Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 05.06.2013 05.06.2013

O Grande Gatsby: quando Luhrmann encontra Fitzgerald

Por Edu Fernandes
 
O cinema é uma linguagem coletiva e, por isso, seu resultado final depende do casamento das ideias das partes envolvidas. Nesse sentido, o visual vibrante e pop do diretor Baz Luhrmann, em um primeiro momento, parece não combinar com a história escrita por F. Scott Fitzgerald no romance O Grande Gatsby, publicado originalmente em 1925. A nova adaptação chega aos cinemas brasileiros em 7 de junho.
No passado, o realizador já deu uma repaginada em outro texto clássico. Romeu + Julieta (1996) transporta a peça de Shakespeare para os dias atuais sem alterar os versos originais da tragédia.
A história de O Grande Gatsby é contada pelos olhos de Nick (Tobey Maguire, de Entre Irmãos), um aspirante a escritor, como Christian de Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001). O vizinho de Nick é um homem misterioso chamado Jay Gatsby, vivido por Leonardo DiCaprio, que retoma a parceria com Luhrmann quase 20 anos depois de Romeu + Julieta.
Gatsby é apaixonado por Daisy (Carey Mulligan, de Shame), uma mulher casada. Amores proibidos são uma constante na obra de Baz, assim como o encontro (desastroso) entre classes sociais opostas. Essa última característica é mais marcante em Austrália (2008).
Toda essa narrativa se passa nos Estados Unidos dos anos 1920, antes da quebra da Bolsa de Nova York, uma época em que muitos ganhavam fortunas no mercado de ações. Esse cenário cai como uma luva para o estilo espalhafatoso de Baz Luhrmann. Prova disso é que Moulin Rouge se passava na França do final do século XIX, um período glamoroso conhecido como belle époque.
 
O colorido fica evidente nas cenas de festas de O Grande Gatsby
Gatsby sedia grandes festas em sua mansão, regada a bebida ilegal e com a presença de pessoas famosas e infames. Nesses eventos, o cineasta pôde extrapolar em cores, coreografias e efeitos, com direito a confetes e roupas extravagantes.
Tais sequências se parecem com o baile de máscaras em que Romeu conhece Julieta ou com os números musicais de Moulin Rouge. A propósito, a estreia de Baz na direção de longas foi com outro título no qual a dança desempenha importante papel. Vem Dançar Comigo (1992) é uma produção australiana que se desenvolve durante um campeonato de dança.
De volta às roupas de gala: para manter o alinhamento com a realidade da época de O Grande Gatsby, os figurinos femininos são mais coloridos e brilhantes. Por outro lado, a ala masculina esbanja chapéus e acessórios para inovar o visual de suas roupagens mais sóbrias.
 
Figurinos são marcantes no filme
CORTES E MÚSICA
Na parte técnica dos filmes, uma marca registrada do diretor é a opção por uma edição muito ágil, com cortes bruscos. Dessa maneira, criam-se cenas estroboscópicas que em alguns momentos entram em conflito com o 3D do longa. Na passagem entre cenas, a edição explora recursos criativos que também podem ser conferidos em outros trabalhos de Luhrmann.
O lado mais positivo é que esse estilo de montagem, por se aproximar da linguagem de videoclipe, permite que a trilha musical tenha canções mais modernas do que as do período histórico retratado. Esse aspecto é o ingrediente mais sedutor de Moulin Rouge e é repicado em O Grande Gatsby. Assim, os fãs do cineasta podem aproveitar as vozes de Beyoncé, Lana Del Rey e Jay Z, entre outros, nas músicas da trilha.
O elenco do filme ainda traz participações de Joel Edgerton (A Hora mais Escura), Isla Fisher (Quatro Amigas e um Casamento) e Elizabeth Debicki (A Few Best Men).
 
Veja o trailer de O Grande Gatsby:
 

 
 
 
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