Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 13.08.2013 13.08.2013

O fim do mundo de Rick Yancey tem aliens como inimigos e uma regra: não confiar em ninguém

Por Carolina Cunha 
 
O escritor Rick Yancey acredita que não estamos sozinhos no universo. Tudo começou quando ele assistiu a uma entrevista com Stephen Hawking, na qual o astrofísico dizia que se os extraterrestres nos visitassem, o melhor a fazer seria não falar com eles. Porém, morando na ensolarada Miami (EUA), Yancey apenas pôde imaginar o que aconteceria se os ETs invadissem a Terra.
 
A experiência resultou na série A 5ª Onda, que acaba de ser lançada no Brasil pela editora Fundamento. Na história de Yancey, a protagonista é Cassie, uma garota de 16 anos que vê sua vida mudar depois que alienígenas invadem o planeta e espalham o terror em cinco ondas de ataque. Nesse novo mundo devastado, qualquer um pode ser o inimigo.
 
Como escritor, Yancey conquistou uma carreira bem sucedida com histórias cercadas de mistérios e intrigas, como é o caso de As Extraordinárias Aventuras de Alfred Kropp (2008, Objetiva), a série O Monstrologista (2011), A Maldição do Wendigo (2012, Farol), títulos já lançados no Brasil, entre outros.
 
Com o sucesso de A 5ª Onda nas livrarias, lançado em maio de 2013, em breve a série vai parar no cinema. Seus direitos foram vendidos para a Sony Pictures/GK Filmes e a roteirista que deve tocar o projeto é Susannah Grant (28 Dias e Erin Brockovich). Em entrevista exclusiva para o SaraivaConteúdo, o escritor fala sobre o livro e os desafios de escrever uma distopia.
 
Veja o book trailer:
 
 
 
 
Você já disse que o maior medo da sua esposa é ser abduzida por um alienígena. O que você faria se aliens invadissem o seu doce lar?
 
Rick Yancey. Primeiro, eu pediria desculpas à minha mulher por duvidar que um dia os aliens se importariam em invadir o nosso planeta. Depois, eu me mandaria para um lugar bem escuro para me esconder, como uma barata faz. Porque é isso o que eu seria para eles.
 
Esses caras não são ETs fofos que chegam dirigindo uma bicicleta. Por que querem matar os humanos?
 
Rick Yancey. Você escolheu uma nova casa. Antes de se mudar, descobre que a sua linda moradia está infestada de vermes. O que você faz? Diz para si mesmo “Ahhh, essas criaturas nojentas são incompatíveis comigo, mas mesmo assim eu vou morar com elas, apesar do fato de que eles não vão gostar e tornarão a minha vida miserável”. Ou… você chama o dedetizador para limpar o lugar e se livrar dessas pragas? Esse é o meu ponto de partida para A 5ª Onda.
E por que eles fazem isso em ondas?
 
Rick Yancey. Para espécies mais avançadas, nos seríamos as pragas. A ideia das ondas começa pelo fato de que o número de nossas espécies está na casa dos bilhões, espalhadas por todos os continentes. Querem se livrar de nós, mas eles precisam do nosso planeta como casa e devem preservar a Terra, cuidando para fazer o menor dano possível. Cada onda é projetada para acabar com a população humana sem danificar para sempre o planeta.
 
Por que você escolheu escrever a história de diferentes pontos de vista? Como homem, foi difícil estar dentro da cabeça de uma garota, imaginar seus medos e dilemas?
 
Rick Yancey. Estamos falando da aniquilação do ser humano – é uma grande história e eu pensei que um simples ponto de vista ficaria muito claustrofóbico. Eu queria a intimidade e o imediatismo da primeira pessoa, embora alternando outros pontos de vista. Fiquei preocupado no início, mas fui relaxando assim que sua personalidade e história se sobrepuseram. Ela é muito real para mim, independente de ser mulher.
 
Cassie é uma personagem forte e vulnerável. O que você mais gosta nela?
 
Rick Yancey. Sua ferocidade. Há uma pureza nela. Ela é pura em seu amor, em sua raiva, no desejo de sobreviver apesar dos fatos. Ela não é uma super-heroína, é apenas uma garota normal que foi jogada em circunstâncias extraordinárias.
 
Capa do livro A 5ª Onda, primeiro de uma trilogia

Depois de ler o livro, a gente pensa que quando o mundo está prestes a explodir, alguns seres humanos podem ser mais assustadores do que aliens. O que podemos aprender sobre isso com os protagonistas?

 
Rick Yancey. Todos eles devem encontrar a sua própria resposta para a pergunta existencial representada pela invasão. Não vou viver? Mas por que eu deveria viver? Evan [um dos personagens] coloca isso de outra forma: "Para aguentar, você tem que encontrar algo por que vale a pena morrer”.

Romances como O Jogo do Exterminador e Jogos Vorazes também falam de temas que você aborda. Do que essas histórias dependem para serem uma boa história?

 
Rick Yancey. Uma boa história é uma boa história, não importa o gênero. Nós nos importamos com personagens realistas, conflitos, boa escrita. Livros que trazem cenários de fim de mundo sempre vão interessar, especialmente em tempos de ansiedade. Jogos Vorazes surgiu nas vésperas de uma crise econômica mundial, era um momento muito difícil.

E o que você pode nos contar do livro que dá sequência a ?

 
Rick Yancey. Há uma abundância de aliens e ação. Essa história é, naturalmente, mais sobre nós do que sobre eles. Trago mais informações sobre o que resta do que sobre o que está destruído. Mais informações sobre o risco de ser humano em um mundo cada vez mais desumano.
 
 
Recomendamos para você