Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 31.10.2011 31.10.2011

O Borralheiro Carpinejar

 
Por Marcos Fidalgo
 
O escritor Fabrício Carpinejar
Crédito foto: Renata Stoduto
Em Borralheiro (Minha Viagem pela Casa), recém-lançado pela Bertrand Brasil, Fabrício Carpinejar segue reinventando-se como amante.
 
Assim como em seus outros três livros de crônicas, gênero que abriga o personagem de si mesmo, em Borralheiro, Carpinejar é novamente um marido feminino que muitas mulheres querem ter, mas que apenas Cínthya, sua esposa, tem o privilégio.
São os cremes dela que ele esconde, para ter o prazer de entregá-los quando ela pergunta por eles; é com ela que transa de olhos abertos, a fim de ver os traços ofegantes de seu rosto; e quando Cínthya dorme, contempla o bico que o sono contorna em sua boca, sugerindo que os concursos de misses deveriam ter uma prova que analisasse a elegância das candidatas durante o sono.
 
A obra é um reality show impresso da vida do escritor. Até aí nada de novo em sua prosa. As novidades são as descobertas de novas maneiras de viver a dois.
Se as mulheres enxergam no livro o marido que querem ter, os homens encontram o marido que podem ser. Para eles, é uma autoajuda. Para elas, uma ficção.
O autor dá alternativas para o papel do homem no relacionamento, sugerindo que ele tome conta da casa, faça as unhas, e fique cheiroso e sedutor para receber a mulher que volta do trabalho. São ideias de um escritor caseiro, que faz com propriedade o que poderíamos chamar de literatura do lar.
Folhear a obra é abrir as gavetas e armários de Carpinejar, conhecer as roupas de sua infância, tempo em que saía para a escola pela porta do quintal, é viajar por sua casa reconhecendo nossa própria.
No matar das baratas, no espremer da pasta de dente, e nas marcas na pele deixadas pelo barbear, Fabrício encontra um sentido para os gestos da rotina. Todo objeto para ele é poético, todo utensílio faz mais do que diz seu manual. Borralheiro também vai além de reunir crônicas. É um estímulo à percepção de que o casamento, quase sempre pintado com falta de cores, ainda pode ser uma agradável morada.
 
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