Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 27.03.2010 27.03.2010

O legado da Legião

Renato Russo faria 50 anos neste sábado. Um livro de contos (inspirados em letras do cantor) está sendo lançado hoje para marcar a data. Um disco de duetos vai chegar às lojas nos próximos dias. Um DVD com clipes está sendo produzido para os próximos meses. Sem falar nas próximas reedições (em vinil e em embalagem digipack) dos álbuns de estúdio da Legião Urbana. Enfim, nunca irão faltar produtos que alimentem o culto a Russo, morto em 1996. São as leis imutáveis do mercado. Acima dessas leis, no entanto, paira a obra imortal do artista. Renato Russo elevou o nível poético do rock brasileiro desde que apareceu em escala nacional, em 1985. Quem dera a juventude de hoje ligasse o rádio e ouvisse músicas como Tempo Perdido, Será, Soldados, Índios, Há Tempos e tantas outras!! Consumidor voraz de literatura e poesia, Russo falava de amor, sexo, política, família e religão de forma elaborada e, por vezes, profunda. Era preciso prestar atenção nas letras. E muita gente prestava. Multidões, aliás. Tanto que a figura do legionário foi adquirindo progressivo caráter messiânico (a ponto de público e artista por vezes perderem o controle nos shows). E o fato é que, hoje, quando se fala de Russo por conta dos 50 anos que ele não chegou a completar (morreu cedo, aos 36), fica a certeza da perenidade de sua obra. Suas músicas eram atuais nos anos 80, continuaram atuais nos 90 e permanecem atuais nos anos 2000. Daqui a 50 anos, haverá quem se depare com suas letras. E esse alguém, embevecido, constatará que o rock brasileiro já viveu dias de alta dimensão poética. Viva Renato Russo!

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