Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Sem categoria 05.10.2014 05.10.2014

O eSport das massas

Por André Cordeiro
 
Já pensou se você pudesse trabalhar e ganhar dinheiro jogando videogame? Pois é isso o que faz uma centena de garotos (sortudos) entre 17 e 25 anos, integrantes de equipes profissionais de esporte eletrônico¬, conhecidos também como eSports. Apesar do nome diferente e de não parecer uma prática esportiva para a maioria das pessoas, eles contam cada vez mais com uma estrutura digna de grandes competições atléticas.
 
Lá fora, campeonatos de games como League of Legends(ou LoL, como é chamado pelos íntimos) atraem multidões pela internet, premiações milionárias e chamam a atenção de marcas como a Coca Cola. Em 2013, por exemplo, a final do campeonato mundial de League of Legends foi disputada na Staples Center, arena de Los Angeles acostumada a receber shows de ídolos pop e jogos da NBA. Na ocasião, 18 mil pessoas assistiram à disputa na arena, e mais 32 milhões de espectadores pela internet, ao vivo.
 
Em 2014, a final mundial acontece em Seul, na Coreia do Sul – mais especificamente, no SangamStadium, estádio que recebeu a abertura da Copa do Mundo de 2002. Além disso, a disputa tem sabor especial para os brasileiros: é a primeira vez que um time do País (a KaBuM e-Sports, de Limeira) se classifica para a elite mundial de League of Legends, disputando com outros 15 times o título e o prêmio de US$ 2 milhões. Para chegar até lá, o time da KaBuM teve de vencer o campeonato brasileiro de League of Legends, sob os olhos de mais de 6 mil pessoas que lotaram o Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.
 
TALENTO “TIPO” EXPORTAÇÃO

Com prêmios cada vez maiores, também cresceu o interesse dos fãs e o nível de estrutura das equipes, tanto lá fora como no Brasil. “Em 2012, o campeonato brasileiro de League of Legends tinha 200 espectadores ao vivo. Em 2014, foram mais de 6 mil”, diz o jogador Gabriel Santos, o Kami, da paiN Gaming, um dos principais times do País.
 
Terceira colocada em 2014, e campeã nacional em 2013, paiN Gaming foi pioneira ao adotar por aquias chamadas ‘gaming houses’, dando casa, comida e roupa lavada para seus atletas em um sistema de concentração digno de seleções que disputam a Copa do Mundo. “Nosso time tem jogadores de Pernambuco, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Com a casa, podemos acompanhar o trabalho deles e dar condições melhores para que eles vençam”, conta Arthur Curiati, fundador da paiN Gaming, cuja ‘casa de jogo’ fica no seleto Jardim Europa, em São Paulo.
 
Com capacidade para receber até quinze pessoas, a residência tem clima de república universitária e abriga o catarinense Kami,Thúlio ‘SirT’ Carlos, que vem de Recife, Whesley ‘LeKo’ Holler, natural de Foz do Iguaçu (PR), e os coreanos Han ‘Lactea’ Gihyun e Kim ‘Olleh’ Joo-sung, importados pelo time para elevar o nível do eSport por aqui — na Coreia do Sul, eSport é algo tão popular que as partidas de games são transmitidas até na TV aberta, e ser um bom jogador pode ajudar um jovem a ingressar na universidade.
 
“A vinda dos coreanos é muito boa para o mercado. Há preconceito, mas é como no futebol, que leva estrangeiros para vários países”, diz Curiati. Para os atletas, a chegada dos asiáticos elevou o nível dos gamers brasileiros. “Como nós treinamos contra os outros times, a habilidade dos coreanos fez os outros times quererem melhorar, o que só torna o LoL brasileiro melhor”, diz Kami.
 
Já para os coreanos, que jogavam juntos antes de vir ao Brasil, a experiência tem sido divertida. “Perguntei para o Lactea se ele queria vir para o Brasil viver uma aventura. Foi como nós viemos parar aqui”, diz Kim “Olleh” Joo-sung. Segundo os colegas de time, a adaptação dos asiáticos tem sido fácil: “eles já andaram mais de metrô que todos os brasileiros do time juntos”, brinca Kami.
 
VIDA DE ATLETA

“Morar junto é muito melhor, porque você vive o jogo o dia todo”, explica Whesley “Leko” Holler. Normalmente, o dia na casa da paiN Gaming começa por volta das 10h da manhã, quando os atletas acordam, tomam café e vão à academia. Depois de malhar, almoço e descanso. A partir das 15h, eles iniciam os treinos práticos, realizados contra outros times do País.A primeira bateria de treinos costuma ir até às 18h, quando os jogadores fazem uma pausa para comer e relaxar um pouco, mas as atividades práticas continuam às 19h, e costumam ir até às 22h, quando os jogadores são liberados. “Mesmo assim, a gente continua jogando até o começo da madrugada”, explica Thúlio“SirT” Carlos.
 
                                                                                                                                                    Kiko Ferrite
Com premiações milionárias, estrutura profissional e muitos espectadores, campeonatos de games se tornam coisa séria no Brasil e no mundo
 
Nos finais de semana, a rotina é mais leve: aos sábados, os treinos começam mais cedo e vão até às 17h, e no domingo há folga. Nas horas vagas, o time costuma ficar em casa vendo filmes, seriados ou jogando ainda mais. E viver longe dos pais não dá saudade? “No começo foi difícil, mas hoje é tranquilo. Minha mãe ficou um pouco receosa por eu sair de casa, mas hoje ela até entende o jogo e torce muito”, diz Kami, que acredita que o jeito mais fácil de entender o LoL é pensá-lo como uma mistura de futebol com xadrez.
 
