Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.05.2010 28.05.2010

Olhos azuis, a visão de José Joffily

Por Ramon Mello

> Assista à entrevista exclusiva de José Joffily e Irandhir Santos ao Saraiva Conteúdo

Quandoum filme é bom saio mareado do cinema, ainda com certa vertigem provocada pelasações de algum personagem. Ou, então, muito satisfeito por ter mergulhado natelona. De um modo ou de outro o espectador poderá se sentir ao assistir Olhos azuis (2009), novo longa docineasta José Joffily.

Oator americano David Rasche faz o papel de Marshall, chefe do Departamento deImigração do aeroporto JFK, em Nova Iorque, que resolve comemorar seu último dia de trabalhocomplicando a entrada de imigrantes nos Estados Unidos, muitos deleslatino-americanos.  O premiado atorpernambucano Irandhir Santos – também em cartaz em Quincas Berro D’Água e Viajo porque preciso, volto porque te amo– dá vida a Nonato, um brasileiro radicado nos EUA, que é humilhado numinterrogatório sofrível.

Paracompletar o time de imigrantes que aguardam a aprovação de um visto, estão doispoetas-traficantes argentinos (Valéria Lorca e Pablo Uranga), um grupo delutadores hondurenhos e uma bailarina cubana – interpretada por Branca Messina.Mas é no duelo entre Irandhir e David que está a trama, os dois atores nosoferecem um trabalho de primeira, que faz jus aos prêmios recebidos mundoafora.

Destaca-setambém a atuação de Cristina Lago, como a nordestina Bia, e Eraldo Pontes, quenuma única cena ganha o filme. E, ainda, a trilha sonora de Jaques Morelenbaum.Um thriller psicológico das diferenças – o roteiro é assinado por Paulo Halm eMelanie Dimantas – que prende o espectador às burocracias e às injustiças de umdepartamento de imigração e deságua num Brasil que foge dos estereótipos doscartões-postais.

Impossívelnão se sensibilizar com quem está do outro lado da persiana, à espera de umcarimbo que pode mudar o rumo de sua história. Num mundo em que a questão daimigração é cada vez mais presente, ainda mais em se tratando da América doNorte ou da Europa, mesmo quem não passou por tal situação se lembrará de algumcaso semelhante, seja um amigo ou o conhecido de um amigo. Em Olhos azuis o público é levado arefletir sobre a ignorância, e, quem sabe, entender que do mesmo modo comooprime, a ignorância também pode libertar.

> Confira o site oficial de Olhos Azuis

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