Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 08.07.2010 08.07.2010

O vazio deixado por Lost

Por Diogo Bruggemann*

 

Lost foi uma das séries de TV de maior sucesso da última década, etalvez de todos os tempos. A boa mistura de drama e mistério envolveu e atraiufãs de todas as partes do mundo. Tudo começou em setembro de 2004, com oprimeiro episódio da série – e um dos mais caros já produzidos pela TVnorte-americana – que mostrava os sobreviventes de um acidente de avião numa ilhatropical. Porém, o voo 815 da Oceanic Airlines que ia de Sidney para LosAngeles não levava pessoas comuns, levava candidatos. E ainda menos banal foi ailha onde eles caíram.

O fim da série não trouxe todasas respostas para as dezenas de mistérios que surgiram durante as seistemporadas de Lost, mas isso não foium problema para os muitos fãs e críticos da série. O episódio final que foi aoar nos Estados Unidos no último mês de maio pôs um ponto final na conturbadahistória dos sobreviventes, tentando resolver os mistérios mais significativos.

Nele vimos que Jack, o novoguardião da ilha, se sacrifica para que a mesma não seja destruída pelo Homemde Preto, enquanto Kate, Sawyer, Claire, Richard, Miles e Lapidus voam de voltapra o mundo exterior. Já dois dos personagens mais envolventes e carismáticosda série – Bem e Hurley – ficam na Ilha, o último se tornando o novo guardiãodo lugar, após a morte de Jack. Enquanto isso, num outro plano, tempos depoisde tudo ter acontecido, Jack se reúne com todos os outros sobreviventes/candidatos,para enfim deixar pra trás o que viveu na ilha. Um episódio certamenteemocionante, mas que atraiu apenas metade da audiência que o primeiro episódiode Lost havia conseguido, seis anosantes.

Embora a série tenha perdidoespectadores na TV, em outras mídias Lostvirou um fenômeno. Uma das séries com maior número de downloads na internet,ganhou centenas de blogs e sites especializados, vendeu inúmeros produtos,desde bonecos dos personagens até comida com a marca Dharma. Os mistérios foramtão bem criados e misturados com o drama que compunha a vida de cada um dospersonagens, que muitos passaram a se perguntar se outra série atingiria talfaçanha.

Ainda durante os primeiros anosde Lost, os fãs mais impacientes se cansaramde tantos mistérios – como ursos polares e os “Outros” – e trocaram Lost por Heroes. A série, que falava de pessoas normais com poderessobre-humanos, trouxe uma primeira temporada com boas histórias e algunsmistérios rapidamente solucionados, o que saciou a sede de resposta de algunsfãs. A partir da segunda temporada, contudo, a série desandou e perdeu um poucodo ritmo, em parte por culpa da greve dos roteiristas. As histórias se tornaramconfusas e previsíveis, o que fez com que o seriado fosse cancelado na quartatemporada.

Outra série que chegou a sercomparada a Lost foi Fringe, idealizada por um dos criadoresde Lost (e tantas outras ótimasséries, como Alias e Felicity), J. J. Abrams. Quase queinteiramente voltada para a ficção científica, Fringe foi comparada a Arquivo-Xe outras séries que falavam do sobrenatural. Mas enquanto Arquivo-X trazia extraterrestres e tramas realmente inexplicáveis, Fringe busca respostas na ciência, eapós duas temporadas muito bem feitas a série avança para a terceira, tentandoconsolidar seu espaço.

Duas séries mais recentes da redeABC – Flashfoward e V –  foram anunciadas como “o novo Lost”, mas, atéagora, nenhuma mostrou a força para se tornar o mesmo fenômeno. Flashfoward trazia uma boa história: numcerto dia, toda a população do mundo apaga ao mesmo tempo e tem uma espécie desonho que mostra acontecimentos do futuro de cada um. Além disso, dois atoresde Lost participavam da série, SoniaWalger (que fazia Penny) e Dominic Monaghan (o adorado Charlie). Apesar deinteressante, a série foi mal desenvolvida, e assim cancelada ainda na primeiratemporada. Já V se mostra um poucomais forte, trazendo como protagonista Elizabeth Michell (Juliet, também de Lost), a série mostra como o mundoreagiu à chegada de visitantes extraterrestres que, apesar de parecerembonzinhos, não são nada bem intencionados.

Enquanto fãs e críticos buscamcomparações, talvez o melhor, neste caso, seja buscar algo novo. Lost deixou uma herança importante e foiuma das primeiras séries de TV a ganhar mais destaque no mundo virtual do quena televisão em si. Deixoutambém ideias e um espaço para que novos caminhos sejam traçados. Para aquelesque ainda procuram por “um novo Lost”cabe a espera, assistindo aos DVDs da série, enquanto não morre a esperança.

*Diogo Bruggemann cursa Letras-Literatura Inglesa na Universidade Federal de Santa Catarina, tendo estudado Cinema na New York University. Ele também é vendedor da Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi, em Florianópolis

> Assista a finais alternativos de Lost

 

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