Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Filmes e séries 18.05.2012 18.05.2012

O Corvo nas artes: as várias adaptações dos escritos de Edgar Allan Poe

Por Luma Pereira
 
Um corvo voando em círculos em volta da lua. Um grito. Sangue. Assim começa a mais nova adaptação cinematográfica baseada nas obras literárias de Edgar Allan Poe, escritor norte-americano que viveu entre os anos de 1809 e 1849.
 
“Ele é um autor tão especial e tão cheio de imagens que é natural suas obras serem muito adaptadas para o cinema”, afirma Carlos Gerbase, cineasta que escreveu um artigo sobre o assunto para a revista Letras de Hoje, da PUC-RS.
 
O Corvo, que estreia nos cinemas no dia 18 de maio, não é uma adaptação apenas do poema homônimo, publicado no jornal “Evening Mirror”, em 1845. A produção é baseada em várias histórias do escritor, que se entrelaçam para compor o enredo do filme.
 
John Cusack interpreta Poe, que precisa investigar uma série de assassinatos que têm acontecido em Baltimore.
 
Os crimes, porém, são familiares: baseados nos livros do escritor. E as pistas para solucionar os casos estão em seus próprios textos. 
 
A primeira adaptação baseada em O Corvo foi realizada pelo mestre dos “filmes B”, Roger Corman, em 1963. Mas o cineasta fez também versões para as telonas de Casa de Usher (1960), O Poço e o Pêndulo (1961), Contos de Terror (1962), entre outros.
 
Em The Strange Case of the Cosmic Rays, dirigido por Frank Capra, em 1957, Edgar Allan Poe, Fiódor Dostoievski e Charles Dickens aparecem retratados como marionetes. George Higham dirigiu Annabel Lee e Alfonso S. Suarez adaptou The Tell-Tale Heart.
 
Existe também a versão de O Corvo de 1994, uma adaptação dos quadrinhos de James O’ Barr (que se inspirou no poema de Poe), estrelada por Brandon Lee. Uma curiosidade sobre essa produção é que o ator acabou de fato morrendo nas filmagens.
 
Há até uma adaptação brasileira, realizada em 1983, pelo diretor Valêncio Xavier. É um curta-metragem narrado por Paulo Autran, com uma encenação do poema. Segundo Gerbase, há quase 200 filmes baseados ou inspirados nas obras de Poe. 

 
Além das telonas
 
Os contos de Poe já foram adaptados também para outras mídias. O quadrinista Luciano Irrthum fez uma releitura de O Corvo para os quadrinhos; a edição foi publicada pela editora Peirópolis, em 2009.
 
Manu Maltez, artista plástico, fez uma adaptação livre inspirada pelo poema. Ele conta que sempre quis elaborar algo com esse texto do escritor norte-americano, e que utilizou bico de pena e pincel para realizar as ilustrações.
 
“Optei por manter os desenhos sem qualquer texto. Criei uma narrativa paralela ao poema, mas que não deixa de estar intimamente ligada a ele. É minha homenagem ao Poe”, conta.
 
O Corvo é um poema que se tornou um clássico que rompeu para além do universo da literatura. Acaba representando toda uma concepção de arte e de vida, se assim posso dizer, que vê o símbolo, sublime e fechado, como expressão máxima da existência”, comenta Márcio Henrique Muraca, graduado em Letras e Mestre em Teoria Literária.
 
Além disso, há mais de 20 traduções de O Corvo para o português, sendo que as mais famosas são a de Fernando Pessoa e a de Machado de Assis. Ivo Barroso, autor de O Corvo e suas Traduções, admite não se interessar muito por adaptações para o cinema.
 
Sobre o filme que esteia no próximo dia 18, ele expõe suas expectativas: “Com as tendências atuais de vampirismo galopante, não se pode esperar nada muito sério”.
 
Muraca, porém, considera as adaptações favoráveis, uma vez que despertam a curiosidade pela obra original. Os leitores acham interessante ver as pessoas redescobrindo textos antigos que ainda hoje causam a intensidade que Poe queria.
 
Escritor de mistérios
 
O protagonista escuta um barulho em sua janela e vai ver o que é. Depara-se com um corvo – uma visita.
 
Esse é o começo do famoso poema de Edgar Allan Poe, escritor de biografia marcada por tristeza e loucura – uma vida de perdas e alcoolismo.
“A grande originalidade dele quanto ao modo de escrever está na estrutura de sua obra, na forma hábil de arquitetar um enredo pensando em cada detalhe que levará o leitor a se envolver totalmente. A intensidade é o que caracteriza seus escritos”, afirma Muraca.
Cena do filme O Corvo
 
“Ele revolucionou em muito a literatura romântica ao ser um criador de gêneros, como o conto de suspense e o policial, que viriam a se tornar tão populares, como ainda vemos em filmes e best-sellers em geral”, garante ele.
 
Poe influenciou diversos autores: Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes), H. P. Lovecraft, Julio Verne e outros. “Até hoje sua literatura está presente em artistas populares como Neil Gaiman (Sandman) e Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura)”, diz Muraca.
O escritor faleceu em circunstâncias não claramente esclarecidas: dizem que foi encontrado em Baltimore, numa praça, sem falar coisa com coisa. O Corvo do diretor James McTeigue, porém, esclarece, na ficção, os motivos da morte do autor.
 
 
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