Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Outros 18.10.2011 18.10.2011

O ilustrador de games Mathias Verhasselt conta como se tornou o grande nome da concept art

Por Sarah Corrêa
Na foto, o ilustrador de arte conceitual, Mathias Verhasselt
 
 
Um metro e noventa de altura, olhos grandes e azuis, sorriso tímido e discurso concentrado. Aos 29 anos, Mathias Verhasselt guarda dentro de si o menino, que aos dez anos de idade ganhou um Master System, um dos consoles clássicos dos anos 90.
Em seu caderno de desenhos, Mathias passava o tempo rabiscando o personagem Sonic. Anos mais tarde, o menino oriundo de uma pequena cidade do Sul da França seria contratado da Sega, empresa responsável pela criação do Master System.
Hoje, Mathias mora em Irvine (California/ EUA) e desenvolve grandes personagens para a Blizzard Entertainment. Com sua concept art (ilustrações conceituais feitas dentro da etapa criativa da obra – filme ou game), o francês convidado da Pixel Show, que rolou neste final de semana na capital paulista, conversou com o SaraivaConteúdo.

Você teve uma adolescência nerd, do tipo que só estudava, ficava em casa?

Verhasselt. Eu era uma criança muito criativa, não era muito sociável. Com o tempo, passei a ter mais contato social. Mas eu ficava muito em casa, brincando com meus irmãos. Como todas as crianças, eu gostava muito de desenhar.
Você cresceu na França, certo? E como esta cultura tão norte-americana te pegou?
Verhasselt. Como sabemos, os EUA influenciam tudo. Especialmente, pra mim, que cresci em uma cidade muito pequena, próxima à Marseille e Avignon. Então, eu assistia a filmes que vinham de lá, jogava os jogos de lá. Minha cidade não proporcionava muitas coisas pras crianças, então, acho que isso também contribuiu para que eu me dedicasse cada vez mais aos meus desenhos. Mas nunca sai da minha cidade. Passei a adolescência lá.
 
'The Umbrella Girl' – além das criações para os famosos jogos épicos de videogame, Mathias também tem suas influências impressionistas, inspiradas em Monet
Quando você se mudou para os EUA?
Verhasselt. Foi há quatro anos e meios, quando fiz minha primeira entrevista na Blizzard. Aí, tive que me mudar pra Califórnia.
E seu primeiro videogame foi um Atari?
Verhasselt.  Não! Quando eu tinha dez anos, ganhei um Master System, da Sega!
Uau! Esta história é até meio mágica, porque anos mais tarde você foi trabalhar justamente na Sega.
Verhasselt. Sim. E, na verdade, quando eu era um garoto, o personagem de videogame que eu mais gostava era o Sonic. Lembro que minha mãe me deu um caderno, no qual eu desenhava muito e dentre estes rabiscos eu rascunhava níveis de desenvolvimento de design para o Sonic. Parece até meio nerd isso [risadas].
É curioso saber que desde sua infância você já pensava em designs mais sofisticados para o Sonic. Imagino que você usava papel e lápis. Mas quando ocorreu esta passagem para as artes digitais?
Verhasselt. Meu pai era um homem muito ligado à tecnologia. Desde criança, tínhamos computador em casa. Imagina isso na década de 80! E eu comecei a me interessar por programação desde cedo. Foi assim que tive meu primeiro contato com esse universo. Mas na época, não podia desenhar no computador, porque nem mouse existia. Um pouco mais tarde, foi lançado o Windows e aí veio o Paint. Então, passei a fazer alguns desenhos bem básicos. Muitos anos mais tarde, descobri um tablet, em 2001. E ai sim eu mergulhei de vez na criação digital.
Você tem apenas 29 anos e acumula uma vasta experiência em sua área. Já passou por empresas como a Sega e hoje faz parte do time da Blizzard. Como ocorreu o interesse das grandes empresas pelo seu trabalho?
Verhasselt. Na época que comecei a usar o tablet e a desenvolver personagens em 3D, descobri um site chamado sijun.com. Lá, os artistas postavam seus trabalhos e eu usava este site para mostrar minhas coisas. Nele também aprendi muito com outros artistas que apresentavam seus trabalhos e portfólios. Por eu ter vindo de uma pequena cidade, eu era o único garoto lá a fazer o que fazia, então não tinha com quem trocar estas experiências. O Sijun realmente foi esta plataforma pra eu conhecer outros artistas, como o Sparth, que é um ilustrador digital muito talentoso.
 
Trabalho em 3D –  uma das primeiras técnicas usadas por Mathias
Você também se especializou em uma arte chamada matte painting, ou seja, na criação de cenários estáticos e épicos para os jogos de vídeo game e para grandes produções hollywoodianas…
Verhasselt. Sim, sim. Mas trabalhei com esta arte só por um ano. É interessante criar estes cenários, seja pros jogos ou para as produções de ficção científica. Mas é um trabalho muito técnico, que você acaba quase que fazendo uma cópia do real, tem que pesquisar por influências históricas e tal. Meu negócio mesmo é o conceitual, que é o que eu faço agora.
Quando você não está na Blizzard, o que costuma fazer pra se divertir? E quais são seus planos?
Verhasselt. Eu gosto de sair com meus amigos. Queria focar um pouco do meu tempo a projetos pessoais, porque hoje me dedico muito na questão técnica dos desenhos. Gostaria de fazer um livro de ilustrações. Está entre os meus planos, mas preciso me dedicar.
Se fosse para você dar um conselho para os jovens ilustradores que um dia gostariam de ser um Mathias, o que você diria?
Verhasselt. Eu acho que é uma profissão muito legal. Dentre as profissões da indústria do entretenimento, como ator, diretor, esta é muito bacana porque você trabalha diretamente com o processo criativo. Mas há muita competição, muita gente quer fazer isso e há poucas vagas. E com a era da internet, onde se tem uma oferta muito grande de informação e qualquer pessoa de qualquer parte do mundo tem acesso a este conteúdo, então todos estão no mesmo patamar. Mas se você trabalhar duramente, aprender de forma inteligente e se dedicar muito aos níveis mais básicos do design, você pode chegar lá!
 
 
Confira o trailer do jogo World of Craft: Wrath of the Lich King Cinematic – cenário desenvolvido por Mathias Verhasselt
 
 
 
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