Saraiva Conteúdo por Saraiva Conteúdo Livros 31.05.2011 31.05.2011

O baú de riquezas de Lya Luft

Por Andréia Martins

O que vale mais? Estar bem por um dia todo ou por toda a vida? Neste mês de maio, a escritora Lya Luft lança A Riqueza do Mundo (Record), um ensaio sobre a existência. De Porto Alegre, uma das mais bem-sucedidas escritoras do Brasil, com 20 obras publicadas, calibra o olhar para refletir sobre a vida. Com uma visão enriquecida pelo seu papel de mulher, esposa, mãe e avó, a escritora revela que para se apaixonar pela existência é preciso observação, coragem e humildade. Em entrevista, Lya falou sobre o novo trabalho e mandou um recado a quem sonha em seguir sua profissão. “Quem se quer editado e famoso no primeiro livro, mata em si a alegria e o prazer da arte”.

Qual é o fio condutor do seu novo livro A Riqueza do Mundo?

Lya Luft. Não sei se precisa haver um fio condutor, mas eu diria que é minha observação do que fazemos com as riquezas do mundo, econômicas, naturais, afetivas, científicas, enfim. Como usamos ou criamos essas coisas.

Ele reúne crônicas inéditas ou uma compilação de textos já publicados?
 
Lya Luft. Não são artigos publicados, exceto pouquíssimos, e reescritos. São reflexões, miniensaios que, reunidos, formam um só ensaio sobre o tema.

Há muito de você mesma neste livro?

Lya Luft.  Em tudo que criamos, seja em pintura, poesia, ficção ou mesmo prosa como esta do livro, existe algo de nós. Não é um livro muito pessoal, mas alguns textos são como memórias da infância, vivências no bosque, coisas lidas e ouvidas. Não é confessional.

Os dramas humanos são um tema recorrente em sua obra. A existência é algo que está ficando mais complicado com o passar do tempo, ou somos nós que estamos complicando?

Lya Luft. Nós complicamos na medida em que tornamos a vida muito mais complexa e complicada, porém, por outro lado, mais rica e interessante. A vida na minha infância, numa cidade do interior, com uns 30 mil habitantes, era extremamente diferente da que meus netos e netas têm hoje numa cidade com quase dois milhões, toda a tecnologia à mão, etc. Porém acredito que as emoções humanas não mudam tanto: necessidade ou desejo de escuta, colo, presença, oportunidades, sentido da vida, alguma paz, essas coisas.

O que a maturidade ensinou para você, tanto na vida pessoal quanto profissional?

Lya Luft. Que não podemos resolver os problemas do mundo, dos outros, nem os nossos. Estes, com algumas exceções, a gente consegue. Que amar algo ou alguém não deve ser possuir. Que o tempo passa, mas isso não é deterioração (fisicamente sim), mas crescimento. Hoje acho que me estresso bem menos, me divirto mais, convivo melhor com todos, gosto mais de ser como sou, enfim. E tenho tempo para livros, música, longos papos ou silêncios bons com marido, amigos etc.

Muitas mulheres leem seus textos. Como você enxerga a experiência feminina, ser mulher nos dias de hoje, e há um papel especial da mulher em sua obra?

Lya Luft. Nunca sequer pensei escrever sobre mulheres ou para mulheres. Mas mulheres leem mais. Ligam-se mais a emoções e interioridade. Tenho mais leitores homens a cada novo livro. Mas acredito e sei que muitas pessoas sentem, em todo o mundo, que escrevo "para elas". Escrevo com muita honestidade, verdade e simplicidade. Deve ser isso.

Qual é o seu recado para quem deseja ser escritor?

Lya Luft.  Rir muito. Muito. Escrever quando se tem vontade, não mecanicamente, mas por alegria, prazer, paixão. Ser humilde: quem se quer editado e famoso no primeiro livro, mata em si a alegria e o prazer da arte.

 

 

 

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