali deu muita dor de cabeça ao diretor David Lean. Isso até ele conhecer um rapaz muito bonito e que falava muito bem inglês. Ao bater o olho em Omar Sharif, ator egípcio que na época tinha 30 anos e experiência apenas em filmes de seu país, Lean soube na hora que seus problemas tinham acabado. “Fazer este filme foi uma milagre pra mim. Eu nunca tinha saído do Egito naquela época.
 
O diretor buscou [atores] em revistas e pediu para que me levassem a ele, se eu falasse inglês. Eu fiz o que tinha que ser feito. Ele me adorou e depois deste filme ele disse: ‘a partir de agora, você pode se transformar em um ator na América e na Europa’”, relembra Omar em entrevista por telefone ao SaraivaConteúdo, direto de Paris, na França, onde vive.
 
Em 2012, sempre presente em listas dos melhores filmes de todos os tempos, Lawrence da Arábia completa 50 anos e, para celebrar a data, será lançado pela primeira vez em blu-ray. A trama é inspirada na história real de T.E. Lawrence (Peter O´Toole), jovem tenente britânico alocado na Península Árabe durante a Primeira Guerra Mundial, que luta ao lado das tribos beduínas do deserto tentando ajudá-los a se libertar do domínio do Império Turco-Otomano. Omar vive o Xeque Ali, líder dos povos nômades. Lawrence da Arábia foi tão bem recebido que faturou o Oscar e o Bafta de melhor filme, entre outros prêmios. Para Omar, coube o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e o de ator novato mais promissor, prêmios que, confessa, não se lembra onde estão guardados.
 
Omar reconhece que o filme abriu as portas para sua carreira. Ao se lembrar da produção e da oportunidade que aquilo representava na época, agradece aos pais que o colocaram numa escola inglesa. “Aos 11, comecei a aprender teatro e nós atuávamos em inglês. Amei atuar”, diz. Ganhar o papel foi algo que ele atribuiu a um feliz golpe do destino. “Quando eu nasci, fui a pessoa com mais sorte no mundo. Há algo que eu não gosto de admitir, mas tudo que tenho na vida, eu nunca fiz esforço para ter”.
 
DO EGITO PARA O CINEMA
 
Nascido Michel Shahoub na Alexandria, Egito, em 1932, Sharif foi educado em uma escola pública britânica. Antes de se dedicar totalmente à arte de atuar, trabalhou na empresa de madeira do pai, por um breve tempo. Depois, tornou-se referência egípcia no cinema, aparecendo em dezenas de filmes do país. Foi chamado por Marlon Brando de “a única estrela do Egito”. Sobre isso, ele acredita que seu país natal continuará revelando poucos atores ao mundo – e a Hollywood – devido à barreira da língua. “Na minha opinião, nós [do Egito] não podemos fazer parte da indústria de cinema da América ou Europa porque não falamos inglês. Tive muita sorte porque tive aulas com professores ingleses e havia um teatro na minha escola onde só ensaiávamos peças inglesas. Aquilo era lindo porque eu me apaixonei pelo teatro”, conta Omar. “Não me acho uma pessoa única, mas nunca vi outro grande nome sair do meu país. Só penso que nasci com sorte. Sempre fui sortudo, em toda a minha vida”, completa ele. Entre seus outros filmes estão Doutor Jivago (1963) – outro clássico da década de 60, também dirigido por David Lean e que traz Sharif como protagonista, O 13º Guerreiro (1999), Uma Amizade Sem Fronteiras (2002), Mar de Fogo (2002), 10.000 a.C. (2008), entre outros.
 
HOJE EM DIA
 
Hoje, aos 80 anos, completados em abril deste ano, Sharif vive em um hotel em Paris e leva uma vida mais tranquila. Ainda preserva o bigode, característica que traz desde antes de estrelar o filme. Ele diz que não gosta de falar muito do passado e prefere viver o presente. “Para falar a verdade, com 80 anos eu me sinto muito bem e me considero um homem jovem”, diz ele, que tem orgulho mesmo é de ser avô de quatro netos, filhos de seu único filho, hoje com 55 anos.
 
Seus últimos filmes foram lançados em 2009, três ao todo, sendo Al Mosafer, produção egípcia dirigida por Ahmad Maher, e dois filmes franceses, I forgot to Tell You, dirigido por Laurent Vinas-Raymond, e o documentário La Traversée du désir, de Arielle Dombasle. Além disso, atuou na série de TV americana O Último Templário, de Paolo Barzman, e que traz no elenco a atriz Mira Sorvino.
 
A série já foi lançada em DVD no Brasil. Longe dos sets desde então, ele não esconde a vontade de voltar a atuar, embora nunca tenha deixado de se envolver com o cinema, participando de diversos júris e festivais de cinema na Europa. No entanto, ele descarta uma possível aposentadoria. Diz que está em busca de um bom papel que o levará de volta ao set. “Eu quero trabalhar, mas quero fazer coisas interessantes. Não quero fazer um papel de ator principal. Poderia ser um coadjuvante. Quero fazer coisas pequenas, mas que não sejam estúpidas. Tenho que gostar para fazer”, diz Omar. “Essa é a grande questão da minha vida, porque eu ainda gostaria de ser ator. Sinto muita falta”.
 
 
 
 
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