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O olhar apurado de Fabrício Carpinejar sobre amor e sexo

Por Andréia Silva
Ele não era da turma dos populares da escola, mas agora poderia muito bem dar conselhos amorosos para qualquer marmanjo a fim de conquistar alguma garota. Por trás dos grandes óculos de sol, das provocações, dos anéis de caveira e das unhas pintadas, o escritor gaúcho Fabrício Carpinejar guarda uma sensibilidade capaz de captar detalhes que ninguém vê.
Seu gosto por observar situações e pessoas vem desde garoto. “Sempre fui curioso e insaciável. Por muito tempo eu fui excluído na escola. Como não era o protagonista da minha vida, eu era o cineasta. Assistia ao que os outros faziam. Eu estava fora da turminha do vôlei, do violão, nunca fui o melhor do futebol… Sempre fui um quase, e o quase me deu um reservatório de solidão”, disse o escritor em entrevista ao SaraivaConteúdo.
Certa vez, seu olhar apurado o enganou. Aconteceu quando ele presenteou uma colega de trabalho com uma caneca nova, argumentando que ela tinha uma toda lascada na mesa e, com seu presente, poderia trocá-la. “Mas foi pretensão minha. Aquela caneca tinha sido dada pela mãe dela. Ela nunca iria se desfazer da caneca”, lembra.
Para ele, isso foi um reflexo simples da nossa falta de cuidado em perceber o mundo do outro. “A gente quer substituir as coisas das outras pessoas, nunca acha que o outro é importante. Entender o peso emocional e simbólico das coisas vem desse exercício da observação”. E onde mais praticar esse olhar para o outro senão na vida a dois?
Foi o que Carpinejar fez em algumas de suas crônicas publicadas em blogs, no jornal Zero Hora, entre outras inéditas, e que ele agora lança em uma coletânea temática sobre amor e sexo, com o sugestivo nome de Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus, onde fala de tudo com o tom sincero de uma conversa entre amigos.
“O cronista resgata o ineditismo, ele é o ‘vale a pena ler de novo’. A crônica não tem o palco, a arena, a tribuna, é como se estivéssemos falando no teu ouvido, contando uma fofoca”, diz Carpinejar.
 
                                                                                                   Crédito/ Edson Vara
Fabrício Carpinejar fala sobre amor e sexo em seu novo livro
No livro, o leitor encontra crônicas sobre diferentes estágios dos relacionamentos. Desde o encontro dos amantes à euforia do início do casamento. Histórias que ensinam que o amor não é uma complicação tão grande que não possa ser simplificada e nem tão simples que não possa ser complicado.
Contar as agruras e delícias dos relacionamentos vem dando a Carpinejar a fama de ser especialista no assunto. Seja no Twitter, no programa A Máquina – que ele apresenta toda terça-feira, na TV Gazeta –, nas colunas de jornais, o escritor sempre é parado para dar um conselho amoroso. Mas não espere a paciência de um terapeuta. Suas máximas são aquelas verdades divertidas que brotam quando se coloca o dedo na ferida.
“O amor é simples, mas a gente valoriza um filme com um grande investimento. Na verdade, muita gente se engana dizendo que quer uma pessoa e sabota isso, porque se sente melhor sozinho. E tudo bem, pois o amor é enlouquecer. Cai a sua produtividade no trabalho, você fica mole, dorme mal, vão te seguir, insistir, há quem não aceite ‘não’ como resposta… É um terremoto”, brinca o escritor.
O que aprendemos sobre amor e sexo com Carpinejar
Quer se vingar do namorado? “Não compreendo porque as mulheres insistem em rasgar nossas roupas ou despejá-las andares abaixo. Não há sentido nessa atitude. Elas é que sofreriam com isso, não a gente”. Queimar o álbum completo da Copa de 82 é que “seria imperdoável”.
Não existe justiça no amor. “Por isso, não acredite na frase de sua avó, de sua mãe ou da irmã dizendo que você vai encontrar o homem dos seus sonhos. (…) O amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade”.
O barman é o inimigo público do homem. “Não tem como concorrer com ele: atende ao mínimo sinal, dança, rebola, canta e prepara poções melosas batizadas de filmes românticos. Uma mistura demoníaca de stripper, personal trainer, karaokê e liquidificador, tudo de que uma mulher sente falta em seu marido”. 
Coçar as costas salva um casamento. “Casal do mal espreme as espinhas de sua companhia. Casal do bem coça as costas”.
Para um bom marido, fé. “Não existe paciência, somente fé. Mais da metade de um marido bom é imaginação feminina”.
Não banque o superior após a separação. “Um fica bem, outro fica mal. (…) O que mais sofre é aquele que melhora. Tenta chamar a atenção do ex pela alegria, obcecado em provar o que ele perdeu de viver dentro do casamento”.
Para arranjar um namorado, vá para Bangladesh. “A melhor agência de namoro é comprar uma passagem para bem longe”.
Amantes querem ser monogâmicos. “O trauma dos amantes é que eles não querem ser amantes. Não curtem. É como um torcedor declarar que adora ver o time do coração na série B”.
 
 
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