Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 08.09.2011 08.09.2011

O curta-metragem e seu recorte criativo da atualidade

Por Bia Carrasco
Na foto ao lado,  Caco Ciocler em Actus, da diretora Kika Nicolela
Personagens intensos, linguagem rápida e questionamentos atuais. O curta-metragem tem a velocidade que acompanha o avanço tecnológico, com recortes livres e estética própria para retratar o que está acontecendo no mundo. Para levar aos brasileiros as últimas tendências desse universo de som e imagem, o 22º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, que ocorreu entre 26 de agosto e 2 de setembro, promoveu sessões gratuitas por toda a cidade, com o que há de mais novo nas produções nacionais e estrangeiras.
 
Segundo Zita Carvalhosa, diretora do festival desde a sua primeira edição, “a cada ano, tudo é novo. Os curtas têm isso, nos dão o panorama do momento, é uma programação boa de assistir, porque é uma oportunidade de ver um novo recorte do mundo”. A seleção para o evento contou com cerca de 3 mil filmes, de 96 países. Destes, mais de 400 entraram para o circuito para compor as sete mostras e os 19 programas especiais. “Não é um festival competitivo, mas temos parceiros, como a Petrobras, que premiam os 10 preferidos do público”, explica Zita.
 
Além da Mostra Internacional e Latino-Americana, a edição lançou dois grandes destaques: temas relacionados ao universo da mulher, no programa Feminino Plural, e o Fashion Curtas, um programa especial que mostrou como os estilistas e as grandes grifes estão usando o audiovisual para transmitir seus conceitos e divulgar suas marcas.
 
O feminino em destaque
 
Para focar o universo feminino, que cada vez mais estabelece seu lugar em diversas áreas, se destacou as produções realizadas por mulheres, cerca de 30% do total de inscrições para o evento. “Tenho observado muito como a mulher, especialmente no Brasil, vem assumindo seu espaço, nas mais diversas áreas. Quisemos compartilhar isso aproveitando o vigor do curta-metragem como forma de expressão e a visibilidade que o assunto pode conquistar num festival de âmbito internacional”, diz Zita, ao observar que, além de o Brasil contar com um modelo de protagonismo feminino muito presente, suaa valorização também dá um equilíbrio interessante à sociedade.
 
A violência contra a mulher, tema que cada vez mais ganha espaço entre as produções, foi destaque do programa “Fale sem medo”. Resultado de um concurso promovido pelo Festival “Expresión em Corto”, no México, o compilado de filmes vencedores fizeram parte da programação do Festival de Cannes de 2011 e chegaram ao Brasil para discutir essa questão que, apesar dos avanços da sociedade, ainda permanece presente na vida de muitas pessoas.
 
Entre a moda e o audiovisual
 
A moda é outro tema que ganha força nas produções de curtas-metragens. Mas, apesar do que muitos pensam, o conteúdo não aborda apenas as passarelas e o glamour das grandes grifes, “são produtos audiovisuais que transmitem o espírito da moda. São maneiras de passar conceitos”, diz Zita.
 
Por seu formato livre, Zita ainda acrescenta que o curta-metragem tem a capacidade de conversar com a moda, pois ambos expressam uma busca de novos conceitos visuais. Um dos destaques para esse tipo de produção é Missoni, filme do cultuado cineasta experimental Kenneth Anger, que revisita a estética dos anos 1960 em imagens hipnóticas.
 
Animações poéticas e videoartes minimalistas também compõem o nicho, pois nem só de estética vive o mundo da moda. Act da Fool, de Harmony Korine, leva as criações da marca Proenza Schouler ao submundo do crime norte-americano, enquanto Skateistan: Viver e Ser skatista em Kabul, apresenta um projeto social no Afeganistão, desenvolvido pela marca Diesel, para ensinar skate às crianças em Kabul.
 
 
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