Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 20.06.2014 20.06.2014

“O filme é forte e questionador”, diz Fernando Alves Pinto sobre ‘Jogo das Decapitações’

Por Edu Fernandes
 
“O filme é isso: raiva. Raiva da minha geração”, afirmou o diretor Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável) sobre Jogo das Decapitações (Pandora) durante a apresentação do filme no Festival do Rio 2013. Em seu novo trabalho, o cineasta questiona o posicionamento atual daqueles que lutaram contra a ditadura militar em sua juventude. A estreia comercial se dá em 19 de junho.
O longa mostra ex-militantes que agora exigem indenizações do governo por conta da tortura que sofreram na prisão, mas seguem alheios a outras mazelas da sociedade. Em um momento em que as pessoas vão às ruas fazer suas reivindicações, o roteiro traz reflexões propícias. Em uma coincidência estranha, a sessão do filme na mostra carioca se deu em um Cine Odeon sitiado, com manifestações e repressão policial na Cinelândia enquanto a produção era projetada na tela.
O protagonista de Jogo das Decapitações é Leandro, um estudante de mestrado vivido por Fernando Alves Pinto (2 Coelhos). Ele pesquisa grupos revolucionários que atuavam durante a ditadura militar e entra em contato com um filme censurado dirigido por seu pai (Paulo César Pereio, de O Gerente), um cineasta marginal. A obra suscita perguntas complexas na mente de Leandro.
Fernando Alves Pinto conversou com o SaraivaConteúdo sobre Jogo das Decapitações durante o festival Olhar de Cinema. O ator esteve no evento curitibano para falar sobre atuação em cinema.
 

Filme trata tortura com ironia
Como você definiria Jogo das Decapitações?
Fernando Alves Pinto. O filme é forte e questionador. É interessante como ele questiona o saudosismo e a incongruência do capitalismo. Toda obra do Bianchi é assim, ele cutuca de todos os lados.
E como foi trabalhar com uma figura tão polêmica quanto Sérgio Bianchi?
Fernando Alves Pinto. Eu só conheci o Bianchi de perto agora, por causa desse filme. No set, ele é agradável e gentil. O jeito como ele filma é maravilhoso. Ele diz que não sabe dirigir ator, mas é mentira. A gente conversa muito antes de executar o que ele propõe. Ele dá liberdade para o ator criar nessas conversas que temos antes de filmar. Esse processo é bom, porque dá uma base filosófica forte para o trabalho.
 

Silvio Guindane em cena do filme Jogo das Decapitações
Você se identifica com o personagem que interpreta?
Fernando Alves Pinto. Eu cresci em uma família de esquerda, mas o lado da minha mãe tinha uma ligação direta com o governo militar. De forma geral, era uma tradicional família paulista. Como eu fui criado da mesma maneira que o personagem, temos coisas em comum.
Como é dar voz a um roteiro com assuntos tão delicados, especialmente em um momento em que a sociedade está rediscutindo sua posição política?
Fernando Alves Pinto. Tinha momentos em que eu não acreditava que poderíamos fazer um filme bom. As coisas pareciam não fazer sentido, mas no final dá certo, porque o Bianchi é um cara muito inteligente. Só acho uma pena que o filme não tenha um pouco mais de efeito, que tenha queimado mais palha e provocado mais em seus temas.
Veja uma cena do filme Jogo das Decapitações:
 

 
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