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“O filme fala de amadurecer”, diz Julia Rezende sobre ‘Ponte Aérea’

Por Edu Fernandes
 
O amor é um sentimento universal, mas a forma como ele é encarado varia de acordo com as pessoas envolvidas, o lugar e o tempo. Tendo em vista as histórias amorosas da contemporaneidade, a diretora Julia Rezende (Meu Passado me Condena) escreveu o filme Ponte Aérea (Paris/Downtown/Paramount), cujas gravações terminaram em junho.
Para criar o roteiro, a realizadora baseou-se nas ideias do livro Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (Zahar), do sociólogo Zygmunt Bauman. A obra explica como funcionam os relacionamentos em um contexto social complexo, que flexibiliza os sentimentos.
A história do longa é sobre um artista plástico carioca (Caio Blat, de Xingu) e uma publicitária paulista (Letícia Colin, de Bonitinha, mas Ordinária) que se conhecem durante um voo de avião. Na primeira noite, os personagens sentem uma atração irresistível, mas não sabem se isso será suficiente para construir um relacionamento estável.
Ponte Aérea deve estrear em março de 2015 e traz no elenco Emílio de Melo (Cazuza: O Tempo não Para), Felipe Camargo (Giovanni Improtta), Gabriela Rocha (As Melhores Coisas do Mundo), Martha Nowill (Nome Próprio) e Silvio Guindane (Disparos).
Julia Rezende recebeu o SaraivaConteúdo no set de gravação e conversou sobre sua produção. A diretora falou sobre o amor líquido no cinema, os atores e seu futuro profissional.
 

Personagens do filme Ponte Aérea
Por que você quis fazer um longa sobre o amor desta geração?
Julia Rezende. Não há nenhum filme brasileiro que remeta diretamente a isso, algo tão dessa geração. Acima de tudo, o filme fala de amadurecer, com personagens opostos. Ele tem o pai doente no hospital e descobre a existência de um irmão mais novo. As novas responsabilidades o fecham cada vez mais. Ela é uma mulher muito enérgica e ansiosa, está o tempo todo acelerada. Por isso, nas cenas em comum, está cada um em um tempo, em um ritmo.
Existem filmes estrangeiros que falam do assunto e serviram de referência para você?
Julia Rezende. A principal referência é Apenas uma Noite; ele fala muito do que eu quero discutir no meu filme. Os personagens se amam e ao mesmo tempo falham um com o outro. Tem também 500 Dias com Ela, que traz um pouco dessa questão, mas com um pouco mais de romantismo, porque o protagonista é o menino ideal.
 

Cena do filme Apenas uma Noite (2010)
Você quis fazer um romance com esse tom logo depois de Meu Passado me Condena para não ficar marcada apenas com comédias?
Julia Rezende. Na verdade, Ponte Aérea era para ser o meu primeiro filme. Trabalhamos por quatro anos no roteiro, mas surgiu a oportunidade de fazer Meu Passado me Condena e adiamos o cronograma. Esse tempo acabou sendo importante para amadurecer um pouco e conseguir fazer um filme mais pessoal e mais seguro.
Como se deu a escolha dos atores para o casal?
Julia Rezende. Eu sempre quis que o protagonista fosse o Caio, e eu dei o roteiro para ele ler três anos atrás. Apesar de trabalhar com muitos filmes com cenas violentas, ele tem uma leveza que seria interessante para deixar o filme mais complexo. Já a Letícia foi uma surpresa maravilhosa. A gente não se conhecia, mas desde a primeira leitura ela me encantou com uma energia jovem. Isso é importante para a personagem, que começa a história com um comportamento mais solar.
Depois de Ponte Aérea, você filma Meu Passado me Condena 2. Como está esse projeto?
Julia Rezende. O plano é filmar em dezembro para estrear em junho de 2015. Agora Fábio e Miá vão morar na casa da mãe dela, mas a sequência não vai dialogar tanto com a série quanto no primeiro filme. Estamos ajustando o roteiro e possivelmente vamos filmar algumas cenas em Portugal.
 
 
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