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“O final do filme foi escrito especialmente para Ney Matogrosso”, diz diretora de ‘Luz nas Trevas’

Por Edu Fernandes

 
O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, é um dos marcos do cinema nacional. Décadas depois, chega aos cinemas brasileiros a sequência dessa história: Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, que estreia comercialmente dia 11 de maio.
 
A diretora Helena Ignez (Canção de Baal), viúva de Sganzerla, contou ao SaraivaConteúdo o histórico do filme. “Rogério nos deixou em 2004, com esse roteiro praticamente pronto”, disse. “Em 2009, começamos a filmar. Em 2010 e 2011, o filme circulou em festivais, com boa recepção”.
 
A carreira do filme pelo circuito de festivais foi frutífera. Entre os prêmios que o longa coleciona destaca-se o Boccalino D'Oro, entregue ao melhor filme do Festival de Locarno, na Suíça.
 
Entre os elementos que necessitavam ser trabalhados no roteiro original está o desfecho. “O final do filme foi escrito especialmente para Ney Matogrosso”, afirmou Ignez.
 
A produção conta a história de Tudo ou Nada, filho do verdadeiro Bandido da Luz Vermelha. Ele tenta construir para si uma fama maior do que a obtida por seu pai.
 
Matogrosso já tem experiência como ator em filmes como Sonho de Valsa e Diário de um Novo Mundo. Em Luz nas Trevas, ele vive o Bandido, que tem para si uma cela particular no presídio. “Ney tem o jeito e o movimento certo para o personagem”, explicou a diretora. “Eu queria que o Bandido fosse um antimacho”.
 
“Trabalhar com Ney foi uma direção pela inteligência”, relatou. “Eu dizia para o Ney ser ele mesmo, porque assim ele seria o bandido”.
 
No elenco ainda estão André Guerreiro Lopes (Um Par), no papel de Tudo ou Nada, e Djin Sganzerla, no papel de “uma bandidinha com sinceridade brutal”, nas palavras da cineasta.
 
“A escolha do elenco foi na base da admiração e amizade”.
“Temos atores de escolas e estilos muito diferentes, o que foi muito bom e divertido, mas tivemos de achar um tom para que todos se alinhassem”, explicou o diretor Ícaro Martins (Estrela Nua).
O cineasta falou sobre como é ter dois diretores no set de filmagem. “
Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes contracenam em Luz nas Trevas
 
Trabalhar em dupla é apenas uma forma de trabalhar”, disse. “A preparação é muito importante, desde a formatação do projeto. Tem que entrar no roteiro e viajar. Essa é a maneira mais sincera de trabalhar”.
 
Para aliar seu estilo de cinema ao universo de Rogério Sganzerla, Ícaro afirma que a identificação foi fundamental. “Sou da geração que resolveu fazer cinema depois que viu O Bandido da Luz Vermelha”, contou.
 
“Quando eu li o roteiro, vi que tinha tudo a ver comigo, antes mesmo de ser chamado para codirigir. A questão é ter a humildade de se aliar à proposta, entrar na parceria. Precisa afinar e tocar junto. Com isso, tudo flui naturalmente”.
 
Por ser filha de Rogério, para a atriz Djin Sganzerla (Falsa Loura) a identificação partiu de casa. “Trabalhar em algo tão próximo à minha família é maravilhoso”, falou Djin. “É motivo de orgulho e alegria. É muito bom quando a gente acredita na obra e o resultado final é digno de admiração”.
 
A atriz relatou que tanta proximidade não foi motivo de apreensão. “Esse olhar de respeito sempre existiu, mas no set tudo é criado na hora”, disse. “Sinto muita alegria em dar continuidade à obra de Rogério Sganzerla”.
 
Por sua vez, André Guerreiro Lopes usou referências para criar seu personagem. “Meu trabalho foi mergulhar no roteiro e nos filmes do Sganzerla”, disse o ator.
 
“No processo de invenção do personagem, eu tingi meu cabelo de loiro e fui para a rua. Passei por favelas, pelo centro de São Paulo, por fliperamas… Eu não tinha que imitar o bandido do filme anterior, o que me deu uma liberdade muito grande. Ele pode ser cafona e inconveniente”.
 
A parceria de Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha também rendeu outros frutos. Em 17 de maio, Djin Sganzerla reestreia a peça 'O Belo Indiferente' no centro de São Paulo, sob a direção de Helena Ignez e André Guerreiro Lopes. O espetáculo fica em cartaz no espaço Sátiros por dois meses.
 
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