A fórmula também é utilizada por Roberto Iervolino, gerente geral da Riot Games, responsável por League of Legends. “É um jogo que tem uma dinâmica de futebol, por ser um jogo coletivo, misturada com a estratégia de xadrez. Você tem um mapa, com cinco jogadores contra cinco jogadores, e é preciso sair da sua base, chegar à base inimiga e dominá-la”, explica ele sobre o game, um negócio milionário —em 2013, o faturamento da Riot Games, chegou a US$ 927 milhões. Segundo dados da empresa, mais de 67 milhões de pessoas jogam o game mensalmente no mundo, e 27 milhões delas jogam todos os dias.
 
PLANOS PARA O FUTURO

Todos os integrantes do time têm o Ensino Médio completo —SirT e Leko chegaram até a começar a faculdade, mas não conseguiram conciliar o game com seus estudos. “Minha mãe queria que eu priorizasse os estudos, mas disse para ela que eu preferia aproveitar o momento”, conta Kami, que diz não saber até quando vai sua carreira — a maioria dos jogadores costuma se aposentar a partir dos 25 anos.
 
Enquanto isso, eles fazem planos para os próximos anos e vão guardando o dinheiro que ganham. E não é pouco: além de morarem de graça na gaming house, os rapazes recebem uma ajuda de custo que gira em torno de R$ 1,5 mil mensais, mais ganhos com as premiações dos campeonatos e também com as transmissões de seus jogos no Twitch para um público que costuma ficar entre 10 mil e 20 mil pessoas.
 
Ao todo, um jogador profissional popular consegue amealhar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês. Hoje, a equipe da paiN Gaming se mantém apenas com patrocinadores, entre eles a Saraiva.
 
QUATRO DÉCADAS DE HISTÓRIA

Dito dessa maneira,pode parecer que League of Legends apareceu do nada, mas ele é resultado de uma trajetória que tem quatro décadas de história. As primeiras competições de games datam dos anos 1970, com torneios amadores sendo exibidos na TV americana. Entretanto, foi só no fim dos anos 1990, com a criação e a popularização de jogos multiplayeron-line (isto é, que podem ser jogados pela internet por várias pessoas) em ambientes competitivos, que os eSports viraram coisa séria.
 
Um desses principais jogos foi Counter-Strike, responsável pela febre das LAN Houses no começo dos anos 2000. Espécie de "polícia e ladrão" dos jogos, onde duas equipes armadas se enfrentavam em mapas de cidades, favelas e outros cenários, Counter Strike foi responsável por criar competições organizadas e as primeiras premiações do gênero, como computadores e cheques em dinheiro. "O Counter Strike foi quem começou tudo. Sem ele, a gente não chegaria onde está hoje", diz Bruno 'bit1' Lima, tricampeão mundial do game.
 
Entretanto, com o passar dos anos, Counter Strike e outros games de tiro perderam seu espaço para outro tipo de game no mundo dos eSports: os MOBAs (uma abreviatura de multiplayer on-line battle arena, ou, em bom português: arena de batalha para jogos on-line com vários jogadores), popularizados por títulos como o já citado League of Legends (LoL), Defense of the Ancients (Dota 2) e StarCraft II, equivalentes eletrônicos aos populares esportes coletivos, como basquete, futebol e beisebol.
 

Entretanto, apesar das correntes comparações com o esporte tradicional, vai ser difícil ver brasileiros ou coreanos ganhando medalhas olímpicas de League of Legends ou StarCraft II. Isso porque, segundo o Comitê Olímpico Internacional, os games poderiam no máximo se igualar a atividades como xadrez e pôquer, que são reconhecidos como esportes da mente, mas nunca entrarão nos Jogos Olímpicos.

 
Saraiva na BGS 2014
 
Se fevereiro é mês de carnaval e junho é o mês dos namorados, outubro começa a se tornar o mês dos gamesno Brasil. Tudo graças à realização da Brasil Game Show (BGS), feira em São Paulo que reúne grandes lançamentos do mundo dos videogames. Entre as novidades, as recentes versões dos jogos Call of Duty, Assassin’s Creed, FIFA 15 e Destiny.
 
A Saraiva, é claro, não pode ficar de fora da festa, e estará presente na BGS com um estande de quase 853m².Os visitantes poderão  experimentar  diversos  jogos, participar de eventos e ficar por dentro das novidades em produtos. Além disso, o trono de ferro de Game of Thrones e estátuas de tamanhos reais, entre elas a do Wolverine, estarão disponíveis para foto.  O time da paiN Gaming também estará lá para fazer sessões de autógrafos e jogar com os fãs.
 
Para o lançamento do FIFA 15, a Saraiva conta com a presença do Emicida. O rapper é responsável pela trilha sonora do game que estará disponível para PlayStation 4, Xbox One, Xbox 360, PS3 e PC. Acompanhe a programação e a cobertura completa da BGS aqui no SaraivaConteúdo.
 
 
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