Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 14.10.2011 14.10.2011

O Rock Samba do interior de São Paulo

Por Isabela Moraes
Na foto ao lado, os integrantes do grupo Sambô
É, você leu certo, é rock samba mesmo.  O grupo Sambô, da cidade paulista de Ribeirão Preto, criou esse novo conceito musical, que pega um rock e o toca no ritmo de samba.  O que pode inicialmente parecer estranho, caiu no gosto dos brasileiros, que aprovaram a versão de Janis Joplin na batida do samba, entre outras canções adaptadas pelo grupo.
Em turnê por todo o país, com show marcado para São Paulo no dia 20 de outubro,  no Na Mata Café, e até o fim do ano nas cidades de Porto Alegre, Cuiabá e Goiânia, o Sambô mantém o espírito de diversão de uma boa roda de samba.
O tecladista e produtor musical da banda, Ricardo Gama, nos conta de onde veio essa vontade de inovar musicalmente e os novos projetos do grupo.
 
 
Como surgiu a ideia de adaptar um repertório internacional para o gênero do samba? Quais foram às dificuldades que vocês tiveram?
Ricardo Gama. A ideia na verdade não partiu da gente. Foi de uma pessoa que estava nos assistindo. Estávamos tocando numa roda de samba e essa pessoa veio – não sei se veio para brincar – pedindo para tocar um rock. E a gente ali, com os nossos instrumentos…cavaquinho e coisa assim… era nítido que não dava para tocar um rock, mas mesmo assim tocamos.  Nessa ocasião, fizemos uma da Janes Joplin e foi legal pra caramba. Na mesma noite, fizemos o Led Zeppelin. A gente achou legal, e começou a tocar sempre. Não tivemos tanta dificuldade – já participamos de outras bandas com influencias de rock e pop – e o segredo é saber que musica tocar. Não é toda canção que fica legal.
Como surgiu o conceito de rock-samba e não samba-rock?
Ricardo Gama. O samba-rock, embora tenha no nome a mistura dos dois ritmos, é diferente do que fazemos. O samba rock é uma divisão do samba, um estilo dentro do samba que teve influencia de guitarras, na maneira de tocar, bem na época de Jorge Ben, bem lá no comecinho. Ele tem todo um conceito, não só musical, mas de dança e tudo o mais, que acabou virando um estilo musical. Na verdade, o que a gente faz, é diferente. Pegamos uma canção, normalmente um rock ou pop, e simplesmente tocamos ela da maneira que se toca um samba mesmo. Da mesma maneira que a gente tocaria Led Zeppelin, a gente toca Fundo de Quintal. Só que como pegamos uma musica que não foi originalmente composta como samba e sim como rock, então dá uma sonoridade diferente. Nós mesmos rotulamos de rock-samba pra causar essa sua pergunta, pra gente poder explicar.
Qual foi a maior dificuldade em levar o som de gafieira para um estúdio?
Ricardo Gama. Já tínhamos uma experiência em estúdio, não é o primeiro trabalho que gravamos. Não existiu uma grande dificuldade porque normalmente quando você vai para o estúdio o processo é gravado todo separado. Mas o que fizemos questão foi gravar como faríamos ao vivo. Então, arrumamos uma sala no estúdio interessante que desse para tocar tudo ao mesmo tempo, montamos a roda dentro do estúdio como se estivesse fazendo uma apresentação.
 
Ricardo Gama
Vocês têm composições próprias?
Ricardo Gama. Tem três musicas que são nossas. Duas são minhas – “Deixa” e  “Minha Vida” – e uma que é do San (vocalista do grupo), que é “José”. Então com esse novo projeto, eu acho que quem compõe mais sou eu mesmo.
 
Música "Minha Vida", de Ricardo Gama
Quais são as inspirações na hora de compor?
Ricardo Gama. Eu gosto de compor sozinho. Na verdade eu só tenho uma composição em conjunto, uma que fiz com o Leandro Lehart. Mas todas as outras eu fiz sozinho. Não dá pra dizer se eu gosto ou não, porque eu não compus muito em parceria, mas talvez seja interessante também.
E como surgiram as participações no CD Sambô? Quais eram os contatos com os participantes?
Ricardo Gama. No caso, foi a Luciana Melo, que a gente tinha um amigo em comum, e ela foi ver a gente tocar um dia em São Paulo. A conversa foi meio de primeira, já simpatizamos com ela, e ela com a gente, e a convidamos para participar do nosso projeto. Tem shows que fazemos com convidados como Seu Jorge e Jair Rodrigues. Bastante gente tem participado do show com a gente.
Além desse CD que acaba de sair, tem algum outro projeto em mente?
Ricardo Gama. O novo projeto sai esse ano ainda. A gente tá gravando em um processo diferente, tudo separado. Já gravamos a bateria, as percussões, e quando temos tempo vamos gravando alguma outra coisa. Mas ele tá bem legal, também tem coisas internacionais, nossas, tem os sambas tradicionais, umas 20 músicas mais ou menos
 
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