Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo HQ 22.10.2009 22.10.2009

O “”educador”” Mauricio de Sousa

Por Mariana Rodrigues e Diego Muniz
Foto de Lailson dos Santos

 

Lá vai ela para mais uma história. Com seu inseparável coelho azul, seus dentes avantajados, Mônica, a filha mais ilustre do cartunista Mauricio de Sousa, é a síntese de uma carreira de enorme sucesso, que completa 50 anos em 2009. Não é difícil destacar o trabalho desse paulista que conquistou títulos inéditos (tornar uma personagem em quadrinhos embaixadora da Unicef), prêmios especiais (Troféu Yellow Kid, o Oscar dos quadrinhos mundiais), números impressionantes (mais de um bilhão de revistas publicadas) e alcance internacional inimaginável (projeto de alfabetização na China).

Há 50 anos, Mauricio de Sousa iniciava sua carreira, não exatamente como cartunista, seu primeiro emprego foi como ilustrador. Depois passou a trabalhar no jornal Folha da Manhã(hoje Folha de S.Paulo) como repórter policial, não era bem a carreira que gostaria de seguir, mas foi nessa época que o seu primeiro personagem ganhou vida, Bidu. E como todos sabem, a turma só foi crescendo. Vieram Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão e muitos outros. Mauricio de Sousa procurou inspiração dentro e fora de casa para construir desenhos que atravessaram e influenciaram diversas gerações. Pai de 10 filhos, na profissão são mais de 200 filhos/personagens.

Mas Mauricio de Sousa é mais do que o cartunista mais famoso do país. Seu patrimônio se espalhou e multiplicou de maneira que hoje suas histórias chegam a 120 países, e ele é responsável pelo maior estúdio de animação do Brasil. E mesmo no meio de tanta conquista e celebração, ele não pensa em parar. Apesar de não se dedicar mais a escrever e desenhar, está presente ativamente nos negócios. Novidades não podem faltar, a renovação é constante. Uma mudança ousada que mostra o talento de sua empresa foi o lançamento da Turma da Mônica Jovem, com a turminha já mais crescidinha; revista que somente nas quatro primeiras edições vendeu 1,5 milhões de exemplares.

Há cinco décadas, suas turmas fazem parte da infância e adolescência de famílias pelo Brasil inteiro. O reconhecimento por um trabalho cuidadoso e dissipador de valores e contribuição na educação o levaram a novos rumos. Há dois anos, a personagem Mônica é embaixadora do Unicef (Fundo das Nações Unidas para Criança e Adolescência), título que recebeu pela influência que exerce sobre crianças, professores e famílias, transmitindo valores como amizade, importância da educação e convivência familiar. Neste ano, por exemplo, Mônica foi protagonista de uma campanha contra a violência infantil, veiculada na TV.

O trabalho de Mauricio de Sousa com a Unicef já vinha de longa data. Em 1994, ele criou Turma da Mônica em O Estatuto da Criança e do Adolescente, no qual apresentava o estatuto de maneira simples e educativa. Esse seu trabalho está cada vez mais intensificado, principalmente depois de um convite que veio de bem longe, da China. O governo do país o convidou para fazer parte de um projeto de pré-alfabetização para 180 milhões de crianças. Aqui no Brasil já há diversos títulos lançados, principalmente após 2008, em que a educação é o foco. Isso se deve a uma parceria com seis editoras, Panini, Melhoramentos, Girassol, Ave Maria, Cia. Editora Nacional e FTD. 

Em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, 50 grandes nomes dos quadrinhos nacionais criaram histórias a partir do universo dos personagens da Turma da Mônica. Comparecem em Mauricio de Sousa por 50 Artistas (Panini) Ziraldo, Laerte, Angeli, Spacca, Ivan Reis, Erica Awano, Fernando Gonsales, Fábio Moon e Gabriel Bá, Jean Okada, entre outros

Leia a entrevista publicada no Almanaque Saraiva.


Existe algum segredo para a Turma da Mônica atravessar tantas gerações e manter o sucesso?

Mauricio de Sousa – Talvez tenha a ver com a dinâmica das nossas criações. Nossos personagens estão sempre vivendo situações próximas das que vive nosso público. Falando como esse público e desejando as mesmas coisas.

O senhor imaginou que seus personagens teriam rumo fora dos quadrinhos?

MS – No início, não. Depois as coisas foram acontecendo… e agora vejo que os personagens podem colaborar com as mais diversas mensagens de cunho cultural e social.

Alguns dos seus personagens foram inspirados nos seus filhos. Quando o senhor percebeu que tinha esse material todo em casa?

MS – Foi uma coisa que veio acontecendo. Podiam ser os filhos, ou os filhos dos vizinhos. Felizmente meus filhos se prestavam para ótimos personagens.

Quando e por que surgiu a ideia de colocar os personagens em turma?

MS – Por necessidade de contar histórias com mais personagens, eles vieram chegando. E quando chegam em bando, viram uma turma. Achei o título legal.

A experiência como repórter ajudou na sua trajetória?

MS – A reportagem me ensinou a escrever de maneira direta, enxuta, ideal para os quadrinhos.

Qual a importância de assuntos atuais nas HQs?

MS – Gosto de fazer histórias mais ou menos jornalísticas. Lembranças do tempo de repórter. E isso situa o leitor e o personagem no dia de hoje. Para incluir novos assuntos, é sentir se serão "notícia", em termos de quadrinhos, de receptividade do leitor. E depois é só desenhar.

Como o senhor ainda consegue boas histórias?

MS – A criação é um poço sem fundo… cheio de ideias brotando. Quanto mais se retira, mais vem.

Por que as HQ continuam a ser valorizadas?

MS – HQ sempre será valorizada quando tiver originalidade, mensagem, cuidados para com o público-alvo.

AS – A Mônica é embaixadora do Unicef. Qual a sensação do criador quando acontecem essas homenagens?

MS – Fico honrado e ao mesmo tempo com a responsabilidade aumentada. Temos que continuar merecendo esses títulos e essa responsabilidade, sem dúvida.

Qual é sua principal ocupação? Ainda desenha?

MS – Infelizmente não tenho mais tempo para desenhar como gostaria. Mas examino todo o material criado. Acompanho os processos de criação em todos os níveis, todos os roteiros e as ideias. E, naturalmente, tenho que ser empresário em algum momento do dia.

Dava para imaginar esse sucesso todo do Mauricio de Sousa Produções?

MS – Eu sempre pensei em trabalhar e dar o melhor de mim. Num processo de trabalho em equipe. Sucesso não se imagina. Nem se encomenda. Mas espera-se, de leve, que seja.

Qual é a melhor coisa que aconteceu nessa onda de comemoração dos 50 anos?

MS – Tudo. Mas talvez o melhor sempre esteja por vir.

 

> Confira o site de Maurício de Sousa

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