Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 28.10.2014 28.10.2014

O talento de Steven Spielberg em contar boas histórias

Por Fernanda Oliveira
 
De Segunda Guerra Mundial a extraterrestres, de robôs a dinossauros, definitivamente, Steven Spielberg sabe contar uma boa história através da "tela grande", independente do tema que aborda. Ele não se limita a um determinado tipo de assunto, produzindo, assim, filmes com maestria e identidade.
 
O diretor não se restringe a uma "fórmula" e, então, "foge" de possíveis rótulos, o que fica claro na Spielberg Director's Collection, que será lançada em novembro. Essa coleção especial abrange oito longas bastante diferentes entre si e de fases distintas do cineasta. São eles: Encurralado (1971), Louca Escapada (1974), Tubarão (1975), 1941 – Uma Guerra Muito Louca (1979), E.T. – O Extraterrestre (1982), Além da Eternidade (1989), Jurassic Park (1993) e O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997). 
 
Para Robledo Milani, editor-geral do site Papo de Cinema, isso acontece porque o diretor sabe identificar o que é atrativo para o público. "Steven Spielberg é um cineasta completo, talvez o maior da atualidade. Ao mesmo tempo em que se preocupa em fazer um cinema autoral, ele nunca perde de vista o interesse do público. Isso vem muito da formação dele, do seu histórico trabalhando com Super-8 desde criança, dos projetos desenvolvidos para televisão e dos curtas-metragens".
 
Tubarão foi o primeiro grande sucesso de público de Spielberg
 
Contudo, alguns tópicos costumam aparecer em seus trabalhos com mais frequência, mesmo não sendo o foco das tramas centrais. "Seus filmes evitam assuntos mais polêmicos, como homossexualidade e violência social. No entanto, há temas que lhe são caros, como o racismo, o preconceito e o feminismo, que, mesmo não sendo muito explorados, de uma forma ou de outra se manifestam em diferentes trabalhos. Há ainda o olhar infantil, que vai desde o Peter Pan que não quer crescer de Hook – A Volta do Capitão Gancho (1991) até Jurassic Park", explica Milani.
 
Apesar da nítida diversidade dos enredos tratados por Spielberg, Milani acredita que é possível notar uma característica marcante na sua trajetória. "Para cada filme 'sério' ou 'real', Spielberg elabora em seguida um contraponto, um longa 'fantástico', que aposta irremediavelmente na fantasia. Foi assim com Lista de Schindler (1993) e Jurassic Park; Amistad (1997) e O Mundo Perdido: Jurassic Park; Munique (2005) e Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008); e As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne (2011) e Lincoln (2012)".
 
E.T. – O Extraterrestre de Spielberg é considerado um clássico do cinema
 
Contudo, seja produzindo um longa que retrata a realidade ou que mostra um mundo de fantasia, o diretor sabe "segurar" o espectador na poltrona da sala de cinema. "Mais do que qualquer outro cineasta da atualidade, Spielberg entende que cinema é entretenimento – talvez, para as grandes massas, mais do que uma forma de expressão artística. Ele consegue falar de temas supersérios, mas sempre focado na emoção e na adrenalina. O Resgate do Soldado Ryan (1998) é um bom exemplo", ressalta o editor-geral do site Papo de Cinema.
 
Além disso, o tempo só tem favorecido o trabalho do diretor, desde seu início na década de 1970. "Spielberg refinou seu olhar, é óbvio. Afinal, ele cresceu, evoluiu, amadureceu. Hoje, certamente, ele faria um Tubarão ainda melhor! O domínio da técnica cinematográfica está a seu favor, e o avanço da tecnologia o acompanhou nesse sentido", afirma Milani.
 
E completa: "Acho que a fórmula – se é que se pode chamar assim – de Spielberg é tão própria e específica que hoje em dia pode até ser clichê, devido ao grande número de seguidores e de outros cineastas que se inspiraram em seu trabalho (ou mesmo copiaram descaradamente). Ele é o cara que fundou o conceito de blockbuster. Não podemos nos esquecer disso".
 
Com o imenso sucesso de Jurassic Park, foi lançada sua sequência: O Mundo Perdido: Jurassic Park
 
 
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