Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 24.08.2011 24.08.2011

O bom cachaceiro e a Verdadeira História da Cachaça

Por Sarah Corrêa
Na foto ao lado um alambique
 
Se ele é um bom cachaceiro? “Olha, se quer dizer apreciador de cachaça, eu me considero um cachaceiro, com muito orgulho!”. Este é Messias S. Cavalcante, Ph. D em Biologia e autor do livro A Verdadeira História da Cachaça.
Ele ocupa o posto de Maior Colecionador de Diferentes Garrafas de Cachaça, segundo o ranking do Livro dos Recordes (2009). São mais de 12 mil exemplares da iguaria, e Messias conta que a “paixão não foi à primeira vista”.
Casado com uma mineira, há alguns anos a esposa teve a necessidade de mudar-se definitivamente para o Sul de Minas. Como bom marido, Messias acompanhou a mulher. Em Alfenas, percebeu que estava em meio a mais de oito mil alambiques produtores da bebida.
 
Foi então que a curiosidade o apertou e as pesquisas começaram. Muito antes de se dedicar a conhecer a história desta bebida, Messias já mantinha em casa alguns exemplares. “Viajava muito pelo Brasil e exterior. Sempre trazia alguma lembrança e, às vezes, algum rótulo ou garrafa de cachaça interessante despertava minha atenção. Com o passar dos anos, percebi que tinha número suficiente de garrafas para iniciar uma coleção”, recorda-se o colecionador.
A rotina como pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), em São Paulo, também foi muito útil para a saga de Messias na concepção de A Verdadeira História da Cachaça. As mais de 500 páginas desta obra carregam uma exímia busca pelas origens desta bebida. Sabia que a cachaça não nasceu em Minas Gerais, como muitos dizem, e que ela era irmã gêmea do rum?
 

Messias S. Cavalcante
Apesar do estado mineiro hoje abrigar os maiores pólos produtores de cachaça, como a cidade de Salinas, foi na Bahia o primeiro indício da produção da aguardente no país, em 1622. Porém, como retrata em seu livro, há documentos anteriores ao século XVII destacando a produção do rum – nome dado à bebida extraída da fermentação da cana de açúcar nas colônias espanholas.
Carregado de história, A Verdadeira História da Cachaça apoiou-se em mais de 700 referências sobre o assunto. “A literatura brasileira é rica no que diz respeito à cachaça. É difícil para qualquer escritor seja de ficção ou não ficção deixar de incluir cachaça ou outra bebida alcoólica no texto. Há séculos a cachaça faz parte, diretamente ou indiretamente, do cotidiano do brasileiro”, pontua o escritor.
E esta afirmação pode ser encontrada em qualquer esquina, seja no drama ou na comédia humana. Como diz o próprio Messias, “quando a vida da gente vai bem, bebe-se para comemorar. E quando vai mal, é para se esquecer dos problemas!”.
Aliás, grandes poetas do cotidiano brasileiro, de certa forma, já concordaram em seus versos com Messias, como o genial Chico Buarque na canção Caro Amigo: “Muita mutreta pra levar a situação / Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça / E a gente vai tomando e também sem a cachaça / Ninguém segura esse rojão”.
“O Chico Buarque é um dos poucos compositores, assim como Noel Rosa, que sabe traduzir em letras de músicas a essência da alma brasileira. Se ele afirma que só com a cachaça é possível segurar o rojão que simboliza os nossos esforços para enfrentar os contratempos do dia a dia, quem somos nós para discordar?”, arremata o bom brasileiro Messias, que já prepara um novo livro, Todos os Nomes da Cachaça, onde mostras as mais de 170 definições para a bebida.
 
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