Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 29.01.2015 29.01.2015

“O que populariza a arte é o acesso”, diz diretora de doc. sobre arte contemporânea

Por Lucas Rodrigues
Quem nunca se pegou coçando a cabeça, em um museu ou outro tipo de exposição, e fazendo a mesma pergunta: mas isso é arte? A dúvida, que está longe de indicar má vontade ou até mesmo desconhecimento, parte de uma inquietude natural – o que confere a uma obra o status de objeto artístico?
Questões abstratas, que abrem espaço para diversas discussões e que são tema do documentário A Margem da Linha , de Gisella Callas, já disponível em DVD.
O filme foi gravado em 2008, e de lá para cá muita coisa mudou no panorama da arte. “As pessoas estão lotando as exposições e mostras, e arte se aprende por contato”, afirma Gisella, para quem a arte performática vem ganhando muito espaço.
Nesse trabalho, ela acompanha três artistas de diferentes gerações: José Spaniol, Regina Silveira e Sergio Sister. “Eles representam vários artistas e momentos da arte contemporânea brasileira em pleno movimento”.
Com experiência como fotógrafa e retratista, Gisella Callas fundou, em 1994, a Cinerama Filmes. O primeiro curta-metragem da produtora, The Main Dish (11 min., 35 mm), foi produzido em Nova Iorque e lançado no ano seguinte. Em 2000, Callas assinou a produção, roteiro e direção de Do Amor (11 min., 35 mm), curta que integrou a seleção oficial de festivais como o de Gramado, Karlovy Vary, Algarve, San Diego e Recife.
Em entrevista ao SaraivaConteúdo, Gisella fala sobre como surgiu a vontade de debater arte contemporânea e como foi produzir A Margem da Linha.
Por que decidiu discutir arte contemporânea?
Gisella Callas. Fui capturada. Convivo com artistas de várias áreas e acabei me envolvendo com o assunto, mesmo porque, de todas as vocações artísticas, essa é aquela que não possuo. Sendo assim, fui compreender um pouco daquilo que não sei e homenagear quem sabe. Foi um trabalho muito gostoso de fazer. Os entrevistados são todos muito interessantes.
Por que optou pela linguagem audiovisual?
Gisella Callas. Acho que ninguém opta por fazer cinema. É uma insanidade atemporal inevitável. O importante é que o filme valha a pena, só isso. Daí fica tudo certo.
No filme, você levanta questões abstratas sobre o universo da arte. Existe o objetivo de chegar a conclusões sobre elas?
Gisella Callas. Existe o universo das possibilidades. Todos têm razão de algum ponto de vista, e isso é bom, convida o espectador a chegar às suas próprias conclusões. É um filme aberto, inclusivo.
A artista Regina Silveira
A Margem da Linha acompanha três artistas: Regina Silveira, Sergio Sister e José Spaniol. Como você escolheu esses personagens?
Gisella Callas. Esses três artistas representam três gerações. Existem 10 anos de diferença entre eles. O José Spaniol foi aluno da Regina Silveira, por exemplo, e eles também representam três suportes diferentes. A Regina trabalha com as grandes instalações, ou até “ocupações”, eu diria. O Sergio Sister é a pintura, uma tradição, vista pela arte contemporânea e suas propostas diversas. O José Spaniol é herdeiro da escultura, hoje chamada objeto. Eles representam vários artistas e momentos da arte contemporânea brasileira em pleno movimento. Está tudo acontecendo.
Por que você incluiu depoimentos diversos? Como eles contribuem para a narrativa do filme?
Gisella Callas. Justamente porque são diversos. Isso traz uma riqueza natural à conversa. O importante sobre pensamentos é a inteligência que os manifesta, e nossos convidados sabem bastante; sendo assim, é bom que tenham opiniões diferentes. Assim, criamos um mosaico de muitas partes.
No documentário A Margem da Linha, Gisella Callas examina o trabalho de três artistas para tratar de questões como obra e criação artística
O documentário é dividido em seis partes – ou dimensões: o ponto; o plano; o espaço; o tempo; o eterno e o efêmero; e o criador e a criação. Como você chegou a essas classificações? Essa estrutura tem algum objetivo específico?
Gisella Callas. Acho que foi um “insight” junto com a necessidade de acomodar um assunto tão disperso como é a arte contemporânea. O documentário precisava de uma estrutura que organizasse seu conteúdo, daí surgiram as dimensões.
O documentário já tem mais de seis anos. De 2008 pra cá, mudou alguma coisa no panorama da arte contemporânea?
Gisella Callas. A arte performática vem ganhando muito espaço nos últimos anos, hoje é um evento comum nos museus e nas galerias.
Você sente que o tema está se tornando mais popular? De que forma?
Gisella Callas. O que populariza a arte é o acesso, e isso está mais presente. As pessoas estão lotando as exposições e mostras, e arte se aprende por contato. Sendo assim, acho que cada vez mais a arte será para todos aqueles que a quiserem. Ela está despertando interesse, e a arte contemporânea brasileira é, na verdade, muito boa e necessária, basta frequentá-la. É um prazer!
Pra você, o que é arte?
Gisella Callas. Uma boa provocação que leve a uma profunda transformação.
Duas oabras do artista José Spaniol
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