Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 26.07.2010 26.07.2010

O pinguim chega aos trópicos

Por Bruno Dorigatti

Uma das editoras mais conhecidas do planeta chega ao Brasil.E desta vez não se trata de nenhum conglomerado espanhol ou português, algocomum nos últimos anos, mas da editora inglesa Penguin, que, depois de seexpandir para China e Coreia do Sul – sem falar os países de língua inglesacomo Estados Unidos, Canadá e Austrália –, chega aos trópicos. Na verdade, obraço americano da Penguin inicia neste mês uma parceria com a Companhia dasLetras, anunciada há um ano, para publicar títulos da coleção Classics, que aqui vai se chamar PenguinCompanhia Clássicos, além de outros títulos editados exclusivamente a partir daparceria, como os que inauguram o novo selo, Joaquim Nabuco Essencial (dentro da coleção que lá fora se chama Portable) e O Brasil holandês, que reúne textos históricos do século XVII,ambos organizados pelo historiador Evaldo Cabral de Mello. 

Além destes dois, inauguram a parceria o clássico deMaquiavel, O príncipe, em novatradução do italiano, e Pelos olhos de Maisie,do escritor inglês Henry James, em tradução de Paulo Henriques Britto. Outranovidade está nas tiragens bem acima da média do mercado editorial, de 3 milexemplares: O Brasil holandês saiucom 8 mil exemplares; Nabuco, com 10mil; o romance de James, com 12 mil; e Opríncipe, com 18 mil exemplares. Os preços variam entre R$ 19,50 e R$ 32 e,por exigência da editora inglesa, as obras devem sair em formato digital comvalor até 40% menor que as versões impressas, mas curiosamente em versões nãocompatíveis com o Kindle ou o iPad, devido à questões comerciais etecnológicas. As obras ganham ainda guias de leitura e aulas complementares nainternet, cujo foco é o mercado educacional. 

Conhecida pela edição caprichada, repleta de informaçõesadicionais e preço honesto, os livros da Penguin hoje são sinônimo de qualidadeno mundo dos livros. A empresa, que chega aos 75 anos, porém, quer continuarcom seu prestígio neste novo momento do mercado editorial, ainda cercado demuita indefinição. O CEO da Penguin, John Makinson, participa da Flip, nocomeço de agosto, onde vai debater com o historiador Robert Darnton o processo detransformação por que passa o mercado editorial em todo o mundo. Ementrevista ao jornal O Estado de S. Paulo,Makinson afirmou que os e-books chegam a 10% das vendas da editora, crescimentovertiginoso se se levar em conta que este número, em 2009, era de 2%. “O quepercebemos foi que há livros mais adequados para o formato digital que outros.Não são categorias totalmente consistentes, mas um novo best-seller, porexemplo, tem mais potencial para conteúdo extra na versão digital que umclássico, já que o próprio autor pode produzir esse conteúdo”, disse. Sobre ofato de muitos títulos serem clássicos, já em domínio público e disponíveldigitalmente, ele justifica: “O que você compraquando compra nossos clássicos é design, introduções, qualidade de tradução,notas de rodapé. Devemos deixar claro para o leitor o que temos de diferente, porqueestamos propondo que comprem por uma quantia razoável de dinheiro algo quepodem conseguir de graça. É um desafio interessante”. 

A parceria permite alterações editoriais, que precisam seraprovadas pela sede filial norte-americana. Dos 48 títulos previstos para osdois primeiros anos, um terço será de obras brasileiras e o restante declássicos do catálogo da editora. Além disso, a parceria prevê um númerocrescente de títulos nacionais que vão passar a fazer parte do catálogo daeditora inglesa lá fora. A Penguin acaba de editar nos Estados Unidos Os sertões, de Euclides da Cunha, peloselo Classics. O mais cotado a ganharedição em inglês deve ser Jorge Amado. 

Já no Brasil, os próximos oito títulos a serem lançados jáestão definidos. A partir de setembro, serão sempre dois por mês e até o finaldo ano chegam às livrarias Recordações doescrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, Livro da vida, de Santa Teresa d’Ávila, Ensaios selecionados, de Montaigne, Jorge Amado Essencial, organizado por Alberto da Costa e Silva,responsável junto com Lilia Moritz Schwarcz pelas novas edições do baiano naCompanhia das Letras, Dez dias queabalaram o mundo, de John Reed, Oemblema rubro da coragem, de Stephen Crane, O amante de Lady Chatterley, de DH Lawrence, e Últimos dias: os escritos tardios, de Liev Tolstoi.
 

Saiba mais sobre os livros que chegam nesta semana àslivrarias  

O príncipe, deMaquiavel, ganhou nova tradução do italiano, por Mauricio Santana Dias, préfaciode Fernando Henrique Cardoso, apresentação de Anthony Grafton, da Universidadede Princeton, além de notas dos tradutores para o inglês (George Bull) e oportuguês 

 

Pelos olhos de Maisie, romance de HenryJames, narra um dos primeiros casos de guarda compartilhada nos EstadposUnidos, em 1882, sob o ponto de vista da menina. O livro, que já havia sidolançado pela Companhia das Letras, ganhou revisão do tradutor, Paulo HenriquesBritto, Inclui o prefácio original que o escritornorte-americano fez para a edição original, de 1908, e conta com introdução ecomentários do crítico literário britânico Christopher Ricks. 

 

O Brasil holandês,reúne documentos sobre o período de domínio holandês no Nordeste no séculoXVII, quando Maurício de Nassau governou Recife. A seleção, introdução e comentáriosficaram ao cargo do historiador Evaldo Cabral de Mello. 

 

Joaquim Nabuco,também organizado por Cabral de Mello, que fez o prefácio, apresenta trechos declássicos do autor, como Minha formaçãoO abolicionismo e Um estadista do Império, que abordamsobretudo a vida política brasileira da segunda metade do século XIX. O volumeinclui cronologia e sugestões de leitura.

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