Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 12.04.2010 12.04.2010

O samba de Jair Oliveira e Luciana Mello

Por Bruno Dorigatti

Foto de Tomás Rangel

 > Assista à entrevista exclusiva de Jair Oliveira e Luciana Mello ao SaraivaConteúdo  

Uma bela homenagem ao samba, esse é o resultado do DVD e CD ao vivo, registrados pelos irmãos Jair Oliveira e Luciana Mello. O projeto O samba me cantou finalmente ganhou corpo em 2007, quando a dupla pensou em levar para os palcos uma roda de samba. Para isso, chamaram Edmilson Capellupi (violão de sete cordas), Marinho Mattos (cavaquinho), Fred Prince (percussão) e Alexandre Ribeiro (clarinete). No começo de 2009, o espetáculo foi registrado no Auditório do Ibirapuera e chegou às lojas em 2010. 

“Sou intérprete de mim mesmo. E minha irmã, como meu pai, grava vários compositores. Neste trabalho, decidimos fazer algumas coisas diferentes para os dois. É o primeiro, desde a minha fase de compositor, que estou cantando coisas de outros autores”, fala Jair, em entrevista exclusiva ao SaraivaConteúdo. “A idéia do show foi justamente a gente reunir sambas que nos influenciaram muito, como ‘Ninguém tem que achar ruim’, de Ismael Silva, e ‘Gente humilde’, choro de Garoto, que mais tarde ganhou letra de Vinicius de Moraes e Chico Buarque. São canções que crescemos ouvindo, porque meu pai e minha mãe sempre colocaram muito samba na nossa mamadeira. E o projeto nasceu dessa intimidade com o samba desde pequeno”, acrescenta. 

Para Luciana, “selecionar o repertório foi a parte mais difícil. Pensamos nos sambas que a gente ouvia desde criança, como ‘Orgulho de um sambista’, de Gilson de Souza, ‘Rosa’, de Pixinguinha, ‘Esperanças perdidas’, de Nelson Custodio e Davi Moreira, além de sambas mais recentes, composições do Jair”. O repertório inclui ainda “Requebre que eu dou um doce/Rosa Morena”, de Dorival Caymmi, “Coração leviano”, de Paulinho da Viola, “Desde que o samba é samba”, de Caetano Veloso, e “Casa de bamba”, de Martinho da Vila, “Tô”, de Tom Zé e Elton de Medeiros, entre outras. 

O registro e o show, porém, não mudam em nada a carreira solo dos filhos de Jair Rodrigues. Jair de Oliveira lança álbum de inéditas ainda este semestre junto com um livro que fala sobre seu processo de gravação, depois do disco inteiramente dedicado à filha, Grandes pequeninos, lançado em 2009. Junto com a mulher Tânia Kalil, transformou esse trabalho em espetáculo infantil. Enquanto isso, Luciana Mello prepara o próximo trabalho ainda para 2010. depois de Nêga, lançado em 2007, com produção do irmão. 

Jair Oliveira divide seu tempo como produtor e músico. “Gosto muito de produzir, inclusive no livro que sai com este novo disco falo sobre minha experiência. O livro foca nesse trabalho novo, mas basicamente é o meu processo de produção, que não varia tanto de um projeto para outro.” Em 2005, teve a honra de trabalhar com um de seus ídolos, Tom Zé, no disco Estudando o pagode. Na opereta segregamulher e amor. “Aprendi muito com ele, foi um disco muito interessante de se fazer. Já tinha produzido quatro ou cinco faixas do disco Imprensa cantada, e tinha sido ótimo. Sou fã do Tom há muitos anos e essa troca de experiências foi muito legal”, conta Jair, que acrescenta: “Tive oportunidade de conhecer o processo criativo dele, completamente diferente do meu. Tom Zé é genial. Foi um dos discos mais demorados de se realizar. Geralmente, levo quatro, cinco meses no estúdio. Com o Tom foram oito meses de trabalho intenso, ele trabalha bastante em cima dos arranjos, das letras. E o meu processo é mais instantâneo, deixou a inspiração chegar e quase não lapido. E o Tom Zé é um cara que lapida bastante, até achar que está perfeito”, conta ele, que produziu ainda disco do pai, da irmã, de Wilson Simoninha e da MP4, entre outros.

A música em casa 

Filho de um dos grandes de nossa música, Jair Rodrigues, a influência e inspiração vieram do berço. “O primeiro grande sucesso dele foi em 1964, 11 anos antes do meu nascimento”, conta Jair. “Quando nasci, meu pai já tinha uma carreira artística longa e de muito sucesso. Fazia vários shows semanais, muitos ensaios, sempre convivi com esse ambiente de ensaios, shows, gravações. E sempre fiquei muito alucinado com isso. Lembro que às vezes vinha o pessoal bater lá na porta, ‘aí, vamos jogar bola?’. E eu quase sempre falava: ‘Sabe que que é? Meu pai tá ensaiando, vou ficar aqui assistindo’”. 

A infância de ambos sempre foi muito regada à música, samba, sobretudo. “Por isso que temos essa influência muito forte nos nossos trabalhos individuais, e agora a gente quis demonstrar isso mais claramente nesse projeto que bolamos junto. Meu pai, apesar de ser um intérprete de vários estilos – ‘Deixa isso pra lá’ muitos dizem que é o primeiro rap brasileiro; ‘Disparada’, que ganhou o festival de 1996, é praticamente uma música sertaneja – , mas o estilo mais marcante da carreira do meu pai é o samba. Ele é um sambista, a gente cresceu ouvindo muita coisa de Noel Rosa, Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Sinhô”, recorda Jair. 

“O que ele sempre nos ensinou é fazer o trabalho com honestidade e amor. Uma das pessoas que mais ama o que faz é ele, nunca o vi de mau humor, reclamando de nada”, fala Luciana. Pela primeira vez, aliás, os três estão cantando juntos em um disco – e DVD. Jair Rodrigues participa no final do show, interpretando “Alguém me avisou”, de Dona Yvone Lara. Já não era sem tempo.

 

> Confira os sites de Jair Oliveira e Luciana Mello

> Jair Oliveira e Luciana Mello na Saraiva.com.br

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