Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Música 31.05.2009 31.05.2009

O Brasil de Vanessa da Mata

A gravadora Sony Music acaba de despejar nas lojas nada menos do que 200 mil cópias do primeiro registro de show de Vanessa da Mata, gravado dentro da série Multishow ao Vivo. São 100 mil cópias do CD. E outras 100 mil do DVD. Cifras muito respeitosas diante do quadro de crise vivido pelo mercado fonográfico por conta das piratarias física e virtual. Os números dão a medida do sucesso da artista, uma compositora nascida longe demais das capitais (ela é de Mato Grosso) que se tornou cantora para propagar sua obra autoral, projetada nacionalmente por Maria Bethânia em 1999 na faixa-título do álbum A Força que Nunca Seca.

Já um sucesso de vendas, o Multishow ao Vivo de Vanessa funciona como um resumo de seus três álbuns. Mas a base vem do repertório e da sonoridade do último, Sim, disco de 2007 que já emplacou dois mega-hits radiofônicos, Boa Sorte / Good Luck (um inusitado dueto de Vanessa com o cantor e compositor Ben Harper) e Amado (a balada projetada na trilha sonora nacional da novela cult A Favorita). Um terceiro sucesso, a propósito, pode estar por vir. Você Vai me Destruir já tinha toda pinta de hit no CD Sim e, no registro ao vivo, ressurge ainda mais demolidora.

Vanessa repetiu na sua primeira gravação ao vivo a parceria com os produtores Mario Caldato e Kassin, que formataram o CD Sim. Até a dupla Sly & Robbie – uma das referências máximas da cozinha jamaicana – foi convocada de novo para reeditar no show a participação em reggaes como Ilegais e Vermelho.

Sim, há reggaes e pop no repertório de Vanessa da Mata. Mas a obra da artista está calcada nos ritmos brasileiros. Tem algo de samba. Tem algo da guitarrada que norteia os ritmos do Pará. E tem algo das toadas interioranas. Só que essa salutar brasilidade é embalada com sonoridade contemporânea, sem ranços puristas. Somando-se a isso à crescente desenvoltura da cantora, o resultado é um belo registro de show.

 

 

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