Bel Sanmax por Bel Sanmax Filmes e séries 23.03.2018 23.03.2018

“O Mecanismo é o House of Cards brasileiro, só que mais sujo”, diz Selton Mello

Não é coincidência que a Netflix tenha escolhido o escândalo brasileiro de corrupção de maior notoriedade da história, a operação Lava Jato, como tema da nova produção original feita no Brasil: O Mecanismo. Nosso país é o terceiro maior mercado da gigante de Streaming, atrás dos Estados Unidos e do México.

A série é produzida e estrelada por alguns dos nomes mais influentes da dramaturgia brasileira atual. Desenvolvida por José Padilha (Tropa de Elite e Narcos, também da Netflix), O Mecanismo reúne a roteirista Elena Soarez (Filhos do Carnaval, Eu tu Eles), o editor e diretor Daniel Rezende (indicado ao Oscar e vencedor do Bafta pela edição do filme Cidade de Deus, e diretor de Bingo, O Rei das Manhãs), e Selton Mello como ator principal (A História da Minha Vida, O Palhaço). O título estreia no catálogo dos 190 países onde está disponível o serviço de Streaming.

“A parte criativa da trama é falar sobre corrupção e guerra de poder, e poder usar a arte na História do Brasil de forma empolgante” – Jonathan Haagensen, que vive um policial na série

A trama é, nas palavras de Padilha, uma “dramatização” dos fatos e entrevistas expostos em Lava Jato, obra do jornalista Vladimir Netto. “A gente partiu desse livro e fizemos a nossa pesquisa também”, explicou Padilha, que conversou com o blog da Saraiva durante o lançamento da série no Rio de Janeiro. O jornalista Vladimir, que se manteve em contato constante com Padilha e Soarez, se prepara para lançar o segundo volume do título, Lava Jato 2.

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Inspirada em fatos quase reais

Jose Padilha, criador de O Mecanismo, Photo: Alexandre Loureiro / Netflix

O Mecanismo, frisam os criadores, não é uma obra documental ou de cunho político. E muito menos trata-se exclusivamente dos bastidores da Lava Jato. Todos os personagens e empresas relacionadas ao escândalo foram rebatizados. Petrobras virou PetroBrasil, e Dilma Rousseff, Janete. Não havia figuras reais da história atuando como consultores no set.

“A série não tem a pretensão de resolver os problemas políticos do país: temos que votar direito, escolher políticos bons e pressionar os juízes para fazer as coisas que precisam ser feitas” – José Padilha

“Não é possível analisar o Brasil sem olhar para ‘o mecanismo’. O que é interessante, que eu acho que se perde nos dias de hoje é que a ‘máquina’, ‘o mecanismo’, não tem ideologia: existe nos governos de esquerda e de direita”, disse Padilha.

“Nos Estados Unidos, por exemplo, existem casos de corrupção. No Brasil, a corrupção faz parte da lógica e cultura do país. A corrupção não é a exceção, ela é a norma” – José Padilha

Segundo Daniel Rezende, que dirige alguns episódios, as trilhas de ‘o mecanismo’ nos rumos da sociedade brasileira geram potencial para outras histórias serem contadas. “Essa série dá espaço a muitas temporadas. Nos inspiramos na Lava Jato, mas estamos muito mais interessados nos dramas de nossos personagens, e como eles lidam com ‘o mecanismo’”, contou. “É uma história que se conecta não só com os cidadãos brasileiros, mas onde quer que no mundo ‘o mecanismo’ atue – e atua no mundo inteiro”, concluiu.

O Mecanismo do Streaming

Selton Mello e Carol Abras no lançamento de O Mecanismo no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Crédito: Bruna Prado / Netflix

Selton Mello, que dirige seu primeiro projeto em inglês em 2018, é quem encabeça o elenco. Ele vive Marco Ruffo, um delegado com vinte anos de carreira na Polícia Federal, em vias de aposentadoria. Ruffo fica obcecado por sua investigação do doleiro Ibrahim, papel de Enrique Diaz. “Esse personagem é como se fosse uma consciência crítica da operação e da série”, contou Selton ao blog. Ruffo não foi inspirado em nenhuma figura real.

Com 35 anos de carreira, o ator, roteirista e diretor se diz empolgado com as possibilidades que trazem a plataforma de Streaming internacional.

“O Mecanismo é uma espécie de House of Cards combinada com Breaking Bad: mais suja, porque não somos tão elegantes. O House of Cards brasileiro é mais ‘pé na porta'” – Selton Mello

“Eu já trabalhei na Globo, na Band, no GNT, que era TV a cabo, e agora estou trabalhando com um outro público. É muito estimulante saber que a série estreia para 190 países”, disse ele, um viciado assumido nas séries de seu novo empregador.

E quais seriam suas favoritas? “Todas! Stranger Things – eu amo aqueles garotos! Adoro The Crown, acho aquela série genial, House of Cards, claro”.

Uma mulher entre muitos

Carol Abras como a delegada Verena. Crédito: Netflix

A série é promovida como se Selton Mello fosse o único protagonista, mas a delegada Verena Cardoni, papel de Carol Abras (Se Nada Mais Der Certo, Gabriel e a Montanha), domina a trama tanto quanto Ruffo, de quem é pupila. Verena é a única personagem feminina em meio ao time de investigadores.

“O que me motivou a fazer a série foi justamente esse lugar de voz, de representar a mulher dentro de um lugar devido e de normalidade dentro da nossa sociedade, que é totalmente díspar e injusta, quando se tem uma opressão histórica (em relação à mulher) na qual devemos repensar. É justamente agora, que estamos repensando isso, e que as mulheres estão sendo ouvidas, que interpretar uma mulher nessa posição é para mim uma satisfação quase pessoal” – Carol Abras

Perguntamos à Carol quais seriam suas expectativas quanto à série e a exposição não só internacional, mas também no Brasil. Verena é sua primeira protagonista nas telinhas nacionais.

“Estou muito acostumada a fazer cinema, que é algo mais artesanal. Ir a festivais (Cannes, Berlim, Veneza) em outros países. Agora, ir diretamente para 190 países é excelente para a nossa cultura, amplificou as nossas vozes. É um produto nosso, nacional, dá uma alegria plena”, comemorou.

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