Ramiro Fajuri por Ramiro Fajuri Livros / Outros 06.07.2020 06.07.2020

O legado de Frida Kahlo

legado de Frida Kahlo

Nascida em 6 de julho de 1907 em Coyoacán, no México, e falecida em 13 de julho de 1954, Magdalena Carmen Frida Khalo y Calderon, ou simplesmente Frida Khalo é a mais conhecida e influente pintora mexicana. Com uma obra de estilo surrealista, à qual ninguém consegue ficar indiferente, o legado de Frida Kahlo é inestimável, não somente para os mexicanos, como para movimentos políticos e sociais em todo o mundo, que têm nela um símbolo.

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Frida Khalo teve poliomielite as 6 anos de idade, e como sequela da doença, ficou com uma lesão no pé direito que lhe rendeu o apelido em espanhol de Frida Pata de Palo, (Frida perna de pau, em Português), e aos 18 anos, sofreu um grave acidente quando o bonde em que estava se chocou com um trem, e ela ficou gravemente ferida, com uma fratura pélvica e forte hemorragia que a deixaram entre a vida e a morte.

Frida ficou meses no hospital, onde passou por 35 cirurgias para reparar os danos do acidente. Foi lá também que ela descobriu seu talento para a pintura, começando a carreira que a tornaria admirada no mundo inteiro. Dos 143 quadros pintados por Frida Khalo, quase a metade, 55 eram auto retratos, em que ela retratava não somente a si mesma, mas sua dor e sua determinação e capacidade de seguir em frente.

Frida e Diego

Frida Khalo e Diego Rivera se conheceram quando ambos militavam no Partido Comunista Mexicano, ao qual ela se filiou aos 21 anos.  20 anos mais velho que Frida e um muralista famoso, Rivera teve grande influência sobre a obra de Frida. Tanto pela decisão de pintar a identidade e o folclore mexicano, como por todas as mágoas que o tumultuado casamento causou a ela.

Frida e Diego tinham um casamento que se poderia chamar de aberto, com traições de ambos os lados. Bissexual assumida, Frida teve casos com várias mulheres, entre elas a cantora e dançarina Josephine Baker, que alguns consideram primeira estrela afro-americana das artes cênicas, embora seu caso mais famoso tenha sido com Leon Trotsky, líder da Revolução Soviética exilado no México.

Mas Diego não deixava por menos, também tinha vários casos, entre eles com Cristina, irmã de Frida, que os teria flagrado juntos e, em desespero, cortado os próprios cabelos e se separado de Diego. Algum tempo depois eles se reconciliariam, mas morariam cada um em sua casa. Embora o casamento fosse aberto, essa traição causou muita dor a Frida, e especialistas em sua obra dizem que essa dor aparece em quadros pintados depois disso.

A morte de Frida Kahlo

Apesar de toda a força de sua personalidade e de sua obra, Frida Kahlo tinha a saúde debilitada como sequela da poliomielite . Em 1950, teve de amputar a perna direita, o que a deixou profundamente deprimida. Em 13 de julho de 1954, aos 47 anos, foi encontrada morta em sua casa. Embora oficialmente a causa da morte tenha sido embolia pulmonar, se discute a possibilidade de uma overdose dos remédios que tomava para lidar com a dor.

Passados mais de 60 anos de sua morte, Frida Kahlo permanece presente, tanto como uma artista plástica reconhecida, cuja obra é de uma qualidade inquestionável, quanto como um ícone que faz parte do imaginário da cultura pop mundial, além de ter se tornado um símbolo para movimentos como o feminismo, o LGBT e até para os Chicanos, os imigrantes e descendentes de latino-americanos nos Estados Unidos.

Porque Frida Kahlo se tornou um ícone feminista

Frida Kahlo era uma mulher empoderada muito antes desse termo ser cunhado e popularizado.  Mesmo tendo sido casada com um artista plástico renomado, Frida Kahlo nunca esteve à sombra de Diego Rivera, muito pelo contrário. Todo o reconhecimento que teve como artista, em vida ou após a morte, foi por méritos próprios. Frida não pedia permissão a ninguém para ser uma artista bem-sucedida.

Frida Kahlo jamais renegou sua feminilidade, mas nem por isso ficava restrita ao comportamento que a sociedade de sua época esperava de uma mulher. Frida lutava boxe, teve muitos amantes, e talvez como uma afirmação de sua liberdade, cultivava hábitos ruins que seriam exclusivos de homens, como fumar e participar dos desafios sobre quem bebia mais tequila.

Frida Kahlo como símbolo LGBT

A liberdade pessoal e sexual que fez de Frida um ícone feminista também a tornou um símbolo dos movimentos LGBT. E não somente pela característica masculina que gostava de valorizar, o famoso bigode. Em uma época em que isso era um grande tabu, Frida Kahlo nunca escondeu sua bissexualidade, ou teve vergonha dela.

Frida Kahlo e o México

Para muitos mexicanos, tanto os que vivem no México, como fora dele, Frida Kahlo é idolatrada, por causa de sua paixão por sua identidade mexicana, sua afiliação ao que ela chamava de la raza e seu “espírito revolucionário”.  Muitos artistas plásticos mexicanos incluíram a icônica imagem de Frida em suas obras, como uma homenagem a ela e à sua profunda ligação com o México.

Frida Kahlo na Cultura Pop

A imagem de Frida Kahlo faz parte de tantos movimentos políticos e culturais que ela acabou extrapolando seu próprio significado, se tornando um ícone da cultura pop, conhecido por adultos e crianças em todo o mundo, mas sempre lembrada como a grande pintora mexicana. Além de seu rosto em pôsteres e camisetas, Frida fez até uma ‘participação’ na animação da Disney Viva, a vida é uma festa. Uma justa homenagem.

 

